António Simões, uma das lendas do futebol português e campeão europeu pelo Benfica em 1962, recusou um convite de Pedro Proença, presidente da FPF, para marcar presença no Mundial. Aos 82 anos, o Magriço
justificou a sua ausência com dificuldades de mobilidade, resultantes de uma fratura de fémur sofrida num assalto em Cabo Verde, em 2015. Apesar da impossibilidade, Simões confessou-se lisonjeado com o convite: "Fico muito sensibilizado por se terem lembrado de mim.”
O antigo extremo-esquerdo, que integrou a Seleção Nacional que alcançou o 3.º lugar no Mundial de 1966, partilhou as suas recordações sobre a inesquecível campanha em Inglaterra. Essa equipa, que disputava pela primeira vez uma fase final de um Mundial, deixou uma marca indelével na história do futebol português. Simões salientou que “reunimos vários jogadores com um dom e tínhamos um rei, que era Eusébio, que teve alguns príncipes à sua volta.” O ex-jogador modestamente incluiu-se entre esses príncipes
, afirmando: “Eu, modestamente, acho que tive a inteligência e capacidade de jogar com a inteligência de Eusébio, o que não era fácil”. Simões destacou ainda o privilégio de ter jogado ao lado de Eusébio durante cerca de 14 anos, realçando que “o futebol é arte em movimento e requer uma inteligência específica. Eu compreendi a inteligência de Eusébio para jogar com ele. Eusébio foi o jogo, a bola e o futebol, com toda a naturalidade e humildade. Ele é uma figura inigualável”.
Aquele Mundial de 1966 “colocou Portugal no mapa”, nas palavras de António Simões, que agora projeta os seus desejos para a seleção no Campeonato do Mundo de 2026. Acreditando que Portugal pode chegar ao título, o Magriço
apela à prudência e à gestão de Cristiano Ronaldo por parte do selecionador. As memórias dessa jornada histórica em 1966 continuam vivas: “As memórias que marcaram foram a forma modesta como chegamos a Inglaterra, só tínhamos o grande fotógrafo Nuno Ferrari à nossa espera. Já tínhamos títulos europeus de clubes, mas não éramos vistos como candidatos. Depois, a vitória com o Brasil despertou toda a Inglaterra para a qualidade do futebol português. E a última foi a melhor, o regresso a Portugal e todas as ruas, todas as cidades e o país foram invadidos num momento espontâneo de alegria depois do pódio alcançado”, concluiu Simões, evocando a alegria de um país em ditadura.