Racismo no futebol: Artur Jorge condena e Benfica criticado

  1. Artur Jorge condena racismo no desporto
  2. Benfica criticado por gestão do incidente
  3. Luís Vaz Fernandes fala em "falta de compreensão"
  4. Daniel Sá aponta impacto "momentâneo" para o Benfica

O futebol português debate o incidente entre Gianluca Prestianni, do Benfica, e Vinicius Júnior, do Real Madrid, com o técnico do Sporting de Braga, Artur Jorge, a sublinhar a importância do respeito e a condenação do racismo. Enquanto o Benfica lida com as repercussões e as críticas à sua comunicação, o apelo por um desporto livre de preconceitos ganha força.

Em declarações na antevisão do jogo contra o Vitória de Guimarães, Artur Jorge destacou a responsabilidade de todos os envolvidos no futebol na promoção de valores positivos. Artur Jorge afirmou: “Do lado do Braga, o que posso dizer é que, como profissionais e também como cidadãos integrados numa comunidade, queremos ajudar a que um dos valores que impere no desporto e no futebol seja o respeito e não dar vida ao racismo. Como cidadãos, temos que ajudar a que estes temas não existam. Tem de haver respeito e, obviamente, sem racismo.” Esta posição reflete a crescente preocupação em erradicar atos discriminatórios do desporto. Sobre a possível proibição da FIFA de os jogadores taparem a boca, o técnico não expressou uma opinião formada, mas ressalvou a complexidade da questão. “Mas, há assuntos que queres comentar com um companheiro e não queres que as câmaras ouçam sem que tenha a ver com o adversário. São temas delicados, não é tão fácil impor leis. O que tem de imperar são os valores do desporto e da sociedade e dizer não ao racismo”, concluiu o técnico.

Entretanto, a gestão do incidente por parte do Benfica tem sido alvo de críticas. Luís Vaz Fernandes, responsável pela comunicação de ONG antirracistas, considerou que o Benfica mostrou “falta de compreensão do que é o racismo” na sua reação à acusação. “Ao pôr-se ao lado de alguém que está a ser acusado de racismo, o Benfica mostra que não está preparado para compreender ainda os debates sociais. E reflete muito o que se passa no país”, disse Vaz Fernandes, destacando a superficialidade da comunicação. “A questão superficial nota-se, por exemplo, quando o Benfica diz que o melhor jogador de sempre no clube foi o Eusébio ou que tem jogadores negros. Parece quase aquela máxima: Até tenho um amigo que é negro, portanto não sou racista. Isso mostra uma falta de compreensão do que é o racismo. E mostra falta de sensibilidade”, criticou. Daniel Sá, diretor executivo do IPAM, apontou que, embora o episódio seja “mau” e tenha um “impacto negativo”, este será “momentâneo” para a marca Benfica, devido aos “ciclos de comunicação muito curtos” no futebol. Contudo, defende que “é preciso respeitar a investigação da UEFA” e que o Benfica e o Real Madrid são “marcas integradoras, que integram as pessoas de todas as crenças, origens, cores, e diversas”.

Luís Vaz Fernandes sublinhou ainda que “Cada vez que há um caso de racismo público, é tudo muito superficial. Há uma forma de comunicar que mostra que ainda não se fez esse trabalho de compreender o passado do país, de compreender porque é importante termos em conta a experiência e as dificuldades de uma parte da população portuguesa”, o que demonstra um problema mais abrangente na forma como Portugal aborda estas questões. O Benfica já abriu um processo interno aos adeptos envolvidos, demonstrando algum reconhecimento da gravidade da situação. A contínua discussão sobre o caso sublinha a urgência de uma abordagem mais consciente e proativa por parte dos clubes e entidades desportivas no combate ao racismo.