O playoff de acesso à Liga 2 está ao rubro com o embate entre Farense e Belenenses, que promete ser uma verdadeira batalha pela última vaga na próxima época. Este confronto, que terá o seu primeiro capítulo já neste sábado no Estádio de São Luís, em Faro, reveste-se de um significado especial para o treinador Rui Duarte, que nutre uma ligação profunda a ambos os clubes. “O Belenenses foi o da minha formação e também fui lá profissional durante alguns anos. No total foram quinze anos. E o Farense em que acabei como jogador e depois me deu-me a oportunidade de me iniciar como treinador, como adjunto e depois principal”, confessou o técnico do Farense, sublinhando a importância emocional deste duelo para si.
Rui Duarte vê neste confronto o encontro de “dois históricos que estão em ciclos diferentes”. O Belenenses, na sua perspetiva, “a tentar sair de uma situação complicadíssima depois do que aconteceu com a B SAD e aos poucos tem dado os seus passos consolidados para voltar aos campeonatos profissionais. Na época passada esteve próximo, no play-off com o Paços de Ferreira. Este ano andou também muito próximo do acesso direto, mas acabou por lhe sobrar o play-off.” Já o Farense, “num ciclo também melhor, porque tem estado nos últimos anos nos campeonatos profissionais, depois de também ter estado numa fase difícil. O que é certo é que vem de uma descida da Liga e enfrenta-se com uma situação inesperada, e não planearam a época para andar isso, mas para andar mais acima. Está em dois jogos que pode decidir muita coisa, como o passo em frente, seja de reestruturação do clube, ou de objetivos. Este confronto pode ser um passo marcante para ambos os clubes”, adiantou Rui Duarte, realçando a relevância do desfecho para o futuro das duas instituições. Apesar da diferença de divisões, o treinador do Farense acredita que a experiência do ano passado pode dar vantagem ao Belenenses: “Mas, acredito, que o Belenenses tenha aprendido alguma coisa com a experiência no ano passado e que o possa fazer crescer. Obviamente que os jogadores e a equipa são diferentes, mas também há gente dentro da estrutura que viveu o play-off do ano passado e que tenha essa experiência para estarem agora muito mais preparados.”
José Faria, treinador dos algarvios, mostra-se focado e consciente da responsabilidade que a equipa tem neste momento crucial. “Não fizemos a nossa parte no último jogo e agora não há outro caminho: temos de dar dentro do campo uma resposta ao nível e com a honra que os nossos adeptos e esta cidade merecem”, declarou, sublinhando a necessidade de uma reação forte. O técnico do Farense não poupa nas palavras para descrever a intensidade que espera nestes dois jogos decisivos. “Não vale a pena olhar para o passado e temos pela frente dois jogos num formato diferente, a eliminar, seguramente muito competitivos. Provavelmente nada ficará decidido no primeiro duelo e teremos de ser mentalmente muito fortes e apresentar elevados níveis de concentração”, vaticinou. A massa associativa do Farense, que promete encher o Estádio de São Luís, será um fator de motivação, e José Faria reconhece esse apoio: “Temos sentido o carinho dos adeptos, que estão a fazer, e irão fazer, a sua parte. A nós compete-nos fazer os possíveis e os impossíveis para dar uma boa resposta nestes dois jogos decisivos. Mais do que falar, é hora de honrar esta camisola e de, num quadro de comprometimento, confiança, exigência e rigor, conseguirmos aquilo a que nos propomos”, frisou, colocando a tónica na união e no empenho. O caráter decisivo destes desafios é algo que José Faria não esconde. “Esperam-me os jogos mais importantes da minha carreira. Tratam-se de autênticas finais, com uma carga nervosa que não podemos evitar, e importa encará-las com responsabilidade, sabendo que, nestas circunstâncias, muitas vezes o aspeto mental se sobrepõe aos domínios físico ou tático. Queremos fazer bem as coisas e controlar todos os momentos do jogo. Sabemos que, na nossa melhor versão, temos tudo para ganhar o playoff”, concluiu o treinador do Farense, manifestando confiança no potencial da sua equipa.
Rui Duarte não hesita em antever um confronto com emoções fortes e ambiência vibrante. “Vai ser quentinho, vai ser quentinho. São dois estádios míticos, com duas massas associativas muito fortes. O Farense tem adeptos muito próprios e calorosos, que gostam muito do clube e da cidade. Para mim foi um orgulho ter representado o Farense, seja como jogador, ou como treinador. E esse fator casa neste primeiro jogo, pode ter algum impacto. Acredito que vai ser muito tático, onde o Farense, de certeza absoluta, vai querer entrar muito forte e o Belenenses a querer levar a decisão para o segundo jogo. No Restelo também vai estar um ambiente muito quente, com uma massa associativa que nunca largou o clube, que é um histórico de Portugal e com uma grandeza incrível. As pessoas não têm noção do que é que é o Belenenses. E acredito que os seus simpatizantes e sócios, assim como as suas famílias e gente bastante antiga, vai se juntar para fazer desse jogo uma verdadeira final. São duas finais épicas para estas duas equipas históricas e vai ser engraçado de seguir de fora”, finalizou Rui Duarte, descrevendo um cenário de grande intensidade e paixão que promete envolver os dois encontros entre Farense e Belenenses. “Para o Farense é um mal menor, digamos assim, de uma época negativa, porque não podemos dizer que foi positiva. Ainda este último jogo, claramente que se sentiu - e não estou a dizer nada que escandalize alguém - o Portimonense foi mais forte, e acaba por ser um mal menor o Farense ir disputar estes dois jogos, como uma última oportunidade para salvar a época. Tal como o Belenenses, porque, acredito, também tenha apontado como objetivo nesta época, a subida direta”, disse relativamente ao Farense.