Numa tarde que ficará marcada na história do futebol feminino português, Kika Nazareth, craque de 23 anos do Barcelona, marcou presença no Estádio Nacional para apoiar o Benfica. Kika, que conquistou a Taça da Rainha no sábado anterior, fez questão de estar no Jamor trajada a rigor com a camisola 13 do Benfica, pertencente à sua amiga Lúcia Alves. A sua presença não passou despercebida nas bancadas, e os adeptos chamaram pela estrela com 52 internacionalizações por Portugal. O clássico entre as hexacampeãs nacionais e o recém-promovido FC Porto assinalou um momento de confraternização e paixão pelo desporto, sublinhando o crescimento e a união da modalidade.
A festa começou horas antes do apito inicial, com adeptos de ambos os clubes a partilharem o espaço exterior ao Estádio Nacional. Mélanie Pereira, adepta do FC Porto que celebrou o título masculino na Avenida dos Aliados, veio apoiar a amiga Mariana Azevedo, jogadora do FC Porto feminino. “Viemos uns 10. Dos dois clubes, mas estamos cá pela Mariana. É claro que eu quero que o FC Porto ganhe, mas tenho consciência da diferença entre as equipas. Só na próxima época é que vamos estar na I Liga. A diferença é grande. Mas eu acredito”
, disse Mélanie, acompanhada pelo namorado, André, adepto do Benfica. André, por sua vez, confessou estar com o coração dividido
e profetizou: “Se é para o FC Porto ganhar, que seja com um golo da Mariana, nem que seja aos 90+6 minutos”
. A atmosfera de amizade e camaradagem prevaleceu, com grupos em amena cavaqueira ostentando as cores dos rivais.
As bancadas do Estádio Nacional estavam repletas de jovens atletas e figuras importantes do futebol feminino. Lilly Morana, guarda-redes de 13 anos das iniciadas do Benfica, expressou a sua ambição: “Vim apoiar o Benfica. Quero muito estar na equipa principal e jogar. Estar em campo será um orgulho para mim.”
Nuno Cristóvão, um dos treinadores mais titulados na história da Taça de Portugal, com cinco troféus, vê com bons olhos o envolvimento dos grandes clubes no futebol feminino. “Não há nenhuma dúvida sobre isso. Tenho dito desde sempre, e em especial quando estava na Federação Portuguesa de Futebol entre 2000 e 2004 [foi selecionador nacional nesse período] mas também depois disso, que o desporto em Portugal vive muito à custa dos grandes clubes, nacionais, regionais ou distritais. Há também grandes clubes regionais que levam até aqui as massas. Veja-se o caso do Torreense, que estará na final masculina”
, sublinhou. Henrique Ramos, treinador adjunto do Estrela da Amadora, salientou a importância deste evento para as suas atletas: “Sem dúvida e acho que tem de ser mesmo essa a visão destas jogadoras, porque as mais 'pequeninas' têm claramente de sonhar um dia lá estar e, pelo que tenho ouvido aqui, elas sentem isso”
. A presença de camisolas de outros clubes, como Famalicão, Vitória de Guimarães e Estrela da Amadora, demonstrou o vasto impacto e o crescente interesse pelo futebol feminino em todo o país.