A jornada do futebol português após a pausa para as seleções nacionais revelou-se um desafio para as equipas. O Sporting de Braga conseguiu um triunfo no Dérbi do Minho, e o Alverca quebrou uma sequência negativa em Vila do Conde. As reações dos protagonistas evidenciaram a importância dos resultados e as lições aprendidas.
O Moreirense de Kiko Bondoso não conseguiu inverter o rumo de resultados negativos. O médio reconheceu as dificuldades, afirmando: “Acontece sempre termos estes momentos em que não estamos tão bem, estas fases menos boas. A única maneira de sair disto é treinar mais, ter mais vontade, mais ambição para inverter este rumo. Nestes jogos contra este tipo de equipas, com qualidade, se não formos ambiciosos na forma de pressionar, de subirmos todos a uma só voz, fica difícil porque ´andamos sempre a correr atrás da bola. Serve de aprendizagem. Cabe-nos analisar e trabalhar para ser melhores todos os dias porque queremos ir para esses palcos”, sublinhou. O treinador do Moreirense, Vasco Botelho da Costa, foi mais crítico em relação à postura da sua equipa: “Acho que tivemos demasiado respeito pelo Braga, em determinado momento parecia que estávamos a jogar contra uma superequipa, a diferença era gigante. Pressionámos bastante bem, quando ativámos as nossas pressões obrigámos o Braga a jogar longo, mas depois não fomos eficazes na primeira e na segunda bola. Penso que não houve grandes situações e aproximações, as grandes oportunidades junto da nossa baliza surgem de bola parada, tínhamos obrigação de fazer muito melhor no golo sofrido, estávamos avisados. Ofensivamente acho que fizemos pouco, fomos pouco ambiciosos. Tínhamos de ser práticos e objetivos, das vezes que saímos da pressão mastigámos muito o jogo e não fomos práticos. Sem por a v”.
Do lado do Sporting de Braga, o regresso à titularidade de Fran Navarro foi coroado com um golo decisivo. O avançado espanhol expressou a sua satisfação, “Feliz por voltar à titularidade e pelo golo”. Ele acrescentou, compreendendo as escolhas do técnico: “O míster tem de eleger 11 jogadores. Nas últimas partidas não fui tantas vezes titular. Deram-me o lugar e aproveitei”. O capitão Ricardo Horta, por sua vez, destacou a dificuldade do terreno de jogo, referindo: “Campo dificílimo de jogar, nos últimos anos temos ganho sempre nos últimos minutos. Foi uma vitória sólida, fomos competentes nos 90 minutos”. Já com o foco no próximo desafio europeu, Horta garantiu: “Estamos preparados, temos tido sempre meses assim, exigentes. Quarta-feira temos um compromisso europeu muito exigente, queremos estar à altura deste desafio”.
O técnico do Sporting de Braga, Carlos Vicens, analisou o desempenho da sua equipa, focando-se na abordagem pós-seleções e no controlo do jogo. “Quando estás a jogar fora de casa, contra uma boa equipa, em que o resultado está justo depois de não conseguires matar o jogo, pode acontecer numa ocasião, numa bola parada, um golo, há essa sensação. Mas, conseguimos que isso não acontecesse e na maioria do tempo tivemos o controlo. Há dias que se resolve rápido, outros em que não. Gostei da segunda parte porque a equipa nunca deixou de atacar e de procurar o segundo”, afirmou Vicens. O treinador admitiu que a gestão da fase final poderia ter sido melhor: “Devíamos ter tido mais organização no controlo na fase final, permitir menos lances”. Ele complementou a sua análise sobre o controlo do jogo: “A equipa conseguiu controlar o jogo a maior parte do tempo, tendo a bola, excetuando os últimos minutos. Quando jogas fora de casa com o resultado justo, uma transição, uma bola parada, há a sensação de que o rival está próximo de empatar. Devíamos ter tido um pouco mais de calma, com o controlo do jogo. Mas, em geral, a equipa comportou-se bem defensivamente e ofensivamente. Há sempre aspetos a melhorar e que, hoje, podíamos ter feito melhor. Há que recuperar a equipa, para enfrentar o próximo duelo com confiança”. Relativamente ao impacto da pausa para as seleções: “Nos jogos fora de casa, contra equipas que jogam bem, quando o resultado está justo e não há sempre o risco de sofrer o golo numa bola parada ou num ataque organizado... Conseguimos que isso não acontecesse. O que mais gostei foi que a equipa nunca deixou de procurar atacar, teve sempre a intenção de chegar ao segundo golo e por isso esteve muito tempo no meio campo contrário. Não conseguimos o segundo golo, mas vamos contentes por termos conseguido os três pontos”. Ele reiterou a dificuldade dos jogos após paragens: “É o primeiro jogo depois da pausa para as seleções, é sempre um pouco mais complicado. Ganhamos e agora olhamos para o próximo jogo com confiança e muita ambição”. Por fim, Vicens comentou o regresso de El Ouazzani: “É mais uma boa opção, levava muitos meses sem competir. Optamos por colocá-lo em campo para nos ajudar. Estamos contentes por o ter de volta, é mais um a somar para nos ajudar”. O Alverca, por sua vez, demonstrou resiliência ao quebrar a sua série de jogos sem vencer, batendo o Rio Ave por 2-1 em Vila do Conde, um resultado que os colocou acima dos vilacondenses na tabela classificativa. Esta vitória representa um alívio e um novo fôlego para a equipa ribatejana na luta pela manutenção. Enquanto isso, o Nacional também reencontrou o caminho das vitórias na I Liga, triunfando frente ao Estrela da Amadora, num jogo onde o golo de Chucho Ramírez foi determinante para o resultado final. O cenário pós-pausa internacional, portanto, ofereceu emoção e reviravoltas aos adeptos do futebol português.