Oskar Pietuszewski, jovem extremo do FC Porto, concretizou um sonho ao estrear-se pela seleção principal da Polónia. Com apenas 17 anos e 310 dias, saltou do banco na segunda parte do jogo contra a Albânia, ajudando a Polónia a virar o resultado para 2-1 e a carimbar a passagem à final do playoff de acesso ao Campeonato do Mundo de 2026. A sua entrada foi decisiva e o jogador não escondeu a felicidade no final do encontro, destacando a importância do momento e a orientação que recebeu do selecionador.
“Estou contente por a minha estreia ter acontecido neste jogo. Mais uma vez, estou a realizar um sonho. Foi um jogo difícil de assistir do banco. O 1-0 de certa forma cortou-nos as asas. O mais importante é que conseguimos recuperar da desvantagem na segunda parte, passar para a frente do marcador e, finalmente, vencer”, afirmou Pietuszewski à ‘TVP Sport’. O jovem talento revelou também o que lhe foi pedido antes de entrar em campo: “Jan Urban disse-me que, acima de tudo, devia jogar sem quaisquer inibições. Era importante marcarmos o golo do empate o mais rapidamente possível. Por vezes, esquecemo-nos da defesa e eu tentei ficar mais atrás, porque um dos contra-ataques que eles tiveram foi muito perigoso para nós”. Focado no próximo desafio, Pietuszewski mostrou-se confiante: “Estamos focados em nós próprios, isso é o mais importante. Temos uma grande equipa com muita qualidade. Vamos à Suécia exclusivamente pela vitória e por um lugar no Campeonato do Mundo.”
Apesar da euforia da vitória, nem tudo foi perfeito para a Polónia, que viu a Albânia adiantar-se no marcador devido a um erro individual de Jan Bednarek. O defesa-central do FC Porto lamentou o sucedido, mas destacou a resiliência da equipa em dar a volta ao resultado. “Foi um erro simples da minha parte e uma grande lição e experiência para o futuro: não mudar de ideias à última hora. Naquela situação, tinha tudo sob controlo e a única coisa que falhou foi a decisão mesmo no fim. Primeiro, queria passar logo a bola ao Kiwior, mas depois vi que tinha muito espaço à minha volta e decidi rececionar a bola. Como resultado, cometi um erro infantil, mas felizmente demonstrámos que somos uma equipa. Quando um jogador comete um erro, há outros que tratam do assunto. E temos mérito nisso. O Lewandowski marcou um golaço de bola parada e o Zielinski já tinha feito um grande remate que podia ter dado golo”, disse Bednarek, aliviado, à ‘TVP Sport’. O jogador portista confessou o peso que sentiu: “Tirei um peso enorme sobre os ombros. Passaram-me tantas coisas pela cabeça. Sabia o quão importante este jogo era para nós, para os nossos adeptos e para o nosso país. Foi difícil, mas já passei por muitos momentos complicados na vida e isso deu-me a experiência necessária para me focar no passo seguinte. Ganhámos o jogo e agora todos os meus pensamentos estão focados na Suécia.” O discurso ao intervalo também foi crucial, segundo Bednarek: “Trocámos palavras importantes e honestas no balneário. Não foram observações emocionais, mas sim algo que nos ajudou a organizar o nosso posicionamento tático. O jogo começou muito bem, mas depois começámos a vacilar um pouco. Houve erros, incluindo o meu. É natural que, numa situação dessas, surja uma sensação de incerteza, não só na equipa, mas em todo o estádio. Mas é assim que se reconhece uma equipa que consegue ultrapassar os problemas. O impacto emocional foi enorme. Felizmente, agora podemos focar-nos na Suécia e, em última análise, em encontrarmo-nos todos no Campeonato do Mundo em junho.”
Ainda sobre a mudança de tática, Bednarek explicou que a transição para uma linha de quatro defesas foi benéfica: “Dissemos ao intervalo que podíamos mudar a nossa formação passados alguns momentos. Penso que tivemos algumas dificuldades com este sistema porque temos, decididamente, de circular melhor a bola. Nesta formação, somos quatro na defesa em vez de cinco, por isso corre-se mais, mas também há mais jogadores na frente. Os nossos adversários tiveram de se preocupar em defender e essa foi uma das razões pelas quais vencemos.” O impacto de Pietuszewski na partida não passou despercebido, com elogios a surgir de diversas frentes. Robert Lewandowski, a estrela maior do futebol polaco, elogiou o jovem, mas fez um aviso importante. “Foi melhor para ele entrar em campo vindo do banco do que se tivesse começado a titular. É um miúdo extraordinário, mas vamos deixá-lo em paz por uns tempos. Deixem-no desenvolver-se e não coloquem pressão desnecessária sobre ele. Ainda tem toda a carreira pela frente. Muitas pessoas já o veem como um produto, mas, no fim das contas, ainda é um rapaz que só tem 17 anos. Tento protegê-lo, porque sei que futebol é um jogo de emoções”, afirmou Lewandowski. O selecionador, Jan Urban, também comentou a estreia, elogiando o desempenho: “Troquei os dois jovens ao intervalo. Tanto o Filip Rozga como o Oskar Pietuszewski tiveram os seus momentos bons, mas também momentos menos positivos.” E completou: “Jogadores com esta idade, num estádio repleto, têm confiança. Se cometem erros, não é por falta de habilidade. Como treinador, estou satisfeito. As exibições do Rozga e do Oskar foram positivas. Se as carreiras deles continuarem neste nível, a seleção vai beneficiar muito.”