O Barcelona sagrou-se campeão da Liga dos Campeões feminina pela quarta vez, com Ewa Pajor a ser a grande figura da noite com um bis. A final, disputada em Oslo, marcou o reencontro entre as catalãs e o Lyon, duas épocas depois de as espanholas terem vencido a final de 2024 em Bilbau. As 'culés' chegaram ao jogo decisivo sem derrotas na prova, enfrentando um Lyon que havia afastado gigantes como Arsenal e Wolfsburgo. A partida começou equilibrada, com ambas as equipas a tentarem assumir a posse de bola. A primeira oportunidade de golo pertenceu ao Barcelona, com Putellas a rematar perto do poste. O Lyon respondeu com um golo anulado por fora de jogo e, pouco depois, Pajor e Brand também tentaram a sua sorte, mas sem sucesso. No final do primeiro tempo, Bacha obrigou Cata Coll a uma grande defesa na cobrança de um livre. A etapa complementar trouxe mais emoção. Aos 55 minutos, Ewa Pajor quebrou o enguiço em finais, marcando o primeiro golo para o Barcelona com um remate cruzado e rasteiro. A jogadora polaca, que nunca tinha conquistado o troféu em cinco finais anteriores, viu o seu esforço recompensado. O Lyon reagiu, com Yohannes a servir Becho, que obrigou Cata Coll a mais uma excelente intervenção. O Barcelona ampliou a vantagem aos 69 minutos, novamente por Ewa Pajor, que bisou após assistência de Salma Paralluelo. O terceiro golo do Barcelona surgiu já perto do final, com Salma Paralluelo a finalizar de forma espetacular. Nos descontos, a espanhola bisou com mais um golo, confirmando a goleada. Kika Nazareth fez história ao ser a primeira portuguesa a jogar uma final da Liga dos Campeões feminina e a segunda a vencê-la, juntando-se a Jéssica Silva.
As expectativas para a final eram elevadas, e os treinadores de ambas as equipas partilhavam a importância da concentração e dos detalhes. “É uma final e podem acontecer muitas coisas. Os rótulos podem ser ignorados, já que a prestação, o respeito e o trabalho de equipa são o que é preciso para ganhar a Liga dos Campeões. A única mensagem que passo é darmos o máximo desde o início. Temos trabalhado para ter as nossas ideias bem definidas desde o primeiro minuto. É preciso tomar decisões de acordo com as situações de jogo. É importante controlar o jogo e gerir as emoções. Muitas jogadoras evoluíram bastante e acho que a equipa cresceu muito. A equipa técnica fez um excelente trabalho ao promover jovens jogadoras para o futuro do clube. Jonatan Giráldez? Ambos aprendemos muito e vamos continuar a crescer como treinadores. Será um jogo exigente, decidido pelos pequenos detalhes”, explicou Pere Romeu, técnico das espanholas, antecipando uma partida renhida onde a gestão emocional seria crucial. Do lado do Lyon, Jonatan Giráldez, que orientou o Barcelona até 2024, sublinhou a necessidade de foco. “É preciso deixar as emoções de lado e manter a máxima concentração, porque são esses pormenores que fazem a diferença para se estar a 100% ou não, para o que se é capaz de fazer e para que lado a balança pende. Não foi fácil vencer todos os jogos que vencemos para chegarmos a esta final. Procuramos levar as jogadoras ao limite nos treinos. Sem dúvida que estes jogos fazem com que as jogadoras se concentrem ao máximo em cada minuto, em cada ação e em cada lance, e isso ajuda-as a melhorar e a preparar-se para os jogos que se avizinham. A experiência ajuda-nos, especialmente no que diz respeito à preparação a nível logístico. Depois, há as emoções de disputar aquele que é, sem dúvida, o jogo mais importante do futebol feminino. As finais são jogos que se decidem por pequenos detalhes, são jogos em que é preciso estar atento a todos os pormenores. É preciso deixar as emoções de lado e manter-se o mais concentrado possível”, frisou o técnico, destacando a relevância dos pequenos detalhes e da experiência em jogos desta dimensão.
Para a final, Pere Romeu fez três alterações na equipa do Barcelona em relação à última partida, com Irene Paredes no lugar de Aicha Camara, Clara Serrajordi substituindo Clàudia Pina no meio-campo, e Caroline Graham Hansen a render Vicky López no ataque. No Lyon, Jonatan Giráldez também efetuou três alterações, com Lindsey Heaps e Lily Yohannes a entrarem para os lugares de Damaris Egurrola e Korbin Albert, e Ada Hegerberg a substituir Marie Katoto no ataque. Um destaque para o casal Mapi e Ingrid, que se encontraram como adversárias nesta decisão, e para a presença de Kika Nazareth no banco de suplentes do Lyon. A partida foi um verdadeiro espetáculo de futebol feminino, com as duas equipas a darem o seu melhor no relvado. O Barcelona, com a sua quarta conquista, iguala o FFC Frankfurt no segundo lugar do palmarés da competição, sendo o Lyon o clube mais vitorioso, com oito títulos. A jornada de Ewa Pajor, que finalmente ergueu o troféu, e a histórica participação de Kika Nazareth, que se tornou na primeira portuguesa a defrontar uma final e a segunda a vencê-la, são os pontos altos desta emocionante vitória.