Farense garante permanência na II Liga após empate com Belenenses

  1. Farense empata 0-0 e garante permanência.
  2. Rúben Fernandes, 40 anos, não vai parar.
  3. Bruno Almeida: "sentimento de alívio".
  4. José Faria: "equipa estava no penúltimo lugar".

A permanência do Farense na II Liga foi confirmada este sábado, após um empate a zero frente ao Belenenses no Restelo, resultado que se seguiu à vitória por 1-0 na primeira mão do play-off. Este desfecho, embora celebrado com euforia, espelha uma época de desafios e superação. Rúben Fernandes, defesa de 40 anos, resumiu o sentimento geral ao afirmar: “Foi um ano difícil para o Farense, mas acho que hoje [sábado] viu-se a garra e a atitude dos jogadores. Os adeptos que estiveram cá – e estiveram jogo a jogo, sempre a apoiar-nos –, merecem isto. Acho que estivemos muito bem nos últimos jogos, não sofremos muitos golos e isso foi importante para esta caminhada e para hoje conseguirmos isto. Conseguimos continuar na 2.ª Liga e isso é o importante”. Fernandes, que não planeia terminar a carreira, acrescentou: “Vamos ver o que vai acontecer. Ainda não vou acabar, acho que fiz esta época praticamente toda e sinto-me bem para continuar”.

A resiliência da equipa foi um ponto comum nas declarações dos protagonistas. Bruno Almeida, avançado de 29 anos, destacou a capacidade de sofrer da equipa: “Viemos aqui com o intuito de ganhar, mas sabíamos que estávamos em vantagem no play-off. Tivemos de saber sofrer e gerir a vantagem, felizmente conseguimos e estamos muito felizes a aproveitar agora. É um sentimento de alívio. Passámos por muito, traçámos um objetivo no início da época e as coisas foram o oposto do que traçámos, mas o mais importante é a permanência do Farense, um clube enorme. Quero dar também os meus parabéns ao Belenenses. São equipas que merecem estar nos grandes palcos do futebol português e tenho a certeza que o Belenenses, com esta mentalidade, vai acabar por regressar aos campeonatos profissionais. Agora vamos aproveitar com os nossos adeptos, porque eles merecem isto. Nós nem sempre correspondemos, mas eles apoiaram-nos sempre e estou feliz por lhes termos dado esta alegria”. Miguel Menino, médio da equipa, também sublinhou a proatividade do Farense: “Em momento algum viemos aqui para empatar o jogo. Jogámos o jogo pelo jogo, pela vitória, mas sabíamos da qualidade do Belenenses. É uma equipa que joga bem com bola, principalmente no seu campo, cheio de adeptos. Não tivemos mais porque não deixaram. Jogámos o jogo pelo jogo e fomos felizes no fim”. Menino lamentou a complexidade da época: “Acima de tudo não foi uma época fácil, não só coletiva, mas também individual. Não fui só eu, foram todos os jogadores, que tiveram a sua fase menos boa, mas conseguimos superar e conseguimos o objetivo que foi proposto à equipa”.

José Faria, o treinador que assumiu o comando do Farense quando a equipa se encontrava numa posição delicada, expressou a sua satisfação. “Quando chegámos, a equipa estava no penúltimo lugar. Gradualmente fomos subindo, a somar pontos. Fizemos 40, nunca uma equipa tinha descido da 2.ª Liga com esses pontos. Tivemos uma média pontual bastante acima da maior parte das equipas. Tiraram-nos duas semanas de férias, porque aconteceu o que aconteceu, e tivemos de jogar os play-offs até à morte”. O técnico reconheceu as especificidades de jogar no Restelo: “Jogámos num grande estádio, com um campo grande. Já tínhamos feito grandes exibições em Leiria, em Vizela, no Marítimo. O São Luís tem uma mística incrível, mas as dimensões do terreno não ajudam quem quer jogar. Acho que fizemos o necessário”. Faria sublinhou a importância do clube para a cidade: “Quem trabalha no Farense, quem caminha nas ruas de Faro, e acho que cada vez menos existe isso no futebol em Portugal, vive o clube. As pessoas de Faro são do Farense. Há cobrança. Se for fazer a barba, o senhor de 70 anos que me faz a barba vai fazer-me uma grande pressão se não ganhar no fim de semana”. O treinador elogiou o adversário: “O presidente Patrick está a fazer um grande trabalho. Estes clubes merecem estar na Primeira Liga, com todo o respeito por todos os clubes. O Farense e o Belenenses fazem falta ao mais alto nível”. Quanto ao seu futuro, Faria deixou a decisão nas mãos do presidente: “Sou um treinador à Farense, estou feliz, nas minhas sete quintas. O presidente é que decide. O importante agora é descansarmos, que os adeptos façam uma boa viagem. Depois vamo-nos sentar, refletir, fazer uma análise do que correu bem, do que correu menos bem, o que podemos melhorar”. André Candeias, autor do golo decisivo na primeira mão, resumiu a emoção: “É muito bom poder ajudar a minha cidade. Sou de Faro e é incrível viver isto. A equipa sofreu muito, mas estes adeptos são incríveis. Tínhamos de dar-lhes isto, eles mereciam. Não foi sempre como queríamos, mas foi uma equipa muito unida. Lutámos muito e acho que merecíamos isto”.

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