O Benfica consolidou a sua hegemonia no futebol feminino português ao conquistar a Taça de Portugal, selando assim a segunda “dobradinha” da sua história. A vitória por 2-0 frente ao FC Porto, no primeiro Clássico feminino disputado no Jamor, teve como protagonista Caroline Möller, autora dos dois golos que garantiram o troféu.
A final, que contou com um recorde de assistência para jogos femininos no Jamor, com 22.258 espectadores, colocou frente a frente as hexacampeãs nacionais e um FC Porto em ascensão, que pela primeira vez chegava a uma final da Taça. Ivan Baptista, técnico das encarnadas, abordou a responsabilidade: “Não nos escondemos da responsabilidade que temos, estamos habituados a isso desde o primeiro dia em que entramos neste clube. Também sabemos que isso, por si só, não ganha jogos. É tudo teoria, o favoritismo é meramente teórico. Não posso falar dessa final do Benfica, quando estava na Segunda Divisão e venceu. Aqui, a questão é que o favoritismo é apenas teórico. Assumimo-lo sem problema nenhum mas sabemos que, na prática, vamos ter de trabalhar, suar e correr para conseguirmos aquilo que queremos. Estamos a falar de jogadoras muito experientes, de um grupo muito experiente, que já passou por muito e que não cai nesse tipo de situações. É um grupo muito preparado para dar uma boa resposta, sabendo que do outro lado está uma equipa que também vem para competir e vencer”.
Do lado portista, Daniel Chaves encarou a final como o culminar de um projeto em crescimento: “É a cereja no topo de bolo, não só desta época mas de duas épocas fantásticas da nossa equipa. É também sinónimo do crescimento que temos vindo a ter. Já é uma vitória cá estar. Sabíamos que chegar a esta final acrescentaria o brilhantismo que queríamos a estas duas épocas, e agora queremos que seja um encontro que dê brilhantismo ao futebol feminino. Falamos de um adversário que tem a hegemonia do futebol feminino neste momento, com o maior investimento a nível nacional, uma equipa que conta com nove internacionais da Seleção, além das da Noruega e Dinamarca. Somos uma equipa jovem, ambiciosa e com muita vontade de competir. Esse é o maior desafio que temos. Preparamo-nos há mais de um ano para chegar a jogos como este e sermos muito competitivos de forma a competirmos com equipas deste nível. Era aqui que queríamos chegar, é aqui que nos temos de habituar a estar. É o início de uma caminhada certamente vencedora do nosso clube no futuro do futebol feminino”. Apesar do domínio do Benfica, que marcou o primeiro golo logo aos quatro minutos através de Caroline Möller e ampliou a vantagem antes do intervalo com o segundo da dinamarquesa, o FC Porto, embora derrotado, deixou uma imagem de empenho e ambição para o futuro. Ambas as equipas foram aplaudidas por uma moldura humana que celebrou “o primeiro clássico do futebol feminino nacional”. A partida serviu ainda de antevisão para a próxima época, onde o FC Porto se juntará a Benfica, Sporting e Sp. Braga na luta pelos títulos nacionais, prometendo maior competitividade ao futebol feminino português.