Um grupo de sócios do Futebol Clube do Porto, autodenominado “Por um Futebol Clube do Porto Maior, Unido, Insubmisso e Eclético”, exigiu à direção do clube a rutura das relações institucionais com o Sporting Clube de Portugal. Esta exigência surge na sequência das declarações proferidas por Frederico Varandas, presidente do Sporting, após o Clássico da passada terça-feira, que opôs os dois clubes na primeira mão das meias-finais da Taça de Portugal.
O grupo, que conta com membros no Conselho Superior do FC Porto, como Miguel Brás da Cunha e Luís Folhadela, enviou um comunicado a André Villas-Boas, bem como a António Tavares, Presidente da Mesa da Assembleia Geral e do Conselho Superior. No centro da controvérsia estão as “declarações atentatórias ao bom nome e honra do FC Porto, e do seu Presidente da Direção, proferidas pelo presidente da direção do Sporting Clube de Portugal”. O comunicado expressa total solidariedade com o presidente do FC Porto e reitera um pedido que já havia sido feito há cerca de um ano, “na sequência do comportamento e declarações do senhor Varandas relativamente às exéquias do Presidente Honorário do Futebol Clube do Porto, Jorge Nuno Pinto da Costa – para que sejam cortadas, de imediato, todas as relações institucionais com o Sporting Clube de Portugal”.
A tensão entre os dois clubes escalou após o jogo da Taça de Portugal, que o Sporting venceu. Frederico Varandas não poupou críticas a Villas-Boas, afirmando: “A deselegância, porque foi treinador, fez conferências de imprensa, e não se interrompe um treinador. Ele não quer ouvir. Quer construir-se a narrativa... Sabem porquê? Agora vamos fazer o Suárez de bode expiatório. Sabem porquê? Vejo o presidente do FC Porto com muito medo, porque é treinador”. Varandas continuou as suas críticas: “Vejo uma equipa que lidera o campeonato, mas que nem sabe como lidera e estão com medo. Então o Suárez tem de apanhar quatro jogos. 'Tive na China'. Nessa república democrática, um país democrático. Mas perguntaram-lhe se punha vídeos a condicionar árbitros? Se calhar levava 40 jogos de castigo”. O presidente leonino ainda classificou o seu homólogo portista como “mentiroso”: “Quero perceber é, quantos jogos é que um clube devia apanhar por condicionar um árbitro, transmitir vídeos no balneário até dos infantis. Vamos pôr tudo na mesma balança. Que castigo devia haver para dar ordens para tirarem as bolas. O presidente do FC Porto mente. É mentiroso. Mas é muito pequeno para a entidade e clube que governa. Vou-lhe voltar a dizer: não tem dimensão ética para ser dirigente de um clube da dimensão do FC Porto”. Perante este cenário, o grupo de sócios apela a que “o Conselho Superior, com carácter de urgência, faça sentir a toda a massa associativa e aos adeptos do nosso Clube o seu total empenho na luta pela defesa do bom nome e dos valores do Futebol Clube do Porto.”