A temporada de 2025/26 terminou em euforia para o FC Porto, que assegurou o seu 31.º título de campeão nacional. No entanto, Francesco Farioli já está focado nos desafios que se avizinham para 2026/27. O técnico italiano terá pela frente seis obstáculos, dentro e fora de campo, com a fasquia de exigência a elevar-se consideravelmente na nova época. A consolidação do modelo tático implementado e a manutenção do núcleo do plantel, com os necessários reforços, são prioridades. Se a chegada de Farioli ao FC Porto foi uma surpresa no início de 2025/26, o estilo de jogo que introduziu no Dragão já não choca os mais incautos. A equipa demonstrou excelente preparação física, pressão alta na perda de bola e uma defesa coesa. No entanto, os adversários foram aprendendo a contrariar os pontos fortes do FC Porto. Farioli terá de ajustar algumas nuances táticas, mantendo a sua filosofia de jogo. Os sinais de 2025/26 são claros: o FC Porto precisa de ser mais ofensivo e de ter soluções alternativas quando o plano inicial falha, sem perder a sua solidez defensiva. A defesa do título e a corrida pelo bicampeonato são inegociáveis para André Villas-Boas. Revalidar um título é sempre mais complexo do que conquistá-lo pela primeira vez.
A gestão do plantel será crucial, especialmente com o regresso à Liga dos Campeões. O FC Porto falhou as meias-finais da Liga Europa contra o Nottingham Forest e agora terá de ajustar as expectativas no palco europeu. O objetivo principal passará por garantir um lugar entre os 24 primeiros na fase de grupos da Liga dos Campeões, visando os oitavos de final diretamente ou via playoff. Esta missão exige uma gestão física ainda mais rigorosa. Se na Liga Europa Farioli podia rodar até oito jogadores, na Liga dos Campeões terá de ser mais preciso nas suas escolhas, pois cada ponto perdido pode ter um custo elevado. Farioli certamente pedirá reforços a Villas-Boas para responder à exigência da Champions, procurando um plantel mais completo e eficaz, com maior profundidade, algo que tem sido bem trabalhado pela estrutura de AVB. A boa performance do FC Porto atraiu a atenção mundial, e o desafio será manter as figuras principais da equipa. Victor Froholdt e Diogo Costa são os nomes mais visíveis, enquanto Gabri Veiga também pode ser alvo do mercado. Diogo Costa, capitão, oferece segurança à defesa e está numa fase crucial da carreira. Victor Froholdt, considerado por muitos o melhor jogador do campeonato, está no radar dos grandes clubes europeus, e a sua saída seria difícil de substituir. A participação direta na Liga dos Campeões oferece um conforto financeiro, mas uma grande venda pode ser necessária, dadas as cláusulas de rescisão. Farioli tem um objetivo claro: manter os jogadores “pesados” no plantel. O ataque precisa de ser reforçado com a contratação de um ponta de lança capaz de marcar golos e ser decisivo nos momentos críticos. No último ano, as ausências de Samu e Luuk de Jong levaram Farioli a procurar alternativas, mas Deniz Gul e Terem Moffi não convenceram. Independentemente da recuperação de Samu, o FC Porto precisa de um “matador”.
A gestão de Rodrigo Mora gerou alguma controvérsia entre os adeptos. Ao contrário do que aconteceu com Martín Anselmi, o jovem talento do Olival perdeu a titularidade com Farioli, que prefere Gabri Veiga como médio criativo. Ter um jogador do calibre de Mora no banco jogo após jogo pode ser prejudicial para o FC Porto. A sua criatividade demonstrou ser necessária em várias ocasiões. A questão é como integrar Mora da melhor forma num FC Porto que precisa de evoluir no ataque, satisfazendo também os adeptos que querem ver o “miúdo da casa” a brilhar. A comunicação de Farioli também será fundamental para o sucesso do FC Porto em 2026/27. Embora ainda não domine totalmente o português, o treinador italiano já compreende as questões dos jornalistas. A sua comunicação, que já incluiu algumas “farpas” com factos históricos, será um desafio. O jovem técnico, após conquistar o seu primeiro título, terá de gerir as expectativas dos adeptos e manter os jogadores focados. O FC Porto, como campeão, enfrentará uma nova pressão, e qualquer deslize poderá colocar Farioli em situações mais complicadas. Em 2026/27, Farioli não será avaliado apenas pelos resultados, mas também pela sua reação às adversidades. O título deu-lhe crédito, mas a vitória na próxima temporada deixará de ser uma surpresa para se tornar uma obrigação. José Mourinho afirmou sobre o Benfica: “O Benfica é muito maior do que eu. Não há comparação possível. O Benfica é maior do que todos: maior do que qualquer treinador, maior do que qualquer jogador, maior do que qualquer presidente. O Benfica é maior do que qualquer um (...) e nunca se deve preocupar se alguém fica ou se alguém parte.” Num contraste notável, a direção benfiquista não respondeu à oferta de Mourinho para prolongar o seu vínculo. Esta situação deixou os benfiquistas com a dúvida sobre o que Mourinho poderia ter feito no clube, caso tivesse tido a oportunidade de escolher o plantel e preparar a equipa de raiz. A vida continuará no Estádio da Luz, com Rui Costa a enfrentar a fase mais difícil da sua presidência, necessitando de resultados desportivos. Marco Silva é apontado como uma possibilidade para o comando técnico do Benfica. Em relação à época que terminou, Jordan Henderson, ex-Ajax e Liverpool, elogiou Farioli: “Falou-me da excelente impressão pessoal que tinha do técnico transalpino, e da eficácia do seu futebol, atributo que privilegiava relativamente ao espetáculo.” Esta visão foi confirmada pelo FC Porto de 2025/26: prático, resultadista e com uma filosofia pragmática. A competência na preparação da época valeu o título nacional. O Sporting também teve uma temporada positiva, garantindo o apuramento para a Liga dos Campeões e sendo favorito a vencer a Taça de Portugal.