Frédéric Maciel, ex-jogador do FC Porto, partilhou em entrevista ao Tribuna
diversas histórias marcantes da sua carreira nos Dragões. Desde o episódio que o levou a ser apelidado de novo Rémi Gaillard
até às críticas de um treinador, o jogador revelou pormenores inéditos sobre a sua passagem por uma das grandes equipas portuguesas.
Maciel recordou um episódio insólito no Olival, que o fez ser comparado ao humorista francês Rémi Gaillard: “Uma vez levei um raspanete porque estava na moda aquele rapaz, o Rémi Gaillard, um humorista que pegava na bola e chutava contra as coisas, coisas assim... E, no Olival, houve uma vez que peguei na bola, chutei contra as três paredes do balneário e a bola caiu dentro do caixote de lixo direitinho. Pusemos na internet e naquela altura apareceu nos três jornais desportivos: 'O novo Rémi Gaillard do Futebol Clube do Porto'. Passado uma hora o meu telemóvel estava cheio de mensagens e chamadas do diretor. Era proibido filmar as instalações do clube. Queriam multar-me. Mas acabou por passar tranquilo” (Frédéric Maciel). Este momento, que quase lhe custou uma multa, demonstra o lado irreverente do jogador e como a tecnologia já impactava o futebol na época.
O jogador também recordou a sua relação com os treinadores, destacando Capucho, apesar de um momento peculiar: “É um bocado ingrato escolher [o treinador com quem mais gostei de trabalhar]. O Rui Gomes dava-me toda a liberdade, confiava bastante em mim, tínhamos uma boa relação. O Capucho é uma pessoa incrível e para mim, que sou um jogador técnico, que gosta de assumir, pegar na bola e fazer coisas diferentes, trivelas, letras, cuecas, ele dava muita liberdade para isso. Ainda me incentivava. Lembro de uma vez, num jogo, recebi a bola na linha, estava um contra um, depois chegou uma cobertura, ele veio atrás de mim a correr pela linha a dizer “vai para cima dele, vai para cima dele“, optei por parar a bola e passar para trás, e ele: 'Cagão' [risos]” (Frédéric Maciel). Este relato mostra a exigência e a personalidade forte do treinador, mesmo em momentos de descontração.
Antes de chegar ao FC Porto, Frédéric Maciel teve uma passagem pelo Sporting que descreveu como uma vida de prisão
. Em entrevista à revista Dragões
, o avançado não hesitou em partilhar a sua insatisfação: “Sou uma pessoa extrovertida, habituada a falar com toda a gente, e não me revi naquele ambiente. Estava fechado na academia praticamente o dia todo e só queria vir embora de lá. Surgiu a oportunidade de ir para os sub-16 do FC Porto e não hesitei. Já não aguentava mais a vida de prisão que levava no Sporting” (Frédéric Maciel). Estas declarações revelam o impacto do ambiente e da cultura dos clubes na vida dos jovens jogadores e a importância de encontrar um local onde se sintam bem, mesmo que isso implique mudar de rival. Maciel abordou também as comparações com Ricardo Quaresma: “Não sei se me posso comparar a ele, mas é certo que é a minha referência no FC Porto, para a minha posição. Admiro bastante a sua criatividade” (Frédéric Maciel).