André Villas-Boas, atual presidente do FC Porto, esteve esta segunda-feira no Palácio da Justiça do Porto para responder em tribunal sobre um processo em que a intermediária LiveSoccer reclama três milhões de euros pela transferência de Otávio para o Al-Nassr. O contrato, assinado durante a direção de Pinto da Costa, motivou a queixa, com a empresa a alegar direito a essa verba mesmo sem obrigatoriedade de intervenção no negócio.
Villas-Boas foi questionado pelo advogado da LiveSoccer e procurou clarificar a posição do clube. “Na ótica do FC Porto, os valores estão pagos”, resumiu o presidente, que considera não haver “mais a debater” nesta matéria. Reconheceu, no entanto, que a política de transferências do clube mudou significativamente desde que assumiu a presidência em maio de 2024. De acordo com o dirigente, o clube enfrentava “muitas ações” e “problemas de tesouraria” à altura, factos que foram explorados numa auditoria forense à gestão anterior.
Desde a tomada de posse de André Villas-Boas, as comissões pagas pelo FC Porto em transferências diminuíram consideravelmente, inclusive em negócios de grande envergadura. O presidente portista exemplificou a nova abordagem, mencionando que “Já negociámos a 5% e tivemos a transferência do Evanilson com uma comissão de zero. E foi acima dos 40 milhões, já vamos em 45 milhões [pelo jogador]”. Muitas das questões apresentadas no tribunal referiam-se a um período em que Villas-Boas não estava no clube, o que o impedia de confirmar ou desmentir certos fatos. Ainda assim, o presidente garantiu ter total confiança na sua equipa e nas conclusões da auditoria forense.
A LiveSoccer, no caso de Otávio, pede uma indemnização de três milhões de euros, mas o FC Porto discorda veementemente desta quantia. De acordo com os portistas, o clube já havia pago mais de 2,4 milhões de euros à empresa após a renovação de Otávio, antes mesmo da saída do jogador. O contrato original do atleta, consultado pelo PÚBLICO, indicava que a LiveSoccer teria direito a quatro milhões de euros, mesmo sem participação ativa na transferência, um ponto contestado pela defesa do FC Porto. A empresa argumenta que existia um acordo verbal para uma compensação de seis milhões de euros, que foi posteriormente aceite reduzir para três milhões. O jogador, por sua vez, aceitou reduzir em 50% os valores de salários e prémios devidos pelo clube.
O FC Porto, contudo, nega a existência de qualquer contrato verbal, afirmando que o valor total devido à LiveSoccer foi integralmente liquidado. Numa fase inicial do processo, a empresa tentou arrolar Jorge Nuno Pinto da Costa como testemunha, e devido ao seu estado de saúde, ponderou-se a recolha de testemunho para memória futura. No entanto, o falecimento do antigo presidente em fevereiro de 2025 inviabilizou essa possibilidade. O processo incluirá ainda a audição do jogador Otávio, depois de o juiz ter indeferido o pedido de audição de José Pereira da Costa, atual diretor financeiro do FC Porto. Otávio representou o FC Porto entre 2016-17 e 2022-23, período em que conquistou nove títulos nacionais, incluindo três campeonatos.