MP pede condenação de arguidos por exploração de atletas no São Pedro da Cova

  1. 11 jovens brasileiros foram vitimados
  2. Arguidos acusados de 22 crimes
  3. Vítor Catão é um dos réus
  4. Sentença final prevista para 11 de maio

O Ministério Público (MP) formalizou o pedido de condenação de dois arguidos envolvidos num caso grave de exploração e auxílio à imigração ilegal no clube São Pedro da Cova, que competia nas divisões inferiores da Associação de Futebol do Porto. Entre os réus encontra-se Vítor Catão, figura com ligações ao FC Porto e já condenada na Operação Pretoriano. A acusação descreve um cenário degradante, onde jovens atletas brasileiros dormiam em beliches instalados por baixo de uma das bancadas do estádio, recebendo salários irregulares enquanto alimentavam a esperança de alcançar clubes de maior dimensão. Sobre a gravidade dos factos, a procuradora foi taxativa ao afirmar: “Os arguidos devem ser condados pelo crime de auxílio à imigração ilegal com dolo. Eram pessoas em situação vulnerável, sem recursos para fazer face às despesas do dia-a-dia”.

A rede de auxílio terá vitimizado 11 jovens brasileiros, sendo os arguidos acusados de um total de 22 crimes. A procuradora sublinhou a natureza coerciva da relação entre os gestores e os atletas, destacando que “Estas vítimas sentem-se obrigadas a submeter-se às condições que lhes impõem. Comportamentos como estes não podem ser tolerados. O arguido Vítor tem antecedentes criminais desde 1999, por crimes como fraude fiscal”. Apesar da gravidade das alegações, a defesa de Vítor Catão, representada pela advogada Susana Mourão, insiste na total absolvição do seu cliente, argumentando que “Não houve prova nenhuma que sustente o papel do arguido”. A causídica reforçou a sua posição alegando que “Não se condena alguém com suposições”, apontando ainda falhas na investigação da Polícia Judiciária, nomeadamente a ausência de interrogatórios sobre o falecido ex-presidente do clube, Orlando Rocha.

A defesa continua a contestar a validade da acusação, defendendo a inexistência de intenção criminosa. Segundo a advogada, “Não existe qualquer indício de que estas duas pessoas tenham actuado com qualquer tipo de dolo, para terem para si qualquer tipo de vantagem. No nosso entendimento, há incongruências da própria acusação”. Contudo, o Ministério Público manteve a sua posição, mesmo perante as alterações nos depoimentos de alguns jogadores durante o julgamento, que levaram a processos-crime por falsidade. A procuradora explicou que a mudança de versão dos atletas se deve ao medo: “Não restam dúvidas, pese embora o depoimento dos jogadores, que se entende que foi em sentido diverso do que prestaram em sede de inquérito, a postura dos jovens que foram aliciados para o país para perseguir uma carreira internacional. Vinham convencidos de que quem os ajudou iria cumprir tudo o que era necessário. Passado este tempo, foram ouvidos e têm algum receio de prestar declarações num determinado sentido, medo de sofrerem repressão nos meandros do futebol”. A sentença final do caso será lida no próximo dia 11 de maio.

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