O Estádio do Bessa, casa do Boavista há 22 anos, e o respectivo complexo desportivo no Porto, serão leiloados a partir de 27 de abril. O valor base para a venda conjunta ultrapassa os 38 milhões de euros, no âmbito do processo de insolvência do clube. Este leilão surge num momento de grandes dificuldades financeiras para o Boavista, que acumula dívidas superiores a 150 milhões de euros.
A claque Panteras Negras
anunciou que vai tentar travar judicialmente a venda dos bens, afirmando que está a trabalhar com o seu departamento jurídico para “requerer a nulidade total do processo de insolvência” e suspender a alienação dos ativos. Em comunicado, a claque acusa a atual direção de uma estratégia suicida
e falta de transparência, salientando que “não permitiremos que o património, erguido com o suor de gerações, seja entregue sem que todas as instâncias de defesa sejam esgotadas”. Critica também o Conselho Geral do clube, considerando que os seus membros serão “tão culpados por esta catástrofe” como a direção, se continuarem a “caucionar este caminho de destruição”.
A LEILOSOC Worldwide, entidade responsável pelo leilão eletrónico, esclareceu os detalhes dos valores. O Estádio do Bessa tem um valor base avaliado em mais de 31 milhões de euros, com o valor mínimo de licitação a situar-se nos 27 milhões. O complexo desportivo, por sua vez, tem um valor base de quase sete milhões de euros, sendo que o mínimo não atinge os seis milhões. A licitação conjunta para ambos os imóveis tem um valor base de quase 38 milhões de euros, com o valor mínimo a começar em cerca de 33 milhões. Os interessados em participar no leilão deverão pagar uma caução de 25 mil euros. Os prazos de licitação decorrem de 27 de abril a 20 de maio. A liquidação do património do Boavista foi aprovada em setembro de 2025 para tentar conter os prejuízos da massa insolvente. Em fevereiro, a administradora de insolvência retirou os poderes à direção do clube, após falhas no pagamento de despesas, que apenas foram regularizadas com a intervenção do acionista maioritário da SAD, Gérard Lopez. Esta intervenção permitiu ao Boavista preservar as modalidades amadoras e evitar o encerramento imediato da atividade do clube.
O Boavista, campeão nacional em 2000/01, terminou 11 épocas consecutivas na I Liga com uma descida em 2025. Atualmente, a SAD do clube ocupa o último lugar do escalão principal da AF Porto e joga no Parque Desportivo de Ramalde, uma vez que o Estádio do Bessa está inutilizado desde maio do ano passado. O clube chegou a inscrever-se na última divisão distrital, mas abdicou de competir em outubro de 2025 devido à solidariedade com as dívidas da SAD e impedimentos da FIFA. Em 2025, o líder dos Panteras Negras
fundou o Panteras Negras Footballers Club, um projeto independente com o objetivo de reconstruir o clube no futuro.