Hugo Oliveira, treinador do Famalicão, expressou o seu orgulho após a vitória por 2-1 sobre o Vitória de Guimarães no Estádio D. Afonso Henriques, destacando a personalidade
da sua equipa. O técnico considerou o triunfo totalmente justo
num estádio difícil
, realçando a forma como a sua equipa se impôs. “Foi uma vitória completamente justa num recinto onde é muito difícil jogar, frente a uma equipa com qualidade, um clube de gente apaixonada. Chegar cá e ter personalidade para fazer o jogo que fizemos, mesmo depois de sofrer golo, conseguir aqui uma vitória que acho que é justa, sinto-me orgulhoso dos jogadores que tenho, pela forma como querem ser melhores todos os dias num clube também ambicioso que quer sempre mais. Vale três pontos, não mais do que isso, é para isso que trabalhamos”, afirmou Hugo Oliveira.
O treinador famalicense detalhou ainda a estratégia da sua equipa para superar os adversários. “Normalmente acompanha-se a bola e os jogadores que têm a bola, mas os jogadores que não têm bola são muito importantes para ganhar espaço, para esticar. As permutas entre extremos e médios acontecem muitas vezes e, por isso, não é fácil para os nossos adversários nos travar. Não é fácil pôr estes jovens jogadores a fazer esses movimentos sem a bola no pé, a não chegar lá, têm de perceber que estão a trabalhar para a equipa. A equipa do Vitória tem qualidade, com extremos muito fortes, um estádio que apoia, não podíamos deixar o jogo chegar aí, tínhamos de ter bola e jogar. Era importante ter isso, neste estádio à nossa maneira. É também mais fácil quando temos uma bancada como tivemos hoje a apoiar, peço que continuem no próximo sábado”, explicou Oliveira, sublinhando a importância do trabalho sem bola e do apoio dos adeptos.
No entanto, do lado do Vitória de Guimarães, a derrota marcou uma estreia amarga para Gil Lameiras. O técnico assumiu que a equipa teve dificuldades em encontrar-se em campo. “Penso que entrámos um pouco, se calhar, a pensar no que se tinha passado no jogo passado. A equipa acusou instabilidade emocional e sofreu o golo, penso que crescemos na partida e dominámos o resto da primeira parte. Quando tínhamos tudo para que as coisas corressem melhor na segunda parte sofremos um golo na primeira jogada, o que fez com que a instabilidade viesse ao de cima. Não foi um bom jogo da nossa parte, a equipa teve dificuldade em encontrar-se”, analisou Lameiras, evidenciando a fragilidade emocional dos seus jogadores.
Lameiras abordou também a pressão dos adeptos e a necessidade de uma mudança de atitude. “Senti uma expetativa inicial grande dos adeptos, do que podia surgir da equipa. Não tivemos muito tempo para trabalhar, para alterar grande coisa, e quem representa o Vitória tem de compreender que os adeptos vão cobrar, e muito bem. É esta exigência que faz e este clube ser grande. Como treinador tenho de pedir apoio, alguma paciência também, para os puxar para o nosso lado e para se sentirem representados”, disse o técnico, apelando à compreensão e apoio da massa associativa.
O treinador do Vitória concluiu a sua análise focando-se na vertente tática e mental. “Aquilo que vamos tentar fazer é colocar os melhores em todos os jogos. Ser jogador da “B”, se for o melhor, vai entrar sem problema nenhum, só assim é que faz sentido. O Miguel foi lançado com mérito, tem vindo a trabalhar muito. A oportunidade pode surgir para aqueles que estiverem preparados, independentemente se é da B, dos sub-19 ou da A. Temos de olhar para nós e dar muito mais, o Vitória exige essa grandeza e o esforço de nós todos”, assegurou Lameiras, focando a sua atenção na valorização dos jogadores preparados, independentemente da sua proveniência. Finalmente, o técnico refletiu sobre a situação em que se encontra o Vitória: “O objetivo palpável é olhar para nós e perceber que, do ponto de vista ofensivo, temos de jogar mais, esta equipa já fez mais e tem qualidade para isso. Quando as coisas não estão a funcionar em termos emocionais, todos os fantasmas vêm ao de cima. Do ponto de vista defensivo, quando uma equipa está a tentar reagir e é tão fácil chegar à nossa baliza passa por aí. Mais do que falar em Europa temos de ver o que temos de ser como equipa, não adianta falar em Europa quando a equipa no momento não está a dar a melhor resposta”.