O prestigiado jornal britânico The Guardian dedicou, esta terça-feira, um extenso artigo à notável aposta do FC Porto no futebol feminino. Criada há apenas um ano, a equipa feminina dos Dragões está a um passo de alcançar a I Divisão, numa ascensão meteórica que se iniciou no terceiro escalão, e de garantir um lugar na final da Taça de Portugal. Por esta altura, o conjunto portista lidera a série norte do segundo escalão nacional de futebol feminino, com dois pontos de vantagem e um jogo a menos, mantendo um registo imaculado sem qualquer golo sofrido no campeonato.
A propósito deste sucesso, o diário britânico sublinha que “a primeira temporada acabou com a subida à Segunda Divisão e, agora, o FC Porto está prestes a chegar à Primeira, onde finalmente poderá competir com os rivais Sporting e Benfica.” E reforça: “Para um clube que não tinha equipa feminina até há um ano, a ascensão do FC Porto tem sido rápida.” O The Guardian destaca ainda a figura de André Villas-Boas, atual presidente do FC Porto, que “tem desempenhado um papel importante em prol da igualdade de género em todas as modalidades do clube.” O líder azul e branco, em conversa com o periódico britânico, expressou a sua satisfação com a “mentalidade vencedora” que o projeto tem demonstrado. “A nossa ambição a longo prazo para a equipa feminina do FC Porto era proporcionar igualdade de oportunidades e promover a verdadeira igualdade de género no desporto no clube. O nosso objetivo era o de chegar à primeira divisão o mais rápido possível. Começámos na terceira divisão, agora estamos na segunda e a equipa superou em muito as nossas expectativas nesta temporada, chegando às meias-finais da Taça de Portugal, com esperanças de chegar até ao fim. O orgulho que as raparigas têm em vestir a camisola do FC Porto e a mentalidade vencedora que as jogadoras têm demonstrado são inigualáveis. Elas merecem muito crédito, assim como o José, por ter criado este projeto e ajudado a levá-lo adiante”, sublinhou Villas-Boas.
O “José” a quem Villas-Boas se referiu é José Manuel Ferreira, diretor do departamento de futebol feminino, que também partilhou a sua visão com a publicação. “Quando estávamos a recrutar as nossas primeiras jogadoras, o nosso objetivo era chegar às jovens. Tínhamos jogadoras de 15 anos a jogar na equipa principal e queríamos jogadoras que tivessem alguma ligação com o clube, que conhecessem o FC Porto, o que o clube representa e o que significa jogar pelo FC Porto. Construímos uma filosofia [em torno] dos departamentos médico, desportivo, técnico e dos treinadores. A equipa treina no Olival, o principal campo de treino do clube, e queríamos treinadores jovens, mas também treinadores com experiência no futebol feminino”, revelou. Ferreira acrescentou ainda que “é raro ter uma equipa da segunda divisão na final da Taça, mas a resposta para que isso seja possível começa há 18 meses. Temos departamentos para ajudar as nossas jogadoras, criando confiança, e isso deu à equipa algo que nos permitiu competir com equipas da primeira divisão. No Olival, temos tudo o que precisamos, todo o equipamento, todos os recursos humanos. Na época passada, fomos eliminados pelo Marítimo, uma equipa da primeira divisão, e nesta época vencemo-los nos penáltis para chegar às meias-finais.” A próxima prova de fogo será o jogo da segunda mão da meia-final da Taça de Portugal, entre o FC Porto e o Vitória SC, agendado para 18 de março. Ontem, o FC Porto recuperou uma desvantagem de dois golos para empatar 2-2 com o Vitória de Guimarães, na primeira mão das meias-finais da Taça de Portugal feminina de futebol.