Francesco Farioli, técnico do FC Porto, abordou diversos temas relevantes na antevisão do encontro frente ao Estrela da Amadora, referente à 31.ª jornada do campeonato. O treinador italiano não se esquivou a questões delicadas, desde a situação de transferências, como a de Moffi, até às polémicas de arbitragem e à condição física de jogadores.
Relativamente ao avançado Moffi, Farioli fez questão de frisar a posição do clube após declarações da direção do Nice. “Acho que o aconteceu entre Moffi e o Nice é público, as duas partes têm muito clara a vontade de separar caminhos. Nós temos uma opção de compra [no valor de oito milhões de euros] e, após estas declarações do vice-presidente, estamos mais do que felizes em ouvir as novas condições para comprar o jogador”, afirmou Farioli. Esta declaração demonstra a postura firme do FC Porto em relação à negociação, procurando tirar partido da situação para conseguir um negócio mais vantajoso. A situação de Thiago Silva também foi abordada por Farioli, com o treinador a defender a prioridade coletiva do clube. “Honestamente, acho que é vontade do clube, de todos os jogadores e é uma vontade minha em particular ver Thiago Silva no Mundial 2026. Era um dos objetivos e uma das ambições do jogador quando falou comigo e nós mostrámos abertura para o colocar a jogar, dentro de algumas condições, no futebol europeu e num nível alto de exigência e de intensidade. Estamos no ritmo certo, é um jogador que vai a caminho de ter mil minutos de jogo, o que é um número grande para o meio da temporada. Mas não podemos esquecer que a prioridade é o FC Porto. O FC Porto está à frente de toda a gente: de mim, do Thiago Silva, do Diogo Costa e de todos. Nos últimos jogos, tomei uma decisão tática que não tem nada a ver com a forma física do Thiago Silva. Ele está a trabalhar muito forte, está numa corrida muito competitiva e que já mostrou que pode dar uma contribuição muito grande dentro e fora de campo”, referiu o técnico. Farioli também reiterou a prioridade do clube sobre os objetivos individuais dos atletas, referindo que “Ninguém pode estar acima do clube, por isso, não há nada a explicar. Tomei uma decisão tática, nos dois últimos jogos, e não porque o Thiago não estivesse em forma. Achei que precisávamos de outras caraterísticas. O Thiago está a trabalhar arduamente, com um forte compromisso com a equipa e o clube. Está a colocar-se numa corrida muito competitiva para estar nos convocados de Carlo Ancelotti, e é um jogador que, dentro e fora de campo, dá um enorme contributo. Já provou isso mesmo, e espero que o Mundial seja outro momento para celebrar a carreira de um jogador lendário.”
A arbitragem e as lesões recentes foram, igualmente, pontos de grande destaque. Farioli não poupou críticas à atuação arbitral no jogo da Taça de Portugal contra o Sporting, especialmente em lances cruciais. “Na Taça, houve um jogo antes e depois do minuto cinco. As imagens são claras. Havia pessoas muito próximas e imagens televisivas do lance para o ajuizar, nos dois minutos de paragem depois da lesão do William e do Gonçalo (Inácio). Colocando de parte os três possíveis penáltis, esse lance poderia ter mudado drasticamente a dinâmica do jogo”, criticou o técnico. O treinador foi ainda mais direto ao comparar a situação de Hjulmand com a de Gonçalo Inácio. “A minha análise desse jogo termina ao minuto cinco. Mas se formos analisar jogada a jogada, a nossa lista é um pouco maior. Nunca estamos felizes por ver jogadores lesionarem-se, mas isso faz parte do futebol. Quando a bola está entre os jogadores, é futebol, mas já vimos, esta época, momentos em que a bola já está um pouco longe... Vi o pé do Morten Hjulmand, mas também estou curioso para ver o do Gonçalo (Inácio)”, acrescentou. Farioli sublinhou ainda a importância do apoio dos adeptos em momentos menos positivos. “A voz do Dragão foi bem audível, e não foi a primeira vez que isso aconteceu. É importante sentir esse apoio também em momentos como as das eliminações [Liga Europa e Taça de Portugal] que tivemos. Agora estamos totalmente focados no nosso trabalho e em dar ao clube e aos adeptos o que eles merecem. É a única coisa que me importa”, concluiu Farioli.