Dérbi minhoto: A controvérsia em torno da atuação da PSP

  1. PSP proíbe tarja de adeptos do SC Braga
  2. Iniciativa Liberal questiona Ministro da Administração Interna
  3. PSP justifica proibição por "riscos reais e significativos"
  4. SC Braga refuta justificações da PSP "forte odor a outros tempos"

A atuação da Polícia de Segurança Pública (PSP) no dérbi minhoto entre SC Braga e Vitória de Guimarães, no passado sábado, continua a gerar controvérsia e fortes reações. Desde a proibição da exibição de uma tarja por parte dos adeptos bracarenses à detenção de um indivíduo e identificação de dezenas de outros, a operação policial tem sido alvo de escrutínio por parte de várias entidades, incluindo o próprio SC Braga e a Iniciativa Liberal.

O grupo parlamentar da Iniciativa Liberal, através de Rui Rocha, antigo líder do partido e vereador na Câmara Municipal de Braga, anunciou ter enviado um conjunto de questões ao Ministro da Administração Interna, Luís Neves, procurando explicações para os acontecimentos. Rui Rocha expressou a preocupação do partido, afirmando que: “Os acontecimentos de ontem no Estádio Municipal de Braga são profundamente preocupantes. Estaremos sempre ao lado das forças da ordem quando elas atuam dentro dos limites da lei, mas somos também intransigentes na defesa dos direitos, liberdades e garantias dos cidadãos. Quando um conjunto de adeptos, sócios, simpatizantes do Sp. Braga se envolve durante semanas na preparação de uma tela para celebrar a sua cidade e a sua história e depois são impedidos pelas forças da ordem de o fazer no estádio, nós queremos perceber porquê. Porque o que está em causa é a liberdade de expressão e dos cidadão se manifestarem livremente”. A Iniciativa Liberal pretende, assim, perceber “qual foi o critério, qual era o risco e porquê aquele procedimento. Em função das respostas, não deixaremos tomar as decisões e as medidas considerarmos adequadas a que a liberdade de expressão seja sempre salvaguardada, obviamente garantindo também às forças da ordem que dentro dos limites da lei têm condições para atuar, se tal se justificar.”

A PSP, em comunicado, informou que a operação resultou na identificação de mais de 50 adeptos e na detenção de um homem por “crime de ameaças a agente de autoridade”. A proibição da coreografia foi justificada pela PSP devido aos “riscos reais e significativos para a integridade física dos adeptos presentes na bancada nascente”, citando a natureza inflamável do material da tarja e a sua proximidade com fontes de calor. Contudo, o SC Braga reagiu de forma veemente a este comunicado, refutando as justificações da PSP. Em comunicado oficial, o clube arsenalista declarou: “A PSP confirma, tal como o SC Braga ontem denunciou, que censurou o clube e os seus sócios e adeptos. Que em 2026 exista em Portugal uma força de segurança que rasura mensagens pela análise da sua significância é algo que a todos, enquanto sociedade, nos deve preocupar, não podendo deixar de ser notado o forte odor a outros tempos, nada saudosos”. O clube sublinhou ainda que "A PSP introduz como dado novo a proximidade da tela que iria ser erguida com fontes de calor.

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