A situação de José Mourinho no Benfica continua a ser um dos grandes temas do futebol português. A chamada “cláusula de ética” no contrato do treinador com o clube encarnado, que inicialmente parecia ter um prazo de dez dias seguidos após o último jogo da época, afinal, dura mais tempo do que o previsto. A notícia de que Mourinho tem tudo certo para o Real Madrid, caso Florentino Pérez vença as eleições, adiciona ainda mais suspense a esta situação.
Afinal, a cláusula que permite a Mourinho ou ao Benfica SAD rescindir o contrato sem grandes custos só expira no final da semana. Os dias em questão não são corridos, mas sim úteis. “Quando o Benfica anunciou a contratação de José Mourinho a 18 de setembro de 2025, o clube encarnado fez uma ressalva: dez dias após o último jogo oficial da época desportiva 2025/26, nas mesmas condições, tanto a Benfica SAD como o treinador poderiam optar por não dar continuidade ao contrato que mantinha (e mantém) o treinador ligado ao Benfica até ao final da temporada 2026/27”, referia o comunicado. Entretanto, após o Estoril-Benfica, último jogo das águias na temporada, a 16 de maio, nesta terça-feira, completou-se o décimo dia. Contudo, “Nesse comunicado, enviado pela SAD encarnada à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), não ficou explícito se os dez dias eram seguidos, mas o Maisfutebol sabe que são dez dias úteis.” Além disso, “Afinal não chega hoje ao fim o prazo de 10 dias para José Mourinho confirmar se aceita ou recusa renovar com o Benfica. A cláusula só expira no final da semana. Os 10 dias de que tanto se tem falado são 10 dias... úteis, apurou Record.” Isso significa que a “cláusula de ética” é válida até sexta-feira, 29 de maio.
Apesar da proximidade do fim do prazo, o técnico português ainda não comunicou a sua decisão ao clube da Luz. A imprensa tem avançado informações contraditórias sobre o valor que Mourinho ou o Real Madrid teriam de pagar para romper o vínculo com o Benfica. O presidente do Benfica, Rui Costa, já havia abordado o assunto. Rui Costa chamou-lhe “cláusula rara” e José Mourinho “cláusula de ética”, numa alusão ao facto de o técnico ter sido contratado escassas semanas antes das eleições do Benfica e de um eventual novo presidente não querer ficar preso a um treinador que não tinha escolhido ou de o treinador setubalense não se rever no projeto do novo líder do clube e pretender romper a ligação. Em relação ao custo da rescisão para Mourinho, “Posso dizer que é menos de metade do seu salário. É uma medida fantástica para a altura que vivemos", afirmou Rui Costa à TVI e à CNN Portugal a 25 de setembro de 2025, numa entrevista em que, quando questionado se Mourinho recebia 3 milhões de euros no primeiro ano de contrato e 4 no segundo (não foi esclarecido se brutos ou líquidos), o presidente do Benfica respondeu que os valores andariam “por aí”, frisando, no entanto, que não estava autorizado a revelar o salário do treinador.