Diogo Costa, guarda-redes do FC Porto, sonha com o Mundial e reflete sobre o futuro

  1. Diogo Costa chegou ao FC Porto com 13 anos.
  2. O guarda-redes renovou contrato com o FC Porto.
  3. Diogo Costa reconhece atratividade da Premier League.
  4. Roberto Martínez trouxe novas ideias à seleção.

Diogo Costa, guarda-redes do FC Porto e da Seleção Nacional, concedeu uma entrevista exclusiva ao The Athletic, na qual abordou diversos temas, desde a sua paixão pelo clube, o sonho de conquistar o Mundial e a evolução da sua posição em campo. Com a sinceridade que lhe é característica, o jovem guarda-redes português partilhou com a publicação as suas perspetivas sobre o presente e o futuro da sua carreira.

A possibilidade de fazer toda a carreira no FC Porto é uma das questões que mais se levanta em torno de Diogo Costa. O guarda-redes, que chegou ao clube com apenas 13 anos, expressa um profundo sentimento de pertença e orgulho: “Cheguei aqui muito menino, com 13 anos acabados de fazer. Todos temos o sonho de poder jogar na equipa principal e de representar o FC Porto. Vemos tantos ídolos que passaram pelo clube e sonhamos representar o clube da forma que eles representaram. Eu venho de uma família que é portista, por isso toda a gente consegue imaginar o que é jogar pelo meu clube. Existe uma ligação emocional muito mais forte e um grande orgulho. Todos temos o sonho de ser jogadores do FC Porto, mas também sabemos que muito poucos chegam lá. Jogar aqui e ainda por cima enquanto capitão, algo que nunca imaginei ser tão cedo... estou muito grato ao FC Porto por tudo o que me ensinou como jogador e como homem. Já admiti que se tivesse de jogar aqui durante toda a minha carreira seria extremamente feliz, por isso este é um sonho tornado realidade.”, afirma Diogo Costa. A cláusula de rescisão, que frequentemente gera especulações, é vista por Diogo Costa como “apenas uma parte do contrato e foi o acordo a que chegámos. Acabei de renovar e serei feliz todos os dias se acabar a minha carreira cá. Todos os anos há sempre quem pense se eu vou ficar ou sair, mas isso faz parte da vida de um profissional de futebol.”

Sobre o interesse de clubes ingleses, uma realidade cada vez mais presente no futebol moderno, Diogo Costa reconhece a atratividade da Premier League: “Toda a gente sabe que a Premier League é a melhor, ou uma das melhores, ligas do mundo. Se perguntarem a todos os jogadores no mundo se gostariam de jogar na Premier League...”. Contudo, o guarda-redes faz questão de reafirmar a sua felicidade no FC Porto. A capacidade do campeonato português em formar talentos é também destacada pelo guardião: “Há muitos jogadores que vão para a Premier League, para a liga espanhola, para a liga alemã e, de modo geral, dão-se sempre bem. Aí já dá para ver o nível da liga portuguesa, e ainda temos o exemplo dos treinadores portugueses. Nós, os portugueses, somos um povo que percebe bem o que é o futebol, temos esse orgulho e esse jeito para o futebol. Na seleção portuguesa qualidade não falta e esses são os indicadores que fazem do campeonato português uma boa liga.”. O guarda-redes admite que gostaria de ter Vitinha no FC Porto: “Obviamente que eu gostaria de ainda ter o Vitinha no FC Porto, e posso dar inúmeros outros exemplos. Acho que é por essa capacidade financeira, que não está ao nível da Premier League ou de outras ligas, que não conseguimos segurar os melhores.” Complementarmente, Diogo Costa reflete sobre a realidade financeira do futebol e as constantes mudanças na carreira dos jogadores: “Desde a adolescência que existe esse trabalho psicológico e cedo nos mentalizamos de que a vida de futebolista é muito oscilante. Todos os anos existe a dúvida se fico ou saio. Hoje em dia, ser jogador é estar preparado para esses momentos, para nunca ficarmos só num clube. No meu caso pode acontecer, mas o que hoje vemos mais é jogadores a sair.”

