Estrela da Amadora recorre ao TAD após declarações de Evangelos Marinakis sobre André Luiz

  1. Estrela da Amadora vai recorrer ao TAD
  2. Marinakis recusou propostas de 30-35 milhões
  3. Estrela detinha 10% de futura transferência
  4. Clube quer defesa de interesses no futebol português

O Estrela da Amadora anunciou que irá recorrer ao Tribunal Arbitral do Desporto (TAD) na sequência das declarações de Evangelos Marinakis, proprietário do Olympiacos e Rio Ave. Em causa está a transferência do jogador André Luiz, que saiu do Rio Ave para o Olympiacos, mas cujo negócio levanta sérias preocupações para a SAD tricolor.

Em declarações à imprensa grega, Evangelos Marinakis revelou ter recusado propostas por André Luiz e por Clayton, que totalizavam “30 a 35 milhões de euros”. Marinakis justificou a recusa dessas ofertas pela “necessidade de reforçar o Olympiacos”. Esta confissão, em particular a rejeição de uma proposta do Wolverhampton que chegava aos 20 milhões de euros e outra do Benfica que rondava os 15 milhões de euros, para contratar André Luiz por 6,75 milhões de euros, despoletou a reação do Estrela da Amadora. O clube detinha 10% de uma futura transferência do atleta.

A SAD do Estrela da Amadora manifestou a sua insatisfação em comunicado, onde pode ler-se: “A confirmação pública desses factos pelo próprio interveniente coloca-nos perante uma situação que suscita sérias e legítimas preocupações.” Os tricolores continuaram, argumentando que “a verificar-se que existiram propostas de valor substancialmente superior às que vieram a ser efetivamente praticadas, tal circunstância traduz-se, objetivamente, numa diminuição direta da receita a que o nosso clube teria direito. Mais ainda: a opção de alienar ativos desportivos por valores inferiores a propostas assumidamente superiores levanta inevitáveis questões quanto à plena salvaguarda dos interesses económicos do próprio Rio Ave FC e dos seus parceiros contratuais. Não se trata de conjectura. Trata-se de valores tornados públicos pelo próprio responsável máximo do grupo em causa.”

O Estrela da Amadora também abordou a questão da multipropriedade no futebol: “O Estrela da Amadora reconhece que o fenómeno da multipropriedade é hoje uma realidade do futebol global. Contudo, essa realidade não pode, em circunstância alguma, comprometer a transparência, a equidade económica, a proteção de terceiros contratualmente envolvidos ou a credibilidade das competições nacionais. O futebol português não pode correr o risco de ver clubes históricos transformados em meros instrumentos ao serviço de estratégias externas.”

Por fim, o clube da Amadora deixou claro que irá tomar todas as medidas necessárias para defender os seus interesses. “Acresce que qualquer divergência material entre valores de mercado publicamente assumidos e valores efetivamente praticados pode produzir impactos económicos mais amplos, incluindo efeitos reflexos na esfera fiscal inerente a operações desta natureza, matéria que, como é evidente, compete às autoridades competentes apreciar. Perante este enquadramento, o Estrela da Amadora irá reiterar a exigência de acesso integral à documentação da operação; recorrerá ao Tribunal Arbitral do Desporto para salvaguarda dos seus direitos e reserva-se o direito de participar às entidades competentes todos os factos públicos que, pela sua natureza, justifiquem averiguação adicional. O Estrela da Amadora continuará a agir com firmeza, responsabilidade e absoluto respeito pelas instituições, mas não deixará de defender integralmente os seus direitos nem de exigir a transparência que o futebol português merece.” O clube ameaça ainda “participar às entidades competentes todos os factos públicos que, pela sua natureza, justifiquem averiguação adicional” e promete continuar a “agir com firmeza, responsabilidade e absoluto respeito pelas instituições”, sem com isso deixar de “defender integralmente os seus direitos nem de exigir a transparência que o futebol português merece”.