Francesco Farioli, técnico do FC Porto, confirmou a sua permanência no comando dos azuis e brancos para a próxima temporada, pondo fim aos rumores sobre uma possível saída após a conquista do campeonato nacional. O treinador italiano concedeu uma entrevista à RTP, onde fez um balanço da época e delineou os planos para o futuro do clube.
“De certeza que vou ficar no FC Porto. Estou onde quero estar, porque estamos apenas no início da nossa viagem, demos o primeiro passo, agora temos de começar a construir por cima do primeiro andar”, afirmou Farioli, afastando a possibilidade de se mudar para a Premier League. O técnico realçou que o momento é de focar no trabalho em curso: “Não é uma questão que se deva pensar ou considerar agora. Viemos de uma conquista importante, acabamos de celebrar e as sensações ainda estão aqui. Estamos a planificar a temporada, dia 1 de julho está perto. Esta será importante para gerir a emoção e o que sentimos nestes dias, e apreciamos muito isso.” Farioli reiterou a sua decisão em outra ocasião, sublinhando: “Sair? Agora não, seguramente. É onde estou e onde quero estar. Estamos no início da nossa jornada e demos o primeiro passo. Agora é o momento de nos mantermos no topo.” O treinador também mencionou o planeamento da próxima época: “Não creio que devamos ponderar isso. Vimos agora de uma conquista muito importante. Terminámos as celebrações e está tudo ainda nessa vibração. Já há parte de nós a pensar na próxima época com a planificação e organização. O dia 1 de julho está perto.”
O treinador recordou as dificuldades recentes do clube, mas destacou a resiliência e o trabalho conjunto. “Vínhamos de quatro épocas difíceis, sem muitos títulos, e a exigência deste clube é sempre ganhar e trazer troféus para este museu. Mas a realidade é que tivemos de começar de muito longe, após uma época muito complicada, com uma grande distância para os dois rivais. Na primeira vez que me encontrei com o presidente, o que realmente me convenceu foi o seu desejo de tentarmos dar passos na direção certa juntos, para tentar fechar o fosso; primeiro reduzi-lo e, claro, sermos capazes de, em determinado momento, assumir a liderança e avançar”, explicou Farioli. Ele reiterou a importância da abordagem do clube: “Vimos de quatro épocas difíceis, sem títulos e a exigência deste clube é vencer e conquistar troféus. A realidade é que tivemos de começar muito atrás, após uma época complicada a uma grande distância dos rivais. A primeira vez que estive com o presidente, o que me convenceu foi o desejo de tentar dar passos na direção certa para reduzir a desvantagem. Tem sido o nosso mantra desde o início. A forma como o clube abordou o mercado, me apoiou para ter algumas intervenções no Olival, trazer uma equipa técnica forte.” Farioli também sublinhou a filosofia da equipa: “Penso que este tem sido o nosso mantra desde o início da época: a forma como o clube abordou o mercado, a forma como o clube me deu apoio para fazer algumas intervenções no Olival no sentido de remodelar as coisas, de trazer para aqui uma equipa técnica forte que construímos juntos, com pessoas que estiveram comigo em experiências anteriores e pessoas que o clube quis adicionar. E, claro, uma delas foi o Lucho, e vocês sabem o impacto que ele teve na nossa época. No final da pré-época, quis adicionar também o André Castro, que é outro antigo jogador do clube. E, mais uma vez, misturando as pessoas, as emoções e a energia, a certa altura arrancámos e arrancámos a gás total, muito focados no presente e no nosso próximo passo. Esse tem sido o nosso mantra desde o primeiro dia.”
A época foi marcada por momentos de alegria e tristeza, com Farioli a lembrar Jorge Costa, que faleceu durante a temporada. “Claro que tem sido uma jornada feita de muitas emoções, a maioria delas positivas, mas também com dias muito tristes, momentos muito emotivos e dificuldades por superar. E, claro, a primeira foi a perda do Jorge (Costa), que infelizmente não pôde estar aqui fisicamente para celebrar este troféu, mas de certeza que está connosco a partir de um lugar diferente. Ele esteve connosco toda a época a dar-nos a energia certa para ser a nossa estrela a seguir. Todas estas coisas juntas colocaram-nos onde estamos hoje, mas, como digo, esta é a base de um trabalho que precisa de ser explorado, redefinido e reajustado para os novos desafios, que serão ainda maiores e mais difíceis na próxima época”, partilhou o treinador. Emocionado, acrescentou: “Foi uma jornada de muitas emoções, na maioria com coisas positivas, mas também com dias muitos tristes e emotivos, dificuldades para superar. Claro, a primeira foi a perda de Jorge Costa. Infelizmente não pôde estar aqui para celebrar este troféu fisicamente, mas está connosco num sítio diferente. Esteve connosco durante toda a época para nos dar a energia certa, para ser a nossa estrela guia.” Farioli acredita que Costa teve um papel inspirador: “Ao longo da época, tive a sensação em muitos momentos que encontrou uma forma de nos ajudar. Não tive muito tempo com ele, mas os poucos momentos que tivemos foram provavelmente suficientes para introduzir o ADN do FC Porto e criar condições para fazer o meu trabalho da melhor maneira. Um dos últimos comentários do Jorge foi depois do jogo com o Atlético Madrid… Num momento de intimidade partilhou esta frase: ‘Somos de novo uma equipa’.” Com o 31.º título nacional conquistado, Farioli e o presidente André Villas-Boas já delinearam os objetivos futuros, incluindo a defesa do troféu e o regresso à Liga dos Campeões, o que promete elevar o nível de exigência para a próxima época.