Newsletter do FC Porto gera nova polémica e ofusca Liga dos Campeões

  1. Newsletter Dragões Diário criou controvérsia.
  2. Publicação reavivou discussões de incidentes passados.
  3. FC Porto criticou Conselho de Disciplina.
  4. Benfica teve "noite de horrores" na Luz.

Uma semana após o clássico, a “newsletter” Dragões Diário do FC Porto continua a gerar controvérsia. O texto, que disparou para vários alvos, incluindo Sporting, Frederico Varandas, Rui Borges, a Federação e os seus Conselhos, e o Benfica, teve um efeito bumerangue, conseguindo trazer de volta ao debate as críticas que o clube portista tinha recebido. Esta situação acabou por ofuscar o que, até à véspera da Liga dos Campeões, agitava o ambiente futebolístico na terça-feira, especialmente um aguardado desafio do Benfica frente ao Real Madrid. A publicação não só reavivou a discussão sobre incidentes passados, como também, por ironia, pareceu legitimar declarações previamente agendadas pelo presidente do Sporting, Frederico Varandas.

A resposta do FC Porto, através da sua “newsletter”, foi particularmente polémica. Sobre um lance de alegada agressão de Hjulmand a Tiago Gouveia, do Aves SAD, os azuis e brancos escreveram: “Não fosse a intervenção do FC Porto, o Conselho de Disciplina preparava-se para fazer vista grossa ao lance em questão. Em abono da verdade, as imagens parecem desaparecer misteriosamente, inclusive as das revolucionárias bodycams dos árbitros — o ex-líbris da transparência, segundo o Presidente do Conselho de Arbitragem”. A missiva portista, que não é nova nas críticas ao Conselho de Disciplina, foi mais longe, ao colocar “em causa decisões dos tribunais civis” e ao referir-se ao silêncio cúmplice dos encarnados. Esta atitude foi interpretada como uma tática antiga, de manter uma boa relação com um dos rivais lisboetas e uma má relação com o outro, nunca com os dois ao mesmo tempo, numa aparente tentativa de procurar apoio contra o seu principal adversário. A newsletter também faz referência, de forma enigmática, a Jorge Nuno Pinto da Costa: “Jorge Nuno Pinto da Costa deixou-nos muitas lições e muitos alertas para os desafios que se avizinham. Dentro e fora do campo”. Esta citação pode ser interpretada como uma forma de André Villas-Boas, que se apresentava a romper com o passado, reclamar a herança e os métodos do antigo presidente.

Em contraste, a mesma terça-feira foi marcada por uma noite de horrores para o Benfica na Luz. Além das confusões no túnel e da alegada intimidação a jornalistas, o pior foi, obviamente, o racismo. Embora a investigação ainda não tenha confirmado os factos entre Prestianni e Vinícius, a existência de racismo foi evidente em todo o ambiente que rodeou o caso. Esta situação, aliada a uma “desastrosa reação comunicacional do Benfica”, evidenciou a presença do racismo na sociedade portuguesa, e no futebol em particular, algo que se tem tornado mais visível com o crescimento da extrema-direita. Um comentador, ao citar um exemplo infeliz que teria ouvido numa tasca, afirmou: “Hoje em dia não se pode chamar preto a um preto, cigano a um cigano, mas pode chamar-se mulher a um homem”. Este tipo de comentário apenas demonstra a falta de compreensão e a desatualização de alguns discursos. Como disse o professor Manuel Sérgio, e que agora se aplica a estes comentadores, “quem só sabe de futebol, não percebe nada de Futebol” e, neste caso em particular, não percebe de nada. A conjugação destes eventos na mesma semana sublinha a intensidade e as controvérsias que continuam a marcar o futebol português.