O SC Braga tem vindo a somar uma campanha europeia notável. Os Guerreiros do Minho
, que iniciaram a sua jornada na 2.ª pré-eliminatória da Liga Europa, demonstraram grande competência, superando obstáculos e atingindo um patamar elevado na competição. Com 16 jogos disputados, o registo de 11 vitórias, três empates e apenas duas derrotas, juntamente com um saldo de golos de 29-9, atesta a solidez da equipa minhota.
O próximo desafio é o Betis, nos quartos de final da Liga Europa. Para analisar este embate, a comunicação social conversou com Paulão, antigo defesa-central que representou ambos os clubes. Paulão, que vestiu a camisola bracarense entre 2009 e 2011, e depois jogou pelo emblema de Sevilha, antevê uma eliminatória equilibrada, ainda que com um ligeiro favoritismo para o Betis. No entanto, o antigo jogador deposita grande confiança nos bracarenses: “Acima de tudo, acho que serão dois jogos extremamente competitivos e que, em teoria, têm tudo para ser duas grandes partidas de futebol. Talvez possa assumir que o Betis entre com alguma vantagem, mas, muito sinceramente, acredito no SC Braga”, começou por projetar. A chave para Paulão reside no jogo em casa: “O jogo em casa, na primeira mão, será muito importante. É fundamental que o SC Braga consiga uma vitória neste primeiro desafio. E acredito bastante que isso possa acontecer. Estamos a falar de um jogo na Pedreira, num estádio que deverá estar muito bem composto ou até mesmo cheio, pelo que a força dos adeptos pode ser tremendamente importante para que a equipa alcance esse triunfo. Se assim for, tudo pode acontecer, depois, na segunda mão.”
Paulão recordou ainda o seu período no SC Braga, onde esteve perto de meia centena de jogos, e a final da Liga Europa de 2011, perdida para o FC Porto. “Claro que terei eternamente o SC Braga no meu coração. Guardo um pouco de cada clube que representei e o SC Braga, claro, não foge à regra. Mas além desse carinho, assim como pelos adeptos e pelos meus antigos companheiros de equipa, não posso deixar de dizer que tenho uma tremenda admiração por António Salvador. É um verdadeiro líder, um presidente com todas as letras. Muito do crescimento e do sucesso que o SC Braga tem tido nos últimos anos a ele se deve, fruto do extraordinário trabalho que tem realizado. E se há pessoa que merece voltar a uma final europeia e, quem sabe, vencer, é o presidente António Salvador. Na nossa época não lhe conseguimos oferecer esse título, mas talvez agora a história possa ser outra”, assumiu, sem rodeios. Sobre a final de 2011, Paulão relembrou: “Foi um grande jogo. Fizemos um percurso incrível e a partir do momento em que eliminámos o Liverpool [nos oitavos de final, com 1-0 em Portugal e 0-0 em Inglaterra] acreditámos ainda mais que seria possível chegarmos à final e, porventura, conquistar a Liga Europa. Infelizmente, acabámos por perder com o FC Porto, mas essa final também poderia ter caído para o nosso lado, fizemos uma tremenda exibição.” Questionado sobre a possibilidade de a atual equipa superar a caminhada de 2011, Paulão exalta: “Que assim seja! Nem posso imaginar como eu próprio ficaria feliz. Seria um momento inesquecível para o clube e para os seus adeptos, pelo que fico a torcer que isso possa acontecer. Se eliminarem o Betis, as possibilidades aumentam bastante.”
Ricardo Horta, capitão da equipa bracarense, reconhece as dificuldades que o Betis irá apresentar, mas afirma que a equipa está preparada. “Estamos preparados, bastante motivados para jogar esta fase da Liga Europa, não é todos os anos que o SC Braga está nesta posição de defrontar o Betis nos quartos de final. O Betis é uma equipa muito competitiva, está em 5.º lugar da liga espanhola, uma das mais competitivas do mundo e por isso estamos preparados para mostrarmos aquilo que valemos”, disse Ricardo Horta em conferência de imprensa. Relativamente ao favoritismo do adversário, o capitão arsenalista sublinha: “É um dos favoritos, tal como nós e todas as outras equipas que estão na competição. Têm qualidade, jogadores internacionais, mas trabalhamos e preparamo-nos para fazer um bom jogo que vai ser muito competitivo. Mas, a eliminatória não acaba amanhã, pois ainda há a segunda mão em Sevilha. Queremos fazer um jogo personalizado, com bola, demonstrando a capacidade que temos nesse momento e procurar levar um bom resultado para Sevilha.” Horta insiste na importância da eliminatória: “Ainda faltam alguns jogos na Liga. Nesta eliminatória que temos pela frente é necessário meter as fichas todas, pois é especial para o clube e para muitos jogadores que fazem parte do plantel, pois nem tinham jogado nesta competição e estarmos nesta fase aumenta a ilusão. Queremos que chegue a hora do jogo para mostrarmos a nossa qualidade.” Apesar dos números individuais que tem alcançado, Ricardo Horta foca-se no objetivo coletivo: “Não é um objetivo, prefiro ganhar todos os jogos do que marcar mais um golo ou fazer uma assistência. Coloco sempre o coletivo à frente do individual, claro que fazendo assistência ou golo a equipa fica mais perto de ganhar e é para isso que me pagam.”