Francesco Farioli, treinador campeão nacional pelo F.C. Porto, tem estado em destaque não só pelas suas conquistas desportivas, mas também pela sua abordagem filosófica ao futebol e à liderança. Recentemente, foi convidado para a Faculdade de Letras da Universidade do Porto, onde irá proferir uma palestra sob o lema “O que têm em comum a filosofia, o futebol e a liderança?”, inserida na sessão “Conversas que inspiram”. A entrada será livre, e o evento contará ainda com a participação dos professores José Meirinhos e Mattia Ricardi, para debater temas como pensamento crítico, tomada de decisão e construção de equipas.
Em declarações prestadas durante um recente Media Day
, Farioli enviou uma mensagem clara e incisiva ao plantel. “Temos de ter a exigência interna de fazer melhor. Vi algumas entrevistas com muita emoção lá dentro. Às vezes, a boca fala um bocado demais, e, no FC Porto, não é aceitável. Disse-lhes para aproveitarem as férias e que, no dia 1 de julho, sabem o que lhes espera e o que vamos esperar deles”, afirmou o técnico italiano, sublinhando que não há espaço para complacência após a conquista do título.
O treinador italiano reforçou ainda a necessidade de manter o foco e a ambição. “Disse-lhes que, se não vierem com a mesma fome, é melhor procurarem uma alternativa. As exigências vão ser maiores para os jogadores e para mim também. Ou estamos todos na mesma página ou teremos um problema”, acrescentou. Farioli mostrou-se focado nos próximos desafios, adiantando que a sua prioridade está já “no próximo passo, a Supertaça”, diante do Sporting, e alertou para a dificuldade da próxima temporada: “Vamos construir em cima de algo, com uma pré-época completa para desenvolver as coisas. Acredito que a Liga dos Campeões nos vai exigir algumas adaptações”.
Aos 37 anos, Francesco Farioli revelou a sua disponibilidade para um contínuo processo de aprendizagem: “entrar novamente num modo de aprendizagem total, para estar preparado” para o que se avizinha. Nos próximos “três meses de mercado”, espera “entender melhor” as possibilidades do clube em todas as frentes. “Alguns jogadores que adoraríamos manter talvez fiquem sob ataque de diferentes clubes. Será importante tentar convencê-los a ficar e o que aconteceu no último dia ajuda-nos a isso, porque não é comum ver certas coisas e acho que toda a gente adoraria repetir este sentimento uma e outra vez”, explicou, evidenciando os desafios da janela de transferências.
O técnico portista elogiou o espírito de sacrifício dos seus jogadores: “de 5% do ego a favor da equipa”, o que foi crucial para traçar “uma estratégia fria para tentar ganhar os três títulos”, mesmo que a ambição não se tenha concretizado na Taça de Portugal, Taça da Liga e Liga Europa. Farioli projeta “uma melhoria em termos estruturais”, ou seja, dar “um passo significativo redefinir algumas posições”. Quanto ao seu futuro, assegurou que permanecerá no Estádio do Dragão, apesar das especulações. “Até há duas ou três semanas, vivia com um grande ponto de interrogação sobre a minha cabeça, vindo de fora. E, agora, há um ponto de exclamação que precisa de ser confirmado e provado. A expetativa sobe e temos de ser mais exigentes”, concluiu, reiterando o seu compromisso e a ambição de continuar a fazer história no clube.