Ian Cathro: "Hoje percebi que sou um treinador fraco"

  1. Ian Cathro, técnico do Estoril, criticou o futebol português.
  2. O Estoril perdeu por 3-1 para o FC Porto.
  3. Cathro expressou frustração com a gestão de jogo.
  4. A equipa do Estoril enfrentou lesões de jogadores.

Ian Cathro, técnico do Estoril, não poupou na ironia ao analisar a derrota caseira por 3-1 frente ao FC Porto, em jogo da 29.ª jornada da Liga. As suas declarações, carregadas de sarcasmo, pintam um quadro de frustração e um profundo descontentamento com a realidade do futebol português.

“Hoje percebi que sou um treinador fraco porque não pedi ao Robles para se atirar para o chão para podermos ajustar a pressão. Era o que devia ter feito. Daqui para a frente vou ser mais um desses”, afirmou Cathro, numa clara alusão a certas práticas observadas no futebol. Esta crítica, velada mas direta, aponta para uma falha sistémica que o treinador britânico parece recusar-se a compactuar. Cathro aprofundou a sua análise sobre as dificuldades sentidas em campo: “Essa segunda parte não me interessa nada. Também não vou estar aqui sem dar mérito ao adversário, estive lá no campo e sei que jogámos contra uma boa equipa. Uma equipa que entrou no jogo com muita energia, muita fome, muita intensidade, com o vento a ajudar um bocadinho, mas conseguiu impor intensidade em todas as ações. Nós tivemos esse problema, tivemos de ajudar e não conseguimos aquela comunicação. Ficou para o intervalo. Devia ter sido feito antes, com o guarda-redes no chão e o quadro tático na mão.” Reconhecendo as limitações da sua equipa, Cathro disse: “Tivemos dificuldades na pressão. Um dos lados estava mais ou menos controlado, mas eles ficaram com linhas para o lateral esquerdo dele que não deviam ter. Tentámos reajustar isso ao longo da primeira parte, com um toquezinho aqui e ali, mas é difícil fazer isso durante o jogo. Vou aprender, já chega.” Sobre as adaptações táticas e as condições físicas dos jogadores, o técnico revelou: “Toda a gente sabe que esse jogador tem características diferentes; a nível de posicionamento mantivemos igual, mas optámos por características diferentes nesse espaço. O Rafik entrou a fazer um esforço para estar em campo. A semana passada não conseguimos preencher o banco, hoje enchemos, mas tínhamos jogadores muito limitados, para não dizer lesionados. Fizemos este jogo com todos os centrais lesionados, o que não é fácil. Bacher fez um grande esforço para estar ali.”

A insatisfação de Cathro estendeu-se à atmosfera do futebol português que rodeia os seus jogos. “Não estive muito atento a isso. É triste, é feio e é triste. Mas eu sou estrangeiro, não vou estar a atirar pedras ao povo português porque quero estar aqui. Mas é triste e é feio e ponto final”, disse, mostrando que, apesar de querer integrar-se, não consegue ignorar certas realidades. As dificuldades táticas persistiram, como evidenciado na sua autocrítica: “Não teve a ver com o golo. Trabalhamos três ou quatro momentos defensivos, um deles foi o pontapé de baliza, quando o guarda-redes tem bola. A forma como pressionamos o guarda-redes ia-nos dar espaços no lado direito, mas durante o jogo não estávamos a conseguir ajudar o posicionamento nesse lado direito. Tentámos, mas falhei.” A questão dos adeptos adversários e o futuro do campeonato também foram abordados: “Esse é um dos problemas. Parece que está no ar que está feito e vamos deixar o tempo passar. É horrível. Além de termos mais adeptos adversários em nossa casa, é triste e feio, tu fazeres essa pergunta também é horrível. Não acho justo que a equipa que fica em sétimo ganhe o mesmo da que fica em décimo terceiro. Sei que nas próximas semanas vou levar com essa pergunta. Antigamente perguntavam-me pela manutenção. Temos um objetivo muito claro que é o desenvolvimento desta equipa e a estabilidade. Depois dessa primeira fase, temos de começar a trabalhar no futuro.” Apesar de não ter “responsabilidade pela perceção” dos outros, Cathro deixa claro que tem “responsabilidade pelas minhas palavras”, e as suas palavras, carregadas de honestidade e desilusão, certamente ecoarão no panorama do futebol português.

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