A emocionante conquista do 31.º título nacional pelo FC Porto no Estádio do Dragão gerou um turbilhão de emoções, com jogadores e a equipa técnica a expressarem alívio e alegria após uma temporada exigente. A vitória, ainda que por uma margem mínima frente ao Alverca, selou um percurso de superação e dedicação, culminando numa festa há muito esperada pelos adeptos portistas.
Francesco Farioli, visivelmente emocionado, partilhou os seus sentimentos após a consagração: “São muitas emoções, ainda tenho de perceber, porque estava muito focado no jogo. Viram como foi difícil, como foram os últimos minutos, e acho que o Jorge [Costa] nos ajudou com algumas defesas. É um título muito merecido para todos neste clube, todo o staff, os jogadores, o presidente, o Jorge, todas estas pessoas que trabalham neste clube e que já mereciam este título depois de vários anos sem o conseguir. Ainda não tinha pensado sobre a festa, o meu objetivo era trazer toda a energia para a equipa, mostrar-lhes para onde tinham de ir. Agora vou ter tempo para digerir todas estas emoções”. O treinador italiano relembrou ainda o percurso da equipa: “Durante a época tivemos muitos momentos, sabíamos que hoje podíamos cruzar esta linha e estou muito feliz por fazê-lo aqui, celebrar em frente aos nossos adeptos. Não podia ser melhor. O meu maior mérito? Foi aceitar o propósito do presidente no início da época, foi a única coisa que fiz mesmo bem. [Jorge Costa] Foi a nossa força esta época, uma das últimas coisas que o Jorge disse foi que tínhamos uma equipa novamente. E esta equipa lutou para manter vivas estas últimas palavras dele. Demos tudo por isso e ele ajudou-nos em muitos momentos. O ADN do Jorge esteve em alguns momentos esta época. Infelizmente, não está connosco fisicamente, mas está na nossa mente e na nossa alma”.
A gestão de Francesco Farioli ao longo da temporada foi um dos pontos altos destacados pelos jogadores. Gabri Veiga, peça fundamental na equipa, reconheceu a importância das decisões do treinador: “Foi importante. Para nós, jogadores, por vezes é difícil de entender, mas no final é importante para chegarmos frescos ao fim da temporada, que acho que é algo que as outras equipas não podem dizer. Fizemos uma boa Liga Europa, só tivemos azar com aquele cartão vermelho [de Bednarek com o Nottingham Forest]. Na Taça de Portugal também fomos superiores e na Liga fomos justos vencedores. A gestão de Farioli foi incrível e tirou o melhor de todos os jogadores, por isso é que estamos hoje aqui”. Veiga expressou ainda a sua satisfação pessoal: “Sou um felizardo por ter encontrado algo acima das minhas expectativas. Aquilo que vivemos aqui nos jogos em casa é incrível. Só tenho de agradecer ao mister por tudo o que tenho melhorado e ao presidente por toda a confiança que sempre me deu”. Por sua vez, Martim Fernandes, em declarações ao Porto Canal, partilhou a sua alegria por esta conquista: “É o meu primeiro título, caralho”. O jovem lateral não escondeu a satisfação e deixou um recado: “Espero que seja o primeiro de muitos. Espero alegrar este povo e a mim, que sou portista de nascença. Claro que merecíamos ter ganho. Foi um ano muito complicado por tudo o que se passou. Falavam lá fora que íamos deslizar… Foi uma maneira de mostrar o nosso futebol e que conseguimos passar por tudo”.
Do lado do Alverca, apesar da derrota, houve reconhecimento pela qualidade do adversário. Custódio Castro, treinador da equipa ribatejana, afirmou: “Ainda não fizemos o nosso campeonato, faltam duas jornadas. Viemos aqui tentar lutar pelo jogo, ser competitivos. Tínhamos de ser fortes e fizemos de tudo para que o resultado fosse diferente. Parabéns ao FC Porto, é o justo vencedor. Uma grande equipa e um grande treinador, são os justíssimos vencedores”. O técnico acrescentou que “Trabalhamos todos os dias como se fosse o último, é isso que fazemos sempre. Agora temos o objetivo de descansar um bocadinho e depois vencer o jogo do Estoril, é essa a ambição que temos”. O extremo Figueiredo, também do Alverca, elogiou o ambiente no Dragão: “Parabéns ao FC Porto pelo Campeonato, viemos aqui para disputar o jogo, demos o nosso melhor, conseguimos fazer uma boa partida. Mas jogámos contra uma equipa muito boa. A nossa mente está no Estoril. Queremos dar o nosso melhor até ao fim”. Sobre a experiência no Dragão, Figueiredo referiu: “Experiência boa, joguei no Vasco da Gama, no Brasil, e lá tem também bastantes confrontos com esta atmosfera. Para a sequência de aprendizagem deixa-nos mais preparados. Foi preciso muito profissionalismo. Dar o nosso melhor e desfrutar, acredito que a equipa deu o melhor que tinha”.
A memória de Jorge Costa esteve bem presente nas celebrações. Martim Fernandes fez questão de o homenagear: “É uma figura que nos diz muito. Desde que chegou passou a mística e o que é ser FC Porto”. William Gomes corroborou: “O Jorge sempre acreditou em nós, deu-nos sempre muita fé. Mesmo na época passada, que foi muito difícil, ele nunca deixou de acreditar em nós. Incentivou-nos, ajudou-nos, procurou ajudar-nos”. A forte ligação de Jorge Costa ao clube e o seu legado foram, assim, sublinhados por todos os intervenientes, servindo de inspiração para esta conquista tão desejada.