André Silva, avançado português que representa o Elche, abordou em entrevista exclusiva a A BOLA os rumores sobre uma cláusula de rescisão no seu contrato que beneficiaria o FC Porto. A notícia, que indicava que o valor da cláusula seria reduzido em 50% caso o interesse partisse dos Dragões, foi comentada pelo jogador com uma expressão enigmática. “Não gosto de falar muito de situações contratuais, até pelo respeito que tenho pelo Elche. Mas, normalmente, onde há fumo, há fogo. Sei que essa notícia saiu. Deixo por aqui…”, afirmou, deixando no ar a confirmação da existência de tal condição. O internacional português, de 30 anos, não escondeu a sua ligação ao clube azul e branco, referindo: “Não escondo que o FC Porto é o clube do meu coração. É a cidade onde cresci, o clube com que mais me identifiquei pelas raízes que levo e torço pelo FC Porto.” Questionado sobre a época do FC Porto, André Silva mostrou-se otimista: “A nível futebolístico tem sido a equipa mais organizada e que mais mérito tem manifestado nos jogos. Neste momento está em primeiro, tem quatro pontos de vantagem. Têm tudo para continuar assim e merecem até ao momento.”
A paixão de André Silva pelo FC Porto é tão profunda que influenciou as negociações da mencionada cláusula. “Também tem a ver com os processos de negociação. O FC Porto sempre foi um clube diferente para mim. Aqui no Elche também se aperceberam desde cedo, penso que foi esse o motivo mais importante para isso”, revelou. O avançado recordou ainda a sua saída precoce do Dragão em 2017: “Saí do FC Porto ainda com 21 anos. Tinha sido a minha primeira época na equipa com regularidade. Sentia que o clube estava numa situação um pouco delicada também e que eu, sendo um dos ativos mais importantes no momento, poderia ser uma grande ajuda a nível financeiro e desportivo. A nível individual, o facto de ser ambicioso, de querer crescer, de querer ser melhor jogador, tudo isso pode ter pesado para um miúdo de 21 anos. No entanto, desde que saí do FC Porto, sempre senti que era algo que já vinha com alguma raiz e que a ligação era diferente a qualquer outro clube por onde passei, não querendo menosprezar qualquer outra ligação ou conexão que tive com outros clubes, porque sinto que todos foram respeitosos e desfrutei bastante em grande parte deles. Mas o FC Porto fez parte de uma vida para mim e continua a fazer parte.” Sobre o futuro, André Silva mantém o mistério: “Ninguém sabe, nem eu sei. No futuro há muitas coisas que já estão organizadas. Mercados, Mundiais… Não está tudo no meu controlo. Neste momento estou focado no Elche, estou a desfrutar aqui ao máximo, a tentar tirar proveito do momento presente para mostrar que posso ajudar e lutar pelos objetivos do clube.” A nível contratual, o jogador indicou que há condições que o podem manter no Elche, mas também abrir “janelas para a frente”.
Paralelamente, Paulo Araújo, diretor de scouting do FC Porto, defendeu a estratégia de contratações do clube. Em entrevista ao Jornal de Notícias, Araújo sublinhou a importância de minimizar riscos, mencionando as aquisições de Oskar Pietuszewski e Froholdt. “Várias contratações esta temporada: O clube entendeu que havia uma necessidade de mudar as coisas, mas é um processo longo, quando não podemos correr o risco de fazer grandes investimentos e perder dinheiro. Quando se começou a analisar jogadores não se sabia quem ia ser o treinador, por isso temos de tentar sempre ir buscar jogadores de qualidade. Há uns que se adaptam a um sistema e não se adaptam a outro, mas isso passa-se em qualquer clube. Hoje trabalhamos muito próximo da equipa técnica principal. É um projeto integrado, onde temos identificados imensos perfis por posição, que tentamos equilibrar de acordo com as necessidades que temos." Sobre o custo de Pietuszewski (oito milhões de euros) e Froholdt (20 milhões), Araújo defendeu: “É verdade. Podemos pensar que é bastante dinheiro, mas na verdade é relativo. Porquê? Qualquer jogador que se vá buscar, em qualquer clube, nunca sabe se será um custo ou um investimento. Podemos conhecer todas as facetas de um jogador, mas nunca sabemos como vai ser o processo de adaptação a uma liga nova. Podemos achar que Froholdt, realmente, foi um custo grande. Mas se calhar foi um grande investimento. Há dias vi uma crítica sobre o valor que tínhamos pago pelo Pietuszewski e acabei por ir comparar o valor dos jogadores que alguns clubes rivais pagaram. Se calhar até pagaram um pouquinho menos, mas estão a ter um custo muito maior, porque o rendimento não tem sido bom. O trabalho do scouting passa por minimizar o risco de qualquer investimento.” Araújo destacou a contratação de jogadores da Premier League, como Bednarek e Kiwior, um feito que credita à Direção: “Sabemos que há mercados que são difíceis, o que não quer dizer que sejam impossíveis. Fomos analisando o mercado e percebendo se os jogadores estavam a jogar, se estavam em final de contrato, conversamos com os agentes para perceber melhor a situação para depois os convencer a vir. Mas o mérito de poder contratar dois jogadores da Premier League, um deles com imensos jogos pelo Arsenal, é todo da Direção. À partida era difícil, mas sabíamos que ao nível desportivo eram jogadores com capacidade para dar uma resposta imediata. Conseguir trazer esses jogadores foi um esforço financeiro enorme.” O diretor de scouting também abordou a importância de trabalhar com as indicações do treinador, referindo o caso de Moffi, Fofana e Pablo Rosario. “Qualquer treinador gosta de trabalhar com jogadores que lhe deram garantias e conforto em ocasiões anteriores. No caso de Moffi e Fofana, foram situações que vieram para colmatar problemas que tivemos, infelizmente, e para devolver algum equilíbrio ao plantel. O treinador tem legitimidade para indicar jogadores e eles têm, realmente, perfil e qualidade para jogar no FC Porto. Recolhemos a nossa informação, que passámos à Direção e depois eles decidiram. Mas há sempre vários fatores a considerar, a oportunidade e muitas outras situações. Não há imposição do nome, mas uma indicação que é sempre bem-vinda. Os jogadores são analisados por vários scouts, que têm de ter independência de pensamento para dar uma opinião, aliás são as opiniões de várias pessoas em conjunto que nos levam a formar os filtros. Ao indicar um jogador, o treinador tem a vantagem de saber se se vai adaptar, ou não, porque trabalhou com ele. O Pablo Rosario é um caso de sucesso, é mais uma indicação que foi bem-vinda, joga em qualquer posição, se o meterem na baliza acho que também vai render. Mas temos outros que, mesmo não tendo dado tanto tempo de jogo, não quer dizer que tenham menos valor, têm rendido muito e vieram para colmatar situações específicas. Alguns permitem dar descanso a outros e, se não estivessem, ninguém conseguia render continuamente ao mesmo nível.” A contratação de Thiago Silva, um jogador mais experiente, foi justificada pela lesão de Nehuén Pérez: “Há situações no mercado que nos obrigam a fazer determinados investimentos. No caso do Thiago tivemos a lesão do Nehuén Pérez, ficamos um pouco limitados em termos de centrais e precisávamos de um jogador. Recorremos ao Thiago, que é um dos melhores centrais do Mundo e vinha de uma época a jogar imenso. Com a qualidade que tem, podia-nos ajudar, nem era de pensar duas vezes. O poder de persuasão da Direção foi importante e veio dar maturidade a um plantel jovem.”