Na antevisão à segunda mão da meia-final da Taça de Portugal frente ao Sporting, Francesco Farioli, treinador do FC Porto, abordou a forma como a equipa irá enfrentar o desafio. “A parte logística é uma das poucas coisas da qual não estou encarregue. Do meu lado, o que tentaremos fazer é recebê-los bem no campo com a organização certa e o espírito de que precisamos, com a agressividade que temos de colocar em campo, com bola e sem bola, com a crença e desejos necessários de conseguirmos o que merecemos”, afirmou o técnico.
A nomeação do árbitro Miguel Nogueira também foi um dos temas da conferência de imprensa. “Ele esteve no Clássico [com o Benfica] e em muitos jogos como quarto árbitro. Espero uma grande exibição, porque ele é uma grande parte do jogo. Amanhã só vão lá estar as pessoas que merecem estar. A nomeação dele prova que ele tem qualidade para lá estar e fazer um grande trabalho”, referiu Farioli, demonstrando confiança na arbitragem.
O apoio dos adeptos foi outro ponto destacado pelo treinador, que fez um balanço da prestação da equipa ao longo da temporada. “Há uma química forte entre a equipa e os adeptos. Sabemos como são os nossos adeptos, sempre muito calorosos, consegues senti-los onde quer que estejas, seja no Dragão, nas competições europeias ou nas competições domésticas. Por isso, estamos muito agradecidos. Este aumento dos números, em termos do recorde que foi batido, talvez seja porque começamos com uma equipa muito jovem, que talvez fosse “underdog” na Liga, com o espírito de tentar reconstruir algo e este processo tem sido muito rápido. Houve jogos em que não fomos perfeitos, mas poucas vezes os adeptos deixaram o estádio com o sentimento de que não demos tudo. Sabemos todos os problemas que tivemos esta época, mas a equipa até agora fez um esforço incrível para ultrapassar as dificuldades e as ausências, para jogar com o espírito de um dragão. É o que temos feito e o que queremos fazer também amanhã”, concluiu Farioli, apelando ao “amor nos pequenos detalhes” para reverter a desvantagem.
O FC Porto procura repetir um feito que só conseguiu uma vez desde que as meias-finais da Taça de Portugal se disputam a duas mãos: virar uma eliminatória depois de perder a primeira partida. A única vez que tal aconteceu foi na temporada 2010/2011, sob o comando técnico de André Villas-Boas, quando os dragões eliminaram o Benfica. As Águias venceram no Dragão por 2-0 na primeira mão, mas o FC Porto venceu na Luz por 3-1, garantindo a passagem à final pelo maior número de golos marcados fora de casa.
Desde que este formato de duas mãos foi implementado em 2008/2009, apenas em mais três ocasiões a equipa que perdeu o primeiro jogo conseguiu virar a eliminatória, todas elas envolvendo FC Porto, Benfica e Sporting. Em 2014, o Benfica eliminou o FC Porto, revertendo uma desvantagem de 1-0 com um triunfo por 3-1 na Luz. O Sporting, por sua vez, protagonizou duas reviravoltas: em 2018, eliminou o FC Porto nos penáltis após um 1-0 em Alvalade que igualou a derrota da primeira mão no Dragão; e em 2019, afastou o Benfica pelo critério dos golos fora, após perder por 2-1 na Luz e vencer por 1-0 em Alvalade.
Apesar destas reviravoltas históricas, apenas em 2018, quando o Sporting perdeu a final frente ao Desportivo das Aves (2-1), a equipa que operou a remontada não venceu a prova. Nas restantes ocasiões, o FC Porto venceu o Vitória por 6-2 em 2011, o Benfica ganhou ao Rio Ave por 1-0 em 2014 e o Sporting derrotou o FC Porto, nos penáltis, em 2019. Rui Borges, treinador do Sporting, admitiu que o jogo é decisivo por dar acesso a “duas finais”, embora tenha recusado que vá salvar a época dos bicampeões nacionais.