Helton Leite sobre o Benfica: Jorge Jesus, Roger Schmidt e um ambiente de caos

  1. Helton Leite chegou ao Benfica em 2020.
  2. Jorge Jesus testava intensamente os jogadores.
  3. Roger Schmidt fez reuniões individuais.
  4. Benfica terminou em 3º lugar na temporada.

O guarda-redes Helton Leite, que passou duas épocas e meia no Benfica, partilhou as suas experiências sobre o período em que jogou no clube, nomeadamente a chegada e a saída de Jorge Jesus, assim como a transição para Roger Schmidt. Em entrevista ao Tribuna do Expresso, o jogador brasileiro detalhou o ambiente atribulado que encontrou ao chegar à Luz em 2020, vindo do Boavista. “Foi um período um pouco turbulento para o clube, porque eles perderam o campeonato, perderam a Taça de Portugal, Bruno Lage tinha saído, estavam com Nelson Veríssimo e depois contrataram Jorge Jesus, que saiu do Flamengo. (...) Estava tudo muito confuso e um ambiente muito mexido, com um Benfica sem títulos, com muita mudança, e quatro semanas depois, já tinha pré-eliminatória da Champions, só que não se podia fazer estágio pré-época, porque ainda havia restrição de covid-19. Foi realmente um caos, muitos jogadores a entrar e a sair”, recordou Helton Leite.

Helton Leite abordou ainda o método de trabalho de Jorge Jesus, destacando a sua forma peculiar de testar os jogadores. O guarda-redes, apesar de considerar Jesus “top” e “muito fera”, revelou um lado exigente do treinador. “Ele é top, é muito fera, sou grande fã do mister. É uma figura, mas é um especialista em testar as pessoas. Não entendi isso na altura, mas desde o dia zero ele já está a testar toda a gente. E não era testar só dentro de campo; testava o quanto aquela pessoa quer, o quanto aquele jogador pode adaptar-se, o quanto vai aguentar e suportar a pressão e vai fazer realmente aquilo que ele deseja. É um teste trabalhar com ele. Não digo cansativo, digo que é exigente trabalhar com ele. E tudo depende do resultado. (...) Num clube como o Benfica que tem de ser campeão sempre, não ganhar títulos cobra o preço. Foi isso que aconteceu, mas para mim foi o treinador com quem mais aprendi em toda a carreira. Para mim, como para vários outros jogadores, ter tido o Jorge Jesus como treinador foi uma honra”, afirmou Helton Leite. Esta perspetiva oferece um olhar sobre a intensidade e a mentalidade vencedora que o técnico impunha no balneário.

A saída de Jorge Jesus e a chegada de Roger Schmidt em 2022/23 marcou uma nova fase para o Benfica e para o próprio Helton Leite. Embora tenha jogado apenas uma partida sob o comando do treinador alemão, o guarda-redes expressou grande admiração pelo seu estilo de liderança. “Na primeira semana em que ele chegou estavam todos desconfiados, vínhamos de uma época terrível, não ganhámos nada. Quando um treinador é mandado embora, sinto-me mal, com vergonha, porque não tivemos a capacidade de ter sucesso. O jogador tem que olhar para dentro também e perguntar-se o que poderia ter feito diferente. Porque se ele foi embora é porque estávamos mal. O Veríssimo depois entrou, conseguimos avançar um pouco mais na Champions, mas no campeonato não tinha resultado algum. Terminámos na 3ª posição, o que é péssimo para o Benfica. O Benfica é campeão ou fracasso. Terceiro lugar então é muito fracasso. Existia esse sentimento de ver o que ia acontecer com a entrada do Roger Schmidt. Logo na primeira semana fez uma reunião individual com todos os jogadores. Ele era direto, muito educado, uma pessoa super diferenciada no trato com o atleta”, concluiu Helton Leite, destacando a capacidade de Schmidt em construir um ambiente positivo e de motivar a equipa, mesmo após um período conturbado, culminando numa temporada de sucesso para o clube.

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