Análise dos Treinadores: Sporting 3-0 Estoril

  1. Sporting venceu o Estoril por 3-0.
  2. Jogo da 24.ª jornada da Liga.
  3. Ian Cathro (Estoril) criticou a falta de agressividade.
  4. Rui Borges (Sporting) elogiou o trabalho coletivo.

Após a vitória do Sporting sobre o Estoril por 3-0, os treinadores de ambas as equipas, Rui Borges e Ian Cathro, partilharam as suas análises sobre o jogo e as performances das suas equipas. As declarações de ambos os técnicos oferecem uma visão aprofundada dos desafios e dos pontos positivos que cada um identificou na partida da 24.ª jornada da Liga.

Ian Cathro, treinador do Estoril, expressou a sua frustração com o resultado, mas recusou a ideia de que a sua equipa só jogou nos primeiros dez minutos. “Penso que fizemos mais do que dez minutos. Não gosto da ideia de dizer que só jogámos dez minutos. Na primeira parte houve falta de agressividade, não conseguimos manter a nossa organização, sobretudo no lado esquerdo. Foi muito difícil. Sabemos que a equipa do Sporting tem bons jogadores em todo o lado e sofremos por isso. Perdemos o controlo da profundidade no primeiro golo. Com esse erro diante de uma boa equipa como o Sporting torna tudo mais difícil. A equipa quase que arrancou nessa primeira parte, mas permitiu sempre uma transição fácil à equipa do Sporting. Senti que não tivemos controlo na zona central. Na segunda parte tentámos resolver esses problemas, conseguimos e acho que produzimos um bom volume de jogo. Não há muitas equipas que façam esses dez minutos diante desta equipa do Sporting. Estamos a trabalhar apenas com dois centrais disponíveis, o Gonçalo Costa não tem muito ritmo de jogo. Claramente saímos daqui zangados e temos de melhorar”, afirmou Cathro. O treinador do Estoril sublinhou a importância de ser mais agressivo e controlar o meio-campo na segunda parte, destacando a melhoria no volume de jogo e nas recuperações de bola. “Talvez o controlo dessas situações que não correram tão bem na primeira parte. Fomos mais agressivos, conseguimos manter os médios no meio-campo e controlar melhor esse lado. Com o controlo do meio-campo, conseguimos mais volume de jogo e recuperações de bola. Isto não é uma surpresa para nós, sabemos que conseguimos fazer estas coisas, mas temos de melhorar. É preciso o trabalho de muita gente, não só eu”, acrescentou. Cathro também abordou as dificuldades ofensivas, referindo: “Ofensivamente, acho que houve problemas. Só consegues entrar no teu ritmo e ter volume de jogo ofensivo se estás bem organizado para uma possível perda de bola. Se tratas dessas coisas no lado defensivo, fica mais fácil ter volume de jogo ofensivamente. Acho que melhorámos claramente na segunda parte. Permitiu à equipa entrar no jogo mais forte. Hoje não conseguimos porque temos de sair daqui a olhar para um 3-0 que é horrível, mas quando estamos a conseguir este volume e não conseguimos fazer golo na primeira, nem na segunda, nem na terceira oportunidade, sabíamos que ia continuar assim até ao fim”. O foco agora é melhorar e aprender com a derrota, como afirmou Cathro: “Temos de sair daqui a olhar para um 3-0 que é horrível”.

