Braga processa empresas por falhas estruturais no Estádio Municipal

  1. Câmara de Braga processa sete empresas
  2. Custos de segurança estimados em 20 milhões de euros
  3. 23 ancoragens afetadas por corrosão
  4. Relatório de 2015 da AfaConsulting já alertava para o problema

A Câmara Municipal de Braga avançou com uma ação judicial no Tribunal Administrativo do Porto contra sete empresas que integraram o consórcio responsável pela construção do Estádio Municipal. A autarquia exige que estas empresas substituam as ancoragens danificadas ou que assumam os elevados custos de reposição da segurança estrutural do recinto, que se estima em 20 milhões de euros. Os problemas detetados afetam a cobertura e a bancada poente, com a deteção de “roturas sucessivas, cedências e fenómenos de degradação que afetam elementos essenciais ao funcionamento do estádio”.

Em causa, segundo o Jornal de Notícias, estão “23 ancoragens 'estragadas', devido à corrosão”, um problema já identificado num relatório de 2015 da AfaConsulting. Esse relatório alertava ainda que outras ancoragens poderiam deteriorar-se, podendo levar à necessidade de evacuação do estádio em casos extremos. A autarquia já investiu 300 mil euros na reparação destas ancoragens. O Laboratório Nacional de Engenharia Civil, que também contribuiu com um parecer para a ação, confirmou existir “deficiências no sistema de proteção contra a corrosão, em zonas de ligação e acoplamento dos varões”, embora tenha afastado defeitos no aço utilizado.

A Câmara Municipal sublinha que o facto de ser proprietária do equipamento há 23 anos “não pode funcionar como exoneração automática de responsabilidade quando estão em causa defeitos apenas detetáveis mediante conhecimento técnico especializado”. As empresas visadas são a Casais Engenharia & Construção, Elevolution – Engenharia, Rodrigues & Névoa 2 (atual OmniRodrigues), Domingos da Silva Teixeira (DST), Alexandre Barbosa Borges (ABB), J. Gomes – Sociedade de Construções do Cávado e Sociedade de Construções da África Austral (ex-Soares da Costa). Contudo, uma fonte do extinto consórcio, citada pelo JN, defende que a ação não faz sentido e é extemporânea, relembrando que a construtora DST já havia realizado “reparações das ancoragens, por 300 mil euros”, sem que novas anomalias tivessem sido reportadas após as intervenções. Além disso, o Sporting de Braga “manifestou interesse em adquirir o estádio, mas não chegou a acordo com a Câmara, que pedia 20 milhões de euros, a pagar em prestações”, com as negociações a prosseguirem.

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