O caso que levou Vítor Catão e Armando Santos a tribunal, acusados de auxílio à imigração ilegal e angariação de mão de obra ilegal no São Pedro da Cova, teve um desfecho com a absolvição para um e condenação para outro, marcado por reviravoltas no testemunho dos jogadores.
A juíza responsável pelo caso salientou as complexidades de provar a acusação, afirmando que “uma coisa é a convicção que o tribunal tem, outra coisa é aquilo que se prova. Tivemos um inquérito em que deveriam ter sido feitas outras diligências. Tivemos aqui prova testemunhal, mas ninguém veio aqui dizer a verdade. Foi a convicção com que o tribunal ficou”. Esta declaração sublinha a dificuldade de encontrar a verdade jurídica face às evidências apresentadas em tribunal. À saída do Tribunal, Vítor Catão declarou aliviado: “Estou aliviado, sou um cidadão fantástico e o futebol deve muito ao Vítor Catão”.
A reviravolta no caso deu-se a 23 de março, quando os futebolistas supostamente explorados mudaram as suas versões dos acontecimentos. Em vez de implicarem Vítor Catão e Armando Santos, apontaram responsabilidades para o presidente do clube, Orlando Rocha, que faleceu antes do início do processo. A juíza expressou que “sentia as testemunhas nervosas e condicionadas”, mas os futebolistas mantiveram as suas novas declarações. Agora, enfrentam processos-crimes por terem alterado os seus testemunhos. Apesar das acusações sobre as condições dos jogadores, incluindo dormir em beliches sob as bancadas com salários irregulares, o tribunal considerou as provas insuficientes para condenar Catão. Já Armando Santos foi condenado a um ano e meio de prisão suspensa, tendo o tribunal provado o seu envolvimento ativo na contratação ilegal de um jogador e que agiu com dolo.