Depoimento de Otávio em tribunal
O jogador Otávio foi ouvido esta segunda-feira, 27 de abril, em tribunal, onde negou qualquer negociação com a empresa de agenciamento Livesoccer durante a sua saída do FC Porto para o Al-Nassr. Segundo Otávio, “todas as decisões sobre renovações e transferências foram tratadas diretamente com Jorge Nuno Pinto da Costa, ex-presidente do FC Porto”. Este depoimento é parte de um processo em que o FC Porto enfrenta uma exigência de indemnização de três milhões de euros por parte da referida empresa de agenciamento.
Otávio descreveu a sua transferência como “a mudança da minha vida e era uma coisa boa para um clube”. Ele revelou ainda que após renovar o seu contrato, a intenção era sair um ou dois anos depois, mas o cenário tornou-se complicado quando Pinto da Costa rejeitou uma proposta de 40 milhões do Al-Nassr. O jogador recordou: “Tive uma conversa com o presidente. Ele pediu os 40 milhões a pronto, eu disse-lhe que era impossível”. A proposta inicial foi finalmente aumentada para 60 milhões, um valor que o clube português não podia recusar, especialmente dada a sua situação financeira.
Negociações e concessões
Relembrando os acontecimentos, Otávio afirmou: “Eu fui treinar e já tinha esquecido tudo porque a proposta era de 40 milhões de euros... O presidente [Pinto da Costa] disse que estava fechado e que não iria jogar”. Ele também fez uma importante concessão pessoal na negociação, afirmando: “Eu abri mão de três milhões de euros sem problema”. Este valor representava uma redução significativa para facilitar a sua saída do clube.
Otávio mencionou que o FC Porto ainda deve um milhão de euros, que deve ser saldado nos próximos dias. “Não vou dizer que houve atrasos; o FC Porto de vez em quando pedia para alargar os prazos. Não tive qualquer confusão nem quero ter”, relatou, enfatizando que mantém uma boa relação com a direção de Villas-Boas.
Indemnização e esclarecimentos
A empresa Livesoccer entrou com um pedido de indemnização de três milhões de euros, argumentando que, apesar do FC Porto já ter feito pagamentos significativos relacionados à renovação de Otávio, havia um contrato que garantiu sua compensação durante a transferência. Otávio revelou que: “No contrato do brasileiro, que figura no processo consultado, consta que a empresa tinha direito a quatro milhões de euros”. No entanto, o clube discorda e sustenta que o valor já foi totalmente liquidado.
O caso está a gerar grande atenção, e o julgamento irá continuar com a audição de Fernando Gomes, antigo diretor financeiro do clube, e Hugo Nunes, assessor jurídico do Conselho de Administração, para esclarecer os detalhes em torno dessa milionária transferência.