André Villas-Boas, presidente do FC Porto, marcou presença no Festival ECO, em Lisboa, e aproveitou a ocasião para dissipar veementemente vários rumores de mercado que têm circulado nos últimos dias. O líder máximo dos Dragões negou categoricamente qualquer negociação envolvendo a saída de Kiwior para o Barcelona, bem como o interesse na contratação de Gustavo Sá, do Famalicão.
Sobre a possível transferência do defesa polaco, Villas-Boas foi perentório: “Posso desmentir os dois. Foi com toda a surpresa que vi as notícias e tenho de desmentir. Não falo com o Deco há três meses. Jamais me ligou sobre o tema Kiwior. É um jogador que entrou diretamente para o onze do ano. Um dos melhores ativos do FC Porto e é um grande jogador. O FC Porto roubou-o à Premier League e tem tido o impacto que todos desejávamos”. (André Villas-Boas) A posição do presidente é clara, reforçando a importância de Kiwior para a equipa e desmentindo qualquer contacto com o diretor desportivo do Barcelona, Deco. Da mesma forma, o interesse em Gustavo Sá foi categoricamente negado: “Relativamente ao Gustavo Sá, desminto em absoluto qualquer aproximação ao Famalicão e qualquer interesse no jogador, que é um grande jogador e um jovem jogador português. Mas o FC Porto fez zero movimentos pelo Gustavo Sá. Lamento que tenham mentido sobre a situação”. (André Villas-Boas) Estas declarações visam travar a especulação e tranquilizar os adeptos portistas.
Para além das questões de mercado, André Villas-Boas aproveitou para lançar duras críticas à postura de outros dirigentes, especialmente Frederico Varandas, presidente do Sporting. Abordando o ambiente de crispação no futebol português, Villas-Boas afirmou: “Estamos no campo das emoções. Os presidentes não estão imunes às mesmas. Quando são ultrapassados os limites, temos de reconhecer. Na última época foram ultrapassados grandemente. Não se pode é viver na hipocrisia. O que se viveu na última AG foi absolutamente patético, relativamente às propostas do Sporting. Uma a ver com um canto mal assinalado, que deu uma vitória ao Sporting indevida, uma proposta que vem do IFAB e não vem do Sporting”. (André Villas-Boas) O presidente do FC Porto não se furtou a criticar o que considerou ser uma “tentativa de chico-espertice” por parte do Sporting: “Foi uma tentativa de chico-espertice que lhes saiu muito mal. E outra tem a ver com a postura dos presidentes. Se queremos aumentar as sanções pecuniárias relativamente às palavras dos presidentes, temos de liderar pelo exemplo e não ter cenários como aquele que aconteceu no Sporting-FC Porto em que um presidente perdeu a cabeça e insultou outro. Assumir também a minha responsabilidade. Há um nível de educação em que temos de estar. Seguramente podem contar com o presidente do FC Porto para isso e é importante que determinados níveis não sejam ultrapassados”. (André Villas-Boas) As palavras de Villas-Boas revelam a sua preocupação com o clima de animosidade e o seu desejo por um ambiente mais respeitoso no futebol português. Adicionalmente, Villas-Boas revelou a intenção do FC Porto de criar uma equipa de futsal, reconhecendo a hegemonia de Sporting e Benfica na modalidade, mas apelando à paciência dos adeptos para um projeto sustentável: “O futsal é uma modalidade que apaixona, em que os clubes portugueses são dominadores, Sporting e Benfica. O FC Porto não pode ficar indiferente ao sucesso que o futsal tem. Há algo que é fundamental, como no feminino, que é importante que sejam sustentáveis e isso é difícil. Peço aos adeptos do FC Porto que entendam que a nossa entrada no panorama do futsal é um espaço que temos que ocupar, mas têm que nos dar o tempo necessário. No feminino respondemos abruptamente, ao chegar à Liga BPI e a uma final da Taça. No futsal é passo a passo, com muita responsabilidade formativa. Esperamos o devido enquadramento com a FPF sobre a possibilidade, ou não, do FC Porto aproveitar uma mudança regulamentar para chegar à 3.ª divisão. Se não for o caso, nas outras divisões”. (André Villas-Boas) Por fim, Villas-Boas abordou ainda a preparação da próxima temporada, evidenciando a necessidade de sustentabilidade e a revisão estrutural anual nos clubes portugueses: “Já entrámos, de certa forma, na próxima época, 2026/27, com a devida preparação do que podem ser entradas e saídas. Tudo isto tem sido discutido internamente entre equipa técnica, scouting, direção desportiva e presidência. Estamos a tomar decisões que sustentem o sucesso do FC Porto de uma época para a outra”. (André Villas-Boas) Reafirmando o compromisso com o futuro, o presidente concluiu: “Todos os clubes que ganham numa época devem tentar sustentar-se a médio e longo prazo. Aguentar-se no topo e ser sempre referência é o mais difícil. Cada clube português tem de refundar-se, basicamente, de ano para ano, devido às necessidades financeiras e económicas. Podem haver mudanças estruturais e é isso que queremos que tenha o menor impacto possível”. (André Villas-Boas)