Com quatro vitórias em cinco jornadas, o Estoril atravessa um momento de forma positivo na Liga Betclic. Contudo, o técnico Ian Cathro mantém a prudência e alerta para o perigo da euforia, especialmente no que toca a uma possível chegada às competições europeias.
“Não temos a sensação de que estamos numa boa fase”
Ian Cathro explicou, na antevisão ao jogo com o Santa Clara, que no seio da equipa não existe a perceção de que estão numa boa fase. “Não temos a sensação de que estamos numa boa fase, porque estamos a trabalhar normalmente. Vivemos quase na obrigação de ganhar todos os jogos e quando não ganhamos ficamos todos lixados, à espera do dia seguinte para voltar a trabalhar, porque queremos trabalhar com exigência. Para um clube como o Estoril parece que estamos num bom momento e que andamos todos felizes, mas não. Nem é preciso dizer 'mete os pés no chão', porque não é assim”, explicou o treinador.
O técnico enfatizou a necessidade de trabalho contínuo e melhoria em todas as áreas do jogo, com especial atenção à defensiva. “Trabalhamos todos os dias para tentar melhorar em todas as áreas do nosso jogo, umas com mais prioridade do que outras, mas percebemos que é uma área que temos de melhorar [a defensiva]. E quando vou para a cama é para dormir, não é para sonhar. Já passei essa fase. Temos jogo amanhã, depois temos viagem e vamos voltar aos treinos. Temos de viver o presente”, salientou.
Análise ao adversário e condições climatéricas
Cathro reconhece a força do Santa Clara, apesar das dificuldades que o relvado e o clima nos Açores possam apresentar. “O Santa Clara é uma equipa muito forte, competitiva e que sabe competir de várias maneiras. Tem várias armas ofensivas e penso que os jogadores que chegaram este mês acrescentaram qualidade. Vamos ter um jogo muito difícil, mas preparámos a equipa”, assegurou.
O treinador admitiu que as condições climatéricas e do terreno de jogo podem influenciar a partida, mas espera que a sua equipa seja capaz de se adaptar. “Não podemos nem devemos fugir ao facto de que as condições à volta do jogo vão ter sempre algum impacto, é inevitável... Somos conscientes desses possíveis fatores, mas penso que não nos devemos preocupar tanto com o futuro, porque não sabemos exatamente quais são as condições que vamos encontrar. Nem quero perder muito tempo a pensar nisso. Se queremos competir ao melhor nível possível, temos de ser capazes de nos adaptarmos durante o jogo”, sublinhou.
Recordações da última deslocação aos Açores
O técnico abordou também a possibilidade de o Estoril alcançar a terceira vitória consecutiva na época, algo inédito para o clube. “O início da primeira volta foi muito chato, deixámos fugir alguns pontos nos primeiros jogos e foi horrível. Talvez levemos isto como uma motivação extra, mas acredito que não é preciso, porque queremos mesmo muito competir, fazer as coisas bem e melhorar. Acima de tudo melhorar e tentar ganhar todos os jogos”, concluiu.
Recorde-se que, na deslocação anterior aos Açores, o Estoril venceu o Santa Clara por 4-2, num jogo marcado pelas dificuldades impostas pelo relvado. Na altura, Ian Cathro lamentou o estado do gramado, afirmando: “Acho que é trabalho muito difícil para todos neste campo. É muito difícil para os jogadores e também complica muito o trabalho dos árbitros. Na verdade, fico um bocado triste pelo futebol português, porque a qualidade dos jogadores foi muito difícil de mostrar.”