Carlos Vicens faz balanço da época no SC Braga e fala sobre Guardiola

  1. Carlos Vicens completou a primeira época como técnico principal em Portugal.
  2. Braga alcançou o 4.º lugar na Liga e as meias-finais da Liga Europa.
  3. Vicens trabalhou como adjunto de Guardiola no Manchester City.
  4. O treinador falou sobre os rumores que o ligavam ao Benfica.

Carlos Vicens, treinador do SC Braga, fez um balanço pormenorizado da sua primeira temporada como técnico principal em Portugal. Após um percurso notável como adjunto de Pep Guardiola no Manchester City, Vicens assumiu o comando dos minhotos, levando-os ao 4.º lugar na Liga e às meias-finais da Liga Europa. Em entrevista à rádio COPE Baleares, o técnico espanhol destacou a progressão da equipa como o seu maior motivo de orgulho.

“Seguramente o que me deixa mais satisfeito é ter visto a progressão da equipa. Chegámos, uma equipa técnica nova que nunca tinha trabalhado junta, a um país diferente. Tínhamos as nossas ideias, mas há um processo de adaptação para tentar incutir o que pretendes. A partir de outubro, mais ou menos, a equipa já tinha uma ideia clara de como se comportar e viu-se uma grande progressão, com uma identidade de jogo que já está implementada”, explicou Vicens, sublinhando o desenvolvimento e amadurecimento tático do grupo ao longo da temporada. Esta adaptação e implementação de uma identidade de jogo sólida foram, para o treinador, os pilares do sucesso alcançado, apesar de uma estreia no campeonato português e na Taça de Portugal que não foi particularmente feliz, mas onde esteve perto de chegar à final da Liga Europa.

O percurso europeu do SC Braga, que incluiu a eliminação do Betis, terminou nas meias-finais frente ao Friburgo. Vicens recorda a crescente expectativa e a forma como a equipa soube lidar com os momentos cruciais. “À medida que íamos superando as rondas da Liga Europa, dávamo-nos conta de que o clube só tinha chegado a uma final há 15 anos e que só nessa ocasião tinha passado dos quartos de final. A equipa tinha identificado como jogar e como se devia comportar”, referiu. Essa consciência tática e mental permitiu à equipa enfrentar desafios de alto nível com mais tranquilidade e confiança. A decisão de deixar o Manchester City, onde trabalhou com Pep Guardiola, não foi fácil, mas a ambição de ser treinador principal falou mais alto. “É verdade que não é fácil tomar a decisão de sair de um lugar como aquele, um clube imenso numa das ligas mais competitivas do mundo e a trabalhar com, provavelmente, o melhor treinador que já existiu. Tinha esta ambição e motivação para ser treinador principal, surgiu esta oportunidade e convenceu-me a motivação do presidente e o seu projeto”, confessou, referindo-se ao desafio e à oportunidade em Braga.

Questionado sobre os rumores que o apontavam como possível sucessor de José Mourinho no Benfica, Carlos Vicens preferiu manter-se focado no seu trabalho atual. “Estive bastante à margem dos rumores, tivemos coisas importantes em jogo até ao final. Tentas manter-te à margem porque tens muito trabalho no dia a dia. Agora é planear a próxima época para obter as peças que nos faltam”, afirmou, demonstrando um compromisso total com o projeto do SC Braga. O técnico abordou ainda a saída de Guardiola do Manchester City, com quem teve o privilégio de trabalhar. “Tive o privilégio de assistir no passado domingo à despedida; acima de tudo, espero que possa aproveitar o seu tempo livre, algo que nestes temporadas quase não teve. Sobretudo agradecer-lhe pelo apoio e por tudo o que fez nestes anos no futebol. Não acredito que vá treinar agora; tudo acontece muito rapidamente, foram dez anos sem parar, com muitos jogos, muita tensão competitiva. Quando olhas para trás pensas: uau, dez anos. Agora é tempo de descansar”, concluiu, expressando os seus votos de descanso ao seu antigo mentor e amigo. Este balanço reflete uma temporada de aprendizagem e crescimento, onde Vicens conseguiu imprimir a sua marca no SC Braga e projetar um futuro promissor no futebol português.

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