Os confrontos entre FC Porto e Sporting, nesta temporada, transcenderam o relvado e ganharam um palco de troca de palavras acesas entre os seus presidentes, André Villas-Boas e Frederico Varandas. O que começou com um almoço cordial em Agosto de 2024, onde “Não há registo na altura de terem chamado nomes um ao outro. Nem de terem feito queixinhas um do outro. Apenas dois presidentes de dois clubes rivais a deixarem que a rivalidade se decida em campo”, transformou-se numa batalha mediática. A polarização atingiu tal ponto que, no clássico desta quarta-feira no Dragão, “Villas-Boas e Varandas vão assistir separados ao clássico no Dragão desta quarta-feira que decide qual dos dois irá marcar presença na tribuna presidencial do Jamor.” A tensão entre os líderes dos dois maiores clubes portugueses é palpável e reflete-se nas palavras, que servem de combustível para uma rivalidade já centenária.
Frederico Varandas, presidente do Sporting desde 2018, já tinha um histórico de intervenções polémicas, como a sua resposta a Jorge Nuno Pinto da Costa em Outubro de 2020: “Um bandido será sempre um bandido.” Com a chegada de André Villas-Boas à presidência do FC Porto em 2024, a retórica elevou-se a um novo nível. Após a “dobradinha” do Sporting em Maio de 2025, Varandas não hesitou em atacar o sistema do futebol português, afirmando que “Nos últimos 40 anos, o futebol português teve dois donos: FC Porto e Benfica. Pela primeira vez, há independência. E isso incomoda. Porque os erros agora são mais distribuídos e isso quebra o conforto que existia no sistema antigo. O Sporting luta para que não haja donos no futebol português.” A resposta de Villas-Boas foi imediata e incisiva: “Cada vez que vem a público, o presidente do Sporting opta por condenar as diferentes instituições com uma sobranceria e hipocrisia que nunca vi.”
As polémicas sucederam-se em cada “clássico”. No primeiro confronto desta época, após incidentes na celebração de um golo do FC Porto que causaram 17 feridos entre os adeptos do Sporting, Varandas não poupou nas palavras e referiu-se aos adeptos portistas como “selvagens”. Villas-Boas, por seu turno, acusou Varandas e Rui Costa, presidente do Benfica, de condicionarem a arbitragem, declarando que “A coação feita pelos presidentes dos rivais tem impacto direto nas nomeações.” Varandas replicou, dizendo que “Disseram que vinha aí uma lufada de ar fresco mas é bafio e hipocrisia do pior que o futebol português já conheceu.” No segundo clássico, a discussão centrou-se em alegadas faltas de cones e toalhas: “Roubaram duas vezes as toalhas ao Rui Silva durante o jogo. A partir do golo do FC Porto, os apanha-bolas retiram os cones e as bolas”, alegou Varandas, ao que Villas-Boas respondeu ironicamente que “Das capas dos jornais, às capas, toalhas e cones, a única coisa que posso enviar ao presidente do Sporting é umas novas capas de jornais, um conjunto de bolas, cones e toalhas.” A polémica estendeu-se até ao andebol, com o Sporting a queixar-se de cheiros estranhos no balneário do Dragão Caixa. Varandas classificou a atitude do clube rival como “miserável”: “O Sporting não tem problema com nenhum clube. O que está a acontecer é que há um clube que tem uma forma de estar, uma atitude desportiva, nos últimos cinco meses, que é miserável”, enquanto Villas-Boas acusou o Sporting de vitimização: “É lamentável a vitimização do Sporting e pedir à ministra uma reunião para um caso como este.”