Do lado do Sporting, Rui Borges elogiou o trabalho da equipa e da estrutura, considerando a vitória um mérito coletivo. “É mérito do trabalho, da equipa, dos treinadores, da estrutura. É um todo que é importante no dia-a-dia do Sporting. Em relação ao jogo, duas partes diferentes. Entrámos bem, não deixámos o Estoril jogar com bola, era importante não lhes dar essa confiança. Fomos sempre proativos. Fomos ao longo do tempo isso e, com bola, fomos sendo muito dinâmicos, fiéis à nossa ideia de jogo, à nossa imagem. Com qualidade, conseguimos chegar à zona de finalização e atacar as costas da linha defensiva do Estoril”, analisou Borges. O treinador reconheceu que na segunda parte a equipa falhou demasiados passes e permitiu que o Estoril ganhasse confiança. "Na segunda parte começámos a falhar demasiados passes quando ganhávamos a bola. Começámos a deixar que o Estoril ganhasse a confiança que não teve na primeira parte. Andaram mais perto da nossa baliza, a equipa manteve-se minimamente concentrada, a dupla de centrais fez um grande jogo. Pessoalmente, acho que foi um dos melhores jogos do [Gonçalo] Inácio. Era importante estarmos ligados nesse momento, conseguimos isso até ao fim. Mesmo assim fomos conseguindo sair, mas a obsessão de chegar à baliza levou-nos a perder muitas bolas. A malta que entrou trouxe alguma calma, era também importante alguma energia extra que perdemos em relação à primeira parte. Portanto, partes distintas, mas um jogo competente da nossa parte”.

Sobre a questão do espaço de João Simões, Rui Borges esclareceu a sua estratégia. “Perder espaço? O Simões entrou antes do Dani. Trata-se de estratégia, tem a ver com os momentos dos jogadores. O Morita fez uma primeira parte extraordinária. Desde que cheguei ao Sporting sempre disse que era um admirador do Morita. O João também já fez grandes jogos. É estratégia, não perdeu espaço nenhum. Todos jogam a um nível elevado, hoje o João entrou muito bem, o Dani também. Tem a ver com o momento, com o adversário. Muito feliz por ter os três. O Dani também está a crescer, teve uma paragem longa, está a ganhar confiança no seu jogo. Muito feliz por ele ganhar essa confiança a fazer golos”, explicou. Borges também comentou sobre Luís Suárez e a importância de Nuno Santos e Daniel Bragança. “Só penso nos que tenho. O Luis tem feito uma grande época, hoje fez dois golos, perdeu mais bolas do que é normal e do que ele gosta. Foi ele próprio que me disse isso”. E acrescentou: “Em relação ao 3-0, senti que a vida felizmente dá-nos isto. Gostaria que nem um nem outro passassem pelas lesões que tiveram. São dois jogadores com grande qualidade técnica. O Dani fez um trabalho excecional no golo, mas a assistência do Nuno também é simples. Ele está ciente da outra parte, da parte física, e sabe que para voltar a ser o melhor Nuno vai demorar tempo. Ele trabalha como ninguém, nós temos de ter essa paciência, mas feliz por ver os dois em campo. Jogadores como eles são precisos no relvado.” Quanto a Luís Guilherme, Borges afirmou que “Indiscutíveis não há. Tem jogado e isso é sinónimo que tem sido boa a adaptação dele. Tem correspondido ao que lhe tem sido pedido, tem vindo a crescer, está cada vez mais identificado com o Sporting, com a ideia, com a dinâmica do coletivo. Vai ser um miúdo com um futuro fantástico pela frente, mas vai continuar a trabalhar muito porque está numa equipa repleta de bons jogadores. Está no seu caminho e, felizmente, ainda bem que o temos do nosso lado”. A mobilidade da equipa é um ponto fulcral para o treinador. “A mobilidade da equipa é a nossa imagem. Não deixar os adversários confortáveis nas marcações. O futebol cada vez mais é mobilidade, dinâmica, não dá para ter o jogo parado. Dentro da nossa dinâmica, sabíamos que o Estoril ia pressionar alto, sabemos que o seu treinador gosta disso. É uma equipa que joga bem, tem uma identidade parecida com a nossa. Na segunda parte tivemos dificuldades, o Morita correu quilómetros. Era algo que sabíamos que ia acontecer pela variabilidade deles em termos ofensivos. Mas é a nossa marca. Procuramos sempre um outro comportamento, era importante ligarmos mais à frente, foi isso que aconteceu. O Luís quando baixava, a linha do Estoril parava, não tirava profundidade, e, dentro daquilo que é variabilidade das posições, conseguimos entender isso. Esses ataques à profundidade foi por aí, é a nossa imagem, a nossa dinâmica. A equipa está identificada com aquilo que é o nosso jogo.”

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