O Boavista Futebol Clube alcançou um acordo vital com os seus credores, afastando com sucesso a ameaça iminente de encerramento das suas atividades, conforme revelado esta terça-feira. Este desenvolvimento surge na sequência de um período de considerável incerteza, durante o qual a administradora judicial responsável pela insolvência do clube havia solicitado ao Tribunal de Comércio de Gaia a liquidação da instituição. A decisão de assegurar a continuidade das operações foi formalizada na Assembleia de Credores, onde a proposta da direção axadrezada para a viabilização do plano de recuperação financeira foi aprovada. Este acordo, embora não constitua uma solução definitiva para todos os desafios financeiros, representa um passo fundamental para a manutenção das diversas modalidades desportivas do clube.
Paralelamente a este esforço de reestruturação, o Boavista lançou a campanha Boavista, Sempre!
, uma iniciativa estratégica destinada à angariação de fundos cruciais para garantir a sustentabilidade futura do clube. A campanha visa mobilizar a vasta comunidade desportiva, bem como a sociedade em geral, sublinhando o papel do Boavista enquanto pilar de história, identidade e resiliência no panorama desportivo nacional. As contribuições financeiras solicitadas variam entre 40, 400, 4.000 e 40.000 euros, cada patamar oferecendo vantagens específicas aos participantes e apoiantes. Adicionalmente, a campanha procura ativamente angariar novos associados, procurando solidificar e expandir a base de apoio do clube.
O Contexto da Crise e a Intervenção Judicial
O pedido inicial de encerramento, formulado pela administradora judicial, teve origem na acumulação substancial de dívidas no âmbito da massa insolvente do clube e na ausência de receitas previamente antecipadas. Entre estas receitas, destacavam-se particularmente as provenientes do protocolo estabelecido com a Boavista SAD. Credores de grande relevância, como a Autoridade Tributária e a construtora Somague, manifestaram-se a favor do encerramento já em novembro do ano transato, uma decisão que havia sido adiada em outubro com a expectativa de que novas fontes de receita surgissem.
Em resposta a esta situação crítica, o clube expressou profunda surpresa perante o pedido de encerramento e garantiu publicamente que envidaria todos os esforços e tomaria as medidas necessárias para assegurar a continuidade do seu funcionamento. A direção axadrezada esclareceu ainda que o incumprimento do protocolo por parte da Boavista SAD foi um fator determinante na origem da situação de insolvência que o clube atravessava. Perante este cenário, o Boavista solicitou formalmente a intervenção do Tribunal para garantir o cumprimento integral do protocolo pela SAD ou, alternativamente, a libertação das instalações do clube, permitindo assim uma maior autonomia operacional.
Perspetivas de Recuperação e Sustentabilidade
Com a concretização deste novo acordo, o Boavista FC assume o compromisso rigoroso de cobrir o défice mensal da sua exploração, garantindo de forma contínua a operacionalidade das suas estruturas e, consequentemente, a prática desportiva de aproximadamente 2.000 atletas distribuídos por várias modalidades. Este compromisso é visto como um pilar essencial para a estabilidade imediata do clube.
A direção do Boavista salienta que permanece em negociações ativas com diversas entidades públicas e investidores privados, com o objetivo primordial de encontrar uma solução estrutural e verdadeiramente sustentável. Esta solução visa permitir a liquidação definitiva das dívidas acumuladas e assegurar a viabilidade a longo prazo do Boavista. Este recente desenvolvimento confere um alívio significativo à instituição e abre caminho para uma recuperação financeira e desportiva mais sólida, reafirmando o inabalável compromisso do clube com a defesa dos seus praticantes e a preservação do seu valioso património desportivo.