A posição de guarda-redes, tão exigente e solitária, é encarada por Diogo Costa com grande profissionalismo e uma busca incessante pela melhoria contínua. Questionado sobre os bloqueios aos guarda-redes, o jogador assume que “em muitos momentos é um exagero e não se marca falta porque é a Premier League. Há lances em que é realmente um exagero, mas pronto, é o que é, temos de estar preparados para nos adaptar e para crescer nisso.” A evolução da posição, especialmente no que diz respeito ao jogo de pés, é algo que Diogo Costa valoriza e tem vindo a aprimorar desde cedo: “Quando cheguei cá, ainda muito novo, já se fazia treino de jogo de pés. Lembro-me do Wil Coort, que na altura era o treinador de guarda-redes da equipa A, juntamente com o Daniel Correia, havia um dia por semana em que treinávamos muito os aspetos técnicos, não só o jogo de pés ou a técnica de queda, sempre à procura de fazer melhor e de aperfeiçoar. Aos 13 anos ensinaram-me a jogar com o pé direito e com o esquerdo, no FC Porto sempre tive treinadores que me ensinaram que me ajudaram a ser melhor. A nível tático, hoje em dia, o guarda-redes tem muito mais influência, porque, dependendo da equipa adversária, há certas equipas em que o guarda-redes garante a superioridade no jogo de pés e, por isso, é muito solicitado. No FC Porto sempre houve essa preocupação de ter jogo de pés, mas agora é mais do que isso. Não é só preciso saber bater de pé direito e de pé esquerdo. É preciso fazer a leitura do jogo e saber o que o jogo está a pedir. Tenho de pensar o que é que o meu colega pode fazer depois de eu lhe passar a bola. Também há que respeitar as ideias de jogo do treinador. Muitas pessoas dizem que eu jogo bem com os pés, mas eu tenho muita preocupação em ser bom também nos remates, nos cruzamentos e no controlo da profundidade. Tento ser o mais complexo possível, mas somos guarda-redes e a nossa maior preocupação é sempre a baliza.”

Os penáltis, um dos momentos de maior pressão para um guarda-redes, são abordados com uma perspicácia interessante. Diogo Costa revela uma abordagem particular em relação ao treino desta vertente: “Agora tenho 26 anos, mas entre os 18, 19, 20 ou 21 isso era algo que eu treinava. Quando treinamos defender penáltis, seja a técnica da queda, a forma como atacas a bola ou as estratégias para poder ser o mais explosivo possível... tudo isso tem um treino por trás. Hoje em dia isso é algo que eu não gosto muito de trabalhar, porque os jogadores com que eu treino não são os jogadores que eu vou apanhar no jogo. Acho que essa técnica de atacar a bola, de queda e de ser o mais explosivo possível é algo que já se trabalha todos os dias, é quase como o pequeno-almoço, e eu como sempre quase a mesma coisa ao pequeno-almoço. Não é algo que eu goste muito de trabalhar nos treinos, porque no jogo é diferente. Com a pouca experiência que tenho fui-me apercebendo que há um treino por trás, mas no jogo é muito instinto também. A leitura da forma como o batedor corre para a bola, ver vídeos, as alterações na corrida tendo em conta o lado que ele escolha... isso tem mais influência do que treinar penáltis todos os dias. Há uma característica muito importante também, que é o nosso instinto. Saber cheirar, como se diz no futebol, saber o que o jogador vai fazer... isso não é algo que eu goste de treinar todos os dias.”

