Alan Varela reflete sobre percurso vitorioso no FC Porto e aspirações pela Argentina

  1. Varela não perdeu contra rivais diretos.
  2. Relação de respeito com Otamendi.
  3. Aspira a vaga no Mundial 2026.
  4. Filha foi motivação para carreira.

Alan Varela concedeu uma extensa entrevista ao jornal argentino La Nación, abordando a sua fase vitoriosa no FC Porto, o desejo de representar a seleção Argentina no Mundial 2026 e a sua relação com Nicolás Otamendi. O médio destacou a importância de não ter perdido contra os rivais diretos na conquista do título, afirmando: “Este ano estivemos bem em todos esses jogos, não perdemos contra nenhum grande”. Varela salienta que estes duelos são “partidos bravos” onde “se joga tudo”, e que “uma derrota pode chegar a tirar-te do campeonato”. O médio concluiu que “Fiquei muito contente por poder ganhar alguns clássicos e, noutros, não os perder, para podermos sair campeões”.

Apesar da rivalidade em campo, a relação com o compatriota Nicolás Otamendi é de grande respeito. Varela revelou que “Com o Nico sempre tivemos a melhor [relação], dentro e fora do campo. Fomos sempre respeitosos os dois. Obviamente é um clássico e dentro do campo deixa-se tudo, mas para além disso não se passa nada”. O foco do jogador mantém-se no Dragão, apesar dos rumores de interesse da Premier League. Varela garantiu que está “tranquilo e focado a 100% aqui no Porto. Todos esses temas, obviamente, são falados pelo meu representante e neste momento não estou a pensar nisso”, antes de reforçar que o seu objetivo imediato é “Poder estar na lista do Mundial”.

As aspirações no FC Porto são máximas, com o jogador a referir que “Aqui aspira-se sempre a ganhar tudo, não é? Taças nacionais, mas sobretudo a Liga. A Liga é muito importante em Portugal porque te dá acesso direto à Champions e também conta muito ter uma boa prestação lá na próxima temporada”. Varela abordou ainda um aspeto mais pessoal da sua carreira, revelando que a sua vida mudou com o nascimento da filha. “Tive de me esforçar ao máximo para poder dar-lhe uma vida melhor e chegar à primeira divisão. Consegui-o e, a partir daí, encarei sempre o futebol como um meio de vida, mas também para ficar na história de cada clube onde me toque jogar”.

Varela realça ainda que a sua adaptação ao futebol europeu foi bastante tranquila. “A verdade é que a adaptação não me custou. Assim que cheguei, comecei logo a jogar, mas tudo depende também da confiança que o treinador te dá e de os jogadores confiarem em ti para que eu possa desenvolver o meu futebol. Isso foi fundamental para a minha adaptação, que foi muito rápida.” O médio argentino falou ainda da inclusão na pré-convocatória de 55 jogadores de Scaloni: “Que te tenham em conta para a lista de 55 para um campeonato assim é muito lindo, e obviamente não me conformo com isso”, confessou, e frisou “Acho que tive um ano e uma temporada muito boa. Senti-me muito confortável aqui no FC Porto e acho que tenho chances, mas ainda falta. É preciso continuar a trabalhar e vamos ver o que acontece”. Por fim, sobre a seleção, “A Argentina é sempre candidata. Ganhámos o último Campeonato do Mundo, ganhámos a Copa América e seremos sempre candidatos enquanto o Messi, o nosso número 10, for o melhor jogador do mundo”.

O médio dos dragões destaca a mudança de mentalidade na equipa portista após uma época dececionante, que levou a turma de Farioli a sagrar-se campeã nacional em 2025/26, com Varela a referir: “Foi um ano e uma temporada muito bons a nível pessoal e para a equipa. Virámos a página muito bem em relação ao ano passado, que, como todos viram, foi o fundo do poço, porque não lutámos por nenhum título.” O ex-Boca Juniors, que cumpriu a terceira época na Invicta, realça a exigência dos adeptos portistas. “Quando se chega ao FC Porto, a única coisa que as pessoas exigem é ganhar títulos e jogar bem. No ano passado não estivemos à altura”, admitiu, explicando que a época transata foi um fracasso em todas as frentes, "Não estivemos à altura em nenhuma competição, não conseguimos lutar pelo campeonato, que é o que as pessoas aqui exigem sempre. Nas Taças também não estivemos bem, fomos eliminados muito cedo, e creio que o Mundial de Clubes também não foi bom da nossa parte. Foi como ter batido no fundo.» A reviravolta, segundo o argentino, deveu-se à chegada de reforços e de uma nova equipa técnica: “Este ano foi muito bom porque chegaram bons jogadores com a mentalidade certa e uma nova equipa técnica que também exige muito e está atenta a cada pormenor. Tudo isso ficou refletido ao longo da temporada.” O médio enalteceu ainda o impacto de Francesco Farioli e de Lucho González no sucesso azul e branco: “A chegada de Farioli foi muito importante porque veio com ideias muito boas, sempre a tentar melhorar cada detalhe, prepara e analisa muito bem os jogos. E ter o Lucho aqui é uma honra para mim. Como jogador foi extraordinário e poder partilhar o dia a dia com ele, sempre a exigir de mim, é muito bom. Tento sempre melhorar, ouvi-lo e aprender com tudo o que ele me diz.” Ao juntar-se a uma lista de argentinos de sucesso no FC Porto, Varela sente-se orgulhoso: “É muito bonito, porque me nomeaste jogadores muito bons e reconhecidos aqui em Portugal, que deixaram a sua marca. Quando cheguei, falaram-me sempre do Lucho, do Lisandro, do Belluschi, e isso reflete o grande trabalho que fizeram aqui. Eu tento sempre trabalhar, ser profissional e dar tudo em campo para que as pessoas reconheçam que fui um jogador que deu sempre 100% pela equipa.” Por fim, Varela falou da sua ligação ao Boca Juniors, revelando que mantém contacto com Juán Román Riquelme, um dos seus ídolos, a quem enviou recentemente uma camisola do FC Porto. Como adepto do clube argentino, lamentou a grave lesão de Agustín Marchesin, antigo guarda-redes dos dragões: “Tenho aqui colegas que jogaram com o Marchesin e lamentam muito a sua lesão. Eu também, como adepto do Boca, lamento muito que se tenha lesionado assim. Mas espero que possa recuperar da melhor maneira”.

Qual é o teu clube?
check_circle
Notícias do ativadas