O Boavista, um nome histórico do futebol português, enfrenta uma situação delicada que pode levar à sua desclassificação das divisões distritais da Associação de Futebol do Porto (AF Porto). A equipa gerida pelo clube falhou os últimos três encontros, acumulando derrotas administrativas e gerando um processo disciplinar por parte da AF Porto. Este cenário tem as suas raízes em dificuldades financeiras e impedimentos de inscrição de jogadores, estendendo-se entre as equipas do clube e a SAD.
Segundo informações apuradas, a AF Porto abriu um processo contra o clube na terça-feira, seis dias após anular a visita dos axadrezados ao Ventura, num jogo em atraso da primeira jornada da Série 5. Esta situação assemelha-se ao que já havia acontecido na jornada anterior, quando os axadrezados viram o seu jogo contra o Panteras Negras FC, uma equipa nascida no seio da claque do Boavista, ser anulado, resultando numa derrota por falta de comparência (3-0).
A Crítica do Panteras Negras FC
Este incidente motivou críticas do Panteras Negras FC, que, numa nota publicada nas redes sociais, expressou: ““O presidente e a direção do Boavista lutam tendo como objetivo iludir a maioria dos seus associados. Sustentados por sistemáticas falsas promessas de inscrição da equipa, ilude também a AF Porto que, semana após semana, de forma permissiva aumenta a instabilidade das competições onde envolve os seus associados que, com inúmeras dificuldades, cumprem com o que lhes é exigido. É altura de defender todos os que nela confiam””
. O Panteras Negras FC também confirmou a anulação da partida: ““Por nós não passarão. Por não continuarão a matar o Boavista. Por falta de comparência do Boavista ao jogo que teria lugar no próximo domingo, o jogo não se realizará.””
Regulamento Disciplinar da AF Porto
A falta de comparência é resultante do facto de o Boavista não ter ainda inscrito jogadores suficientes para ir a campo, conforme se pode ler no sexto ponto do 58.º artigo do regulamento disciplinar do regulador dos escalões distritais portuenses. ““É equiparada à falta de comparência a situação em que um clube, às 12h00 do último dia útil anterior a um jogo, não tiver inscrito um número suficiente de jogadores que o possam representar, podendo a AF Porto proceder à desmarcação do jogo””
, esclarece o regulamento.
A ausência de pressupostos financeiros sustentou este desfecho. O processo disciplinar em curso visa perceber se o cenário se enquadra em sucessivas faltas de comparência do clube.
Possível Desclassificação do Boavista
De acordo com os pontos três e dois dos artigos 58.º e 46.º do documento, em caso de falta de comparência injustificada em dois jogos oficiais seguidos ou três interpolados, o clube infrator é desclassificado da prova em que está inserido e multado em 600 euros. Neste momento, o Conselho de Disciplina avaliará se as duas situações, tanto diante do Panteras Negras FC como com o Ventura SC, se enquadram em faltas de comparência consecutivas que levem à desclassificação dos axadrezados.
O Boavista terá, naturalmente, a oportunidade de se defender.
Declarações de Rui Garrido Pereira
Em 15 de outubro, dia em que o Boavista não efetuou a partida com o Ventura, em Leça da Palmeira, o presidente de honra do Boavista, Rui Garrido Pereira, disse à Lusa que recebe ““desde o primeiro instante promessas da SAD””
sobre o levantamento dos impedimentos, mas reconhece que ““não há diferença entre clube e SAD para a FIFA.””
A Situação da SAD do Boavista
É fundamental notar que o clube ainda não competiu em 2025/26, ao contrário da SAD, que, apesar de estar na 18.ª e última posição da divisão principal da AF Porto, com quatro embates perdidos e três adiados, continua a tentar resolver as restrições da FIFA. Duas incidem sobre três períodos de inscrição e quatro têm duração ilimitada, reaparecendo em março e impossibilitando a utilização dos reforços oficializados durante o verão.
Rebaixamento e Novo Capítulo
A Boavista SAD deveria ter disputado a II Liga em 2025/26, mas não conseguiu inscrever-se nas provas organizadas pela Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP). Adicionalmente, viu negado o licenciamento para participar na Liga 3, tutelada pela Federação Portuguesa de Futebol (FPF), sendo, por fim, relegada para os escalões distritais da AF Porto. Este cenário levou o clube a criar uma equipa sénior independente da SAD, cujo plano de recuperação foi aprovado por maioria pelos credores. A liquidação do clube também foi ratificada em assembleia de credores, que rejeitaram o adiamento por 30 dias da votação do plano de recuperação da direção de Rui Garrido Pereira, que já recorreu da deliberação. Despromovido à II Liga em maio, após fechar a edição 2024/25 da I Liga no 18.º e último lugar, com 24 pontos, o Boavista concluiu um trajeto de 11 épocas consecutivas no escalão principal, sendo um dos cinco campeões nacionais da história, face ao título conquistado em 2000/01.