Sobre o futuro, Diogo Costa demonstra uma grande confiança e determinação em continuar a evoluir: “Eu acho que sou guarda-redes por alguma razão. No futuro teremos de nos adaptar, tal como agora também temos que nos adaptar às modernices. Eu sempre me preocupei em ser bom a fazer tudo o que o jogo pede e é nisso que vou estar sempre focado, em treinar. O meu foco é ser melhor todos os dias. Eu nunca penso que já tenho o suficiente para ser o guarda-redes do FC Porto ou da Seleção Nacional. O meu foco está sempre em querer melhorar e aperfeiçoar aspetos de guarda-redes. Não há muito mais a dizer, o meu foco está em treinar e em melhorar. Isso é sempre o que mais importa.” A sua capacidade de observação é um dos fatores que o distingue: “Sempre fui uma pessoa muito observadora e acho que é por isso que tenho o instinto mais apurado. Sempre fui uma pessoa muito observadora, sempre procurei perceber o que poderia aprender com cada jogador que apanhei nos meus treinos e com os guarda-redes. Sempre quis perceber o que é que eu posso aprender com cada um deles, com grandes lendas, e hoje em dia aprendo com alguns que considero muito bons. Mesmo alguns que passam despercebidos, cada um tem a sua característica muito forte e sempre tive essa capacidade de observar, de querer aprender e de saber o que estou a ver para ser melhor.”

A Seleção Nacional e o sonho do Mundial são um dos pontos altos da entrevista. Diogo Costa revela a ambição de todo o grupo: “A nossa expectativa, tal como a de todos os portugueses, e até mesmo a nível global, todos sabem que a seleção portuguesa é candidata a ganhar. Qualidade não falta, mas obviamente temos essa expectativa alta, temos essa exigência de ganhar o Mundial, não apenas pela qualidade, mas também pelo lado muito sentimental. Depois do que aconteceu com o Diogo Jota e o seu irmão também queremos muito honrá-los ganhando esse título.” A ausência de Diogo Jota é um tema sensível: “Ainda é algo difícil de falar. Quando falamos do Diogo, falamos das excelentes memórias que temos dele como pessoa e como jogador. É um assunto difícil, não é muito falado, mas é algo que é muito sentido por todos. O Diogo Jota era um jogador com estatísticas muito boas, mas, enquanto pessoa, era uma daquelas pessoas de que toda a gente gosta dentro do balneário, pela sua personalidade e pela sua maneira de ser. Isso é o que nos marca mais, a sua personalidade e o seu carácter. Não é algo de que falemos muito, mas é algo que sentimos muito e queremos honrá-lo. Tenho certeza de que ele vai estar no nosso balneário e espero que ele nos ajude, lá de cima, a tornar esse sonho realidade.” O impacto de Roberto Martínez é evidente: “Trouxe novas ideias e trouxe um jogo moderno. Acima de tudo, é um treinador que conhece os jogos que tem e sabe o que pode fazer, dentro da sua ideia de jogo, para que cada um de nós possa sobressair ao máximo. E nós, os jogadores, estamos muito felizes por trabalhar com ele e já temos um título ganho em conjunto.”

A relação com Farioli, treinador de guarda-redes, é pautada por um respeito mútuo e uma busca constante por aperfeiçoamento. Diogo Costa destaca a importância do trabalho em equipa, mesmo com a sua condição de capitão: “Naquilo que eu faço dentro das quatro linhas acho que não mudou muito, a base não mudou muito. Existe um estilo de jogo, principalmente em posse, e cada treinador tem a sua forma de ver a tática, de criar essas oportunidades ofensivas, e este é o seu estilo. Acho que dá para perceber que mudámos em todas as posições, mas ele já foi treinador de guarda-redes e gostamos de discutir o que é que é melhor ou pior. De um modo geral, não mudou muita coisa, há apenas uma nova forma de jogar, que é a do míster.” Por fim, o guarda-redes conclui: “Seja com o míster Farioli ou com o outro treinador, a minha forma de ser vai ser sempre a mesma. Vou sempre procurar melhorar e aperfeiçoar aspetos. Quando há algum assunto que queremos discutir e partilhar opiniões, sei que estou a falar com uma pessoa que percebe do assunto. Sei o que é preciso fazer para encaixar nas suas ideias e sei o que ele pede para fazermos no campo. Tem de haver esse respeito. Apesar de eu ser capitão, ele é o nosso líder e temos de respeitar as suas indicações. Se fizermos tudo o que ele pede, ficaremos sempre muito mais perto de ganhar, porque estamos todos no mesmo barco. Isso é que realmente importa, trabalharmos sobre as ideias que acreditamos que possam funcionar.” Diogo Costa, com a sua maturidade e ambição, continua a consolidar-se como uma das grandes promessas do futebol português e mundial.

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