Milhares de adeptos, dentro e fora do Estádio do Dragão, protagonizaram uma celebração inesquecível do título nacional. A euforia portista incendiou as ruas e o estádio, marcando a reconquista do campeonato quatro anos depois. A festa começou horas antes do apito inicial, com uma onda azul a preencher os acessos e a prometer uma noite de celebração.
António Fernandes, sócio dos “dragões” há 25 anos, demonstrou cautela antes do jogo decisivo. “Estou confiante, mas não faço já a festa”, expressou, com as recordações de golos sofridos nos descontos, como nos jogos frente ao Famalicão e Sporting, ainda presentes na memória. No entanto, José Neves estava mais otimista: “Hoje fica arrumado, não vai ser o Alverca que nos estragará a festa. Até porque seremos campeões com justiça! O Porto perdeu-se ali um pouco a meio da temporada com jogos dia sim dia não, aconteceu também ao Sporting agora na reta final. Mas a almofada pontual que conseguiu na primeira volta foi absolutamente decisiva.”
A azáfama junto ao Dragão não se limitava aos adeptos. Comerciantes, como um que aumentou de cinco para oito barris de cerveja, antecipavam lucros avultados. “Se o São Pedro ajudar, este será o melhor jogo da temporada, sem dúvida nenhuma”, afirmou, confiante na bênção divina. “Só vamos para casa às tantas da madrugada… ou até acabar o stock”, concluiu com um piscar de olho. Na zona dos cachecóis, a expectativa era igualmente alta. Apesar de não estarem ainda à venda, os cachecóis “FC PORTO CAMPEÃO 2025-2026” seriam disponibilizados após a confirmação do título. No meio da multidão, Andy e Angela, um casal de reformados ingleses em “turismo desportivo”, revelaram ter tido sorte na compra dos bilhetes para o jogo do FC Porto e do Sp. Braga. “Cada bilhete foi 80 euros. Está a dizer que estavam a 300 ou 400 euros? Tivemos bastante sorte, então”, exclamaram com gargalhadas. Já Fátima e Luísa Neves, duas irmãs de Santa Maria da Feira, não conseguiram bilhetes, mas não desanimaram: “Viemos para a festa. Já avisámos os respetivos maridos que não sabemos a que horas vamos chegar.”
A celebração também foi um momento para honrar figuras históricas do clube. Centenas de adeptos vestiram camisolas em homenagem a Jorge Costa e Pinto da Costa, dedicando-lhes o título. Diogo Jota, ex-jogador do FC Porto e atualmente no Liverpool, também foi lembrado. Manuel Silva apontou: “Para mim, temos de dedicar o título a essas três figuras”, considerando o título importante para André Villas-Boas. José Neves acrescentou que o campeonato é essencial para o dirigente portista ganhar “mais moral e peso” frente ao homólogo sportinguista, Frederico Varandas. Com a vitória sobre o Alverca, a equipa e os adeptos libertaram a ansiedade acumulada, e o Estádio do Dragão explodiu em alegria. Rafael Pinto de Oliveira, de Azeméis, presença habitual no Dragão, analisou: “Na segunda parte, ainda fomos um bocadinho apertados, mas o resultado acaba por ser justo, tal como a reconquista do campeonato”. A mãe, Sónia Soares, subscreveu a ideia, defendendo que “o FC Porto foi mais equipa do que os adversários”. Reforçou ainda: “Mostrou mais resiliência e uma grande entreajuda, numa parceria feliz e muito bem conseguida entre o presidente [André] Villas-Boas e o [Francesco] Farioli”. Para Rafael, o momento-chave da época foi “Para mim, claramente, foi o triunfo em Alvalade, logo no arranque do campeonato. Porquê? Permitiu-nos embalar para a época que nos devolveu o título”. Apesar do “amargo de boca” na Liga Europa, onde “Na Europa, podíamos e devíamos ter ido mais além”, a reconquista do campeonato cumpriu o objetivo principal da época.
Apesar de a festa inicial ter sido no Dragão, a Avenida dos Aliados aguarda o encontro do FC Porto com a sua cidade no dia 16 de maio, onde a equipa será recebida na Câmara Municipal.