Anatoliy Trubin, o guarda-redes ucraniano do Benfica, fez um balanço detalhado da sua temporada de águia ao peito numa entrevista à Sky Sports, abordando diversos temas, desde o desempenho da equipa, a sua evolução individual, a relação com José Mourinho e os seus sonhos para o futuro.
Relativamente à temporada na Liga Portuguesa, Trubin relativizou a invencibilidade do Benfica, sublinhando a diferença entre não perder e ganhar. “Não perder e ganhar são duas coisas diferentes. Não perder não é suficiente para um clube gigante como o Benfica. Os nossos adeptos não aceitam outro resultado que não o triunfo e o primeiro lugar”
, afirmou o guardião, apontando para uma necessidade de melhoria na próxima época: “Temos de ser muito melhores.”
Um dos pontos altos da entrevista foi a perspetiva de Trubin sobre o trabalho com José Mourinho. O guarda-redes considerou-se sortudo
por ter tido a oportunidade de trabalhar com “um dos melhores treinadores da história”
. Descreveu o técnico português como alguém que não fala muito
, mas que “sabe exatamente o que tem de dizer a cada jogador”
em poucas frases
. Os conselhos de Mourinho foram claros: “Disse que tinha de comunicar mais, exigir mais da equipa. Disse-me que vejo muito, mas que sou uma pessoa que guarda as coisas. Ele quer que eu organize melhor a defesa. Concordo com ele.”
Trubin realçou também a sua evolução no controlo emocional, admitindo que “quando cometo um erro não desisto. Consigo manter a cabeça fria. É um dos elementos mais importantes para ser um bom guarda-redes.”
A sua mentalidade é de foco contínuo: “Podes ser um herói e depois a pior pessoa do mundo num só jogo. Tens de te focar na próxima ação.”
O momento surreal do seu golo ao Real Madrid, que apurou as águias para a fase a eliminar da Champions, aos 90+8', foi outro tema abordado. Trubin admitiu que o momento inacreditável lhe mudou a vida e que lhe valeu “comentários engraçados de adeptos do Barcelona”
, bem como uma reação surpreendente da própria mãe: “Ela achava que estava louca. Foi muito engraçado. Quando me encontram perguntam quando é que vou marcar outra vez.”
O guarda-redes ucraniano também mencionou os elogios de Thibaut Courtois após a partida: “Deu-me os parabéns logo a seguir à partida. Foi um grande momento para mim. Mesmo depois de a equipa dele ter perdido, teve a força para fazer aquilo”
. Apesar de estabelecer pontos de comparação com Courtois e Joan García, Trubin puxou dos galões: “Sou o Anatoliy Trubin, tenho o meu próprio estilo”
.
Recordando a sua passagem pelo Shakhtar Donetsk, em particular a temporada 2021/22, Trubin não poupou elogios ao treinador, embora o tenha descrito como louco
. “Ele abriu-me os olhos para uma nova forma de jogar futebol. Ele queria que toda a gente soubesse o seu papel. Eu e amigos do Shakhtar perguntávamo-nos como é que conseguíamos jogar futebol antes dele.”
Explorando a possibilidade de um eventual reencontro, Trubin afirmou: “Ele ainda me conseguia ensinar muito.”
Olhando para o futuro, o guarda-redes de 24 anos admitiu o desejo de jogar na Premier League, um objetivo comum a “nenhum jogador no Mundo que não queira jogar na Premier League”
, mas salientou a necessidade de continuar a trabalhar arduamente. Por agora, Trubin sente-se feliz em Lisboa, desfrutando dos “dez meses de sol”
. A Ucrânia, no entanto, permanece no seu pensamento: “Queremos muito voltar a jogar os nossos jogos na Ucrânia. Vai ser fantástico. Tenho o sonho de jogar na Donbass Arena. Seria especial.”