Carlos Vinícius revela os bastidores com Jorge Jesus e José Mourinho

  1. Jorge Jesus parou um treino para corrigir Carlos Vinícius.
  2. Mourinho é o "maior de todos", segundo Vinícius.
  3. Pizzi e Harry Kane são referências para Vinícius.
  4. Thiago Silva é considerado o defesa mais difícil.

Carlos Vinícius, antigo avançado de clubes como o Benfica e o Rio Ave, partilhou em entrevista as suas experiências com dois dos mais conceituados treinadores portugueses: Jorge Jesus e José Mourinho. Os relatos do jogador brasileiro oferecem uma perspetiva única sobre os métodos de trabalho e a personalidade de cada técnico.

A passagem de Carlos Vinícius pelo Benfica, sob a alçada de Jorge Jesus, foi particularmente marcante. Vinícius detalhou um episódio curioso que ilustra bem a intensidade e o foco de Jesus nos treinos. Segundo o avançado: “No primeiro treino, um jogador tocou (a bola) para mim, eu devolvi de primeira e ele parou o treino. E eu: “Ele já vai rasgar comigo”. Quando ele para o treino, gosta que toda gente olhe. E ele diz: “Sabes no que tu és bom? És muito bom num toque, um primeiro toque, um toque e passa. A bola nos teus pés parece um coco.” O jogador não poupa elogios ao método de ensino do técnico português, afirmando que: “O Jorge Jesus foi um treinador de ensino. Não é fácil estar com o “velhinho”, mas muitos jogadores vão dizer: realmente, ele é um professor. Só que a tua cabeça fica daquele jeito com ele.”

Já sobre José Mourinho, com quem trabalhou no Tottenham, Carlos Vinícius manifesta uma admiração profunda, colocando o “Special One” num patamar muito elevado. Vinícius realça a capacidade de Mourinho para antecipar os cenários de jogo, algo que o impressionou bastante. “Vamos para o jogo e ele diz: “Vai acontecer isto, isto e isto para o positivo, e isto e isto para o negativo.” Já ficamos a saber o jogo. De todos, ele é o que mais respeito. Não só pelos títulos, mas pela pessoa, pela forma como lidera, pelo jeito de ser. Para mim, Mourinho é o maior de todos”, revelou o avançado. Esta admiração estende-se à influência de Mourinho no futebol português e na formação de novos treinadores, com Vinícius a sublinhar que: “a escola portuguesa é uma das melhores na formação de treinadores”, e que Mourinho “revolucionou muito” e “as pessoas querem ser como ele.”

O jogador brasileiro também traçou um paralelo interessante entre a forma como o futebol é encarado em Portugal e no Brasil. No Brasil, o sonho predominante é ser jogador profissional, enquanto em Portugal há uma forte inclinação para a carreira de treinador. “No Brasil toda criança quer ser futebolista. Porquê? Porque o nosso passado foi de grandes craques. Já em Portugal formam-se muitos treinadores. Em Portugal, por exemplo, a conversa dos jogadores no balneário já é ser treinador”, observou Vinícius.

Além dos treinadores, Carlos Vinícius mencionou os jogadores que o marcaram. Entre as suas referências destacam-se Harry Kane e Pizzi, seu antigo colega no Benfica. Sobre Pizzi, que não tem o mesmo reconhecimento mundial, Vinícius afirmou: “É um jogador que a nível mundial não tem tanto nome, mas fizemos uma grande dupla. Aquilo que vivemos foi um certo privilégio.”

No que toca aos defesas mais difíceis que enfrentou, Carlos Vinícius apontou Thiago Silva, destacando a sua inteligência em campo. “Com o conhecimento que ele tem do jogo, se quiser, pode jogar até os 55 ou 60 anos, porque ele prevê as coisas”, disse. Curiosamente, Vinícius revelou que na sua formação jogou como médio e defesa no Santos e no Palmeiras, inclusive estudando vídeos de Kompany. Essa experiência levou a um reencontro engraçado com Lucas Veríssimo no Benfica, já que ambos tinham sido dupla de centrais no Santos. Vinícius relatou a situação: “Fiz dupla de centrais com o Lucas Veríssimo no Santos. Quando ele foi para o Benfica, dizia: “Mano, com todo respeito, eu não consigo acreditar que o meu homem-golo é você”. E eu já tinha sido artilheiro do Benfica. Ele dizia: “Eu sei que fazes golo, eu sei que vais fazer golo, mas quando eu olho para ti…” Éramos nós dois na defesa do Santos alguns anos antes. São coisas que o futebol proporciona”, concluiu o avançado, que atualmente joga no Grémio, sob a orientação do português Luís Castro.

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