A potencial venda de uma participação significativa na Benfica SAD ao fundo norte-americano Entrepreneur Equity Partners está a gerar discórdia. Jaime Antunes, antigo vice-presidente e administrador da SAD do Benfica, faz um alerta veemente sobre a situação, sublinhando que a Benfica SAD “tem tudo” para vetar o negócio.
“A SAD do Benfica e a administração da SAD do Benfica só aceitam este negócio se quiserem, porque os estatutos dizem que quando se compram blocos de ações superiores a 2%, as ações de tipo A, ou seja, as ações que são detidas pelo Benfica, têm o direito de veto sobre essas transações, desde que o comprador esteja numa situação de concorrência com o Benfica”, afirmou Jaime Antunes, em declarações à Lusa. A posição de Antunes baseia-se na interpretação dos estatutos do clube, que definem claramente os critérios para a concorrência. “Por outro lado, os estatutos também definem o que é concorrência: é o comprador ter atividades na área do futebol ou da organização de eventos desportivos. Ora, é público que este fundo tem atividades na área da organização de eventos desportivos, porque gere arenas desportivas, e, agora, também foi anunciado o seu envolvimento, direto ou indireto, na compra do Veneza em Itália. Portanto, a administração da SAD do Benfica tem tudo nas mãos para vetar o negócio, e eu acho que é isso que deve fazer”, sublinhou. Esta situação remete para um caso anterior com John Textor, onde o Benfica exerceu o seu direito de veto. “A administração do Benfica na altura vetou o negócio e, por isso, é que John Textor acabou por não concretizar a compra das ações da SAD, porque era concorrente do Benfica em determinadas áreas. Portanto, agora, a administração da SAD tem todas as possibilidades, se assim entender, para vetar esta compra”, vincou Antunes.
José António dos Santos, conhecido como o “Rei dos Frangos”, anunciou um acordo para vender a sua participação de 16,38% na Benfica SAD ao fundo norte-americano. Antunes, que deixou as suas funções no Benfica no início do ano passado, em rutura com a direção de Rui Costa, não esconde a sua preocupação com o futuro da SAD. A sua vigilância estende-se a possíveis ações futuras. “Se a SAD não vetar o negócio, nós podemos considerar que há um prejuízo grave de uma estratégia futura do Benfica e da SAD do Benfica, e os sócios do Benfica poderão ser parte interessada numa contestação. Mas, para já, vamos esperar pela decisão da direção do Benfica”, rematou. O economista, que concorreu à presidência do clube em 2003, poderá, inclusive, tentar travar judicialmente o negócio, caso este avance sem o veto da SAD encarnada.