Após uma época de ouro com o FC Porto, Francesco Farioli partilhou as suas reflexões sobre a chegada e a adaptação ao clube, num testemunho que destaca a forte ligação emocional e profissional que desenvolveu. O treinador italiano relembrou o arranque do seu projeto e a forma como a sua experiência anterior moldou a sua perspetiva, sublinhando que sentiu ter “a palavra perdedor estampada na testa”
ao chegar ao Dragão. Esta autoperceção sublinha a pressão e o desejo de superação que o acompanharam desde o início da sua jornada no clube.
Farioli destacou a confiança que lhe foi depositada, frisando que “a decisão do presidente de me dar esta oportunidade foi notável, especialmente depois de um ano com dois treinadores jovens [Vítor Bruno e Martín Anselmi]... Escolher um terceiro, e alguém que tinha a palavra perdedor estampada na testa, não foi uma decisão racional. Mas André Villas-Boas teve fé e uma crença profunda”
. O técnico também revelou a sua procura por um ambiente que partilhasse da sua ambição: “Eu procurava um clube com pessoas que tivessem a mesma motivação que eu, um espírito de superação após um fracasso ou algo que correu mal, depois da época muito pesada que tive no Ajax”
. Esta busca por um propósito comum foi crucial para a sua decisão de aceitar o desafio no Porto, um clube que, segundo ele, “precisava de se reconectar com certos valores e redescobrir a mística que, nas últimas épocas, se tinha desvanecido parcialmente”
.
Apesar dos sucessos alcançados, Farioli mantém os pés assentes na terra e reconhece que o trabalho está longe de terminar. “Sinto que preciso de continuar e de me superar, agora as expectativas são ainda mais altas”
, afirmou, demonstrando a sua incessante busca pela perfeição. O treinador também mencionou um método inovador para recolher feedback dos seus jogadores, revelando: “Há alguns dias, dei-lhes um questionário anónimo para preencherem, para que tivessem a liberdade de nos atingir com uma bazuca – a mim e à equipa técnica – dizendo-nos do que gostaram e do que não gostaram”
. Esta abordagem reflete a sua mentalidade aberta e o desejo de promover um ambiente de honestidade e crescimento contínuo. Concluiu, reiterando o seu compromisso com o clube: “Mais uma vez: temos um contrato, temos um compromisso e uma missão que precisa de ser cumprida.”