Saúde mental no futebol: A coragem de ser vulnerável dentro e fora do campo

  1. Ricardo Lemos questiona se "As pessoas estão preparadas para ver um jogador chorar?"
  2. Luís Suárez não vê as filhas há mais de dois anos por litígio familiar
  3. Sudakov não está focado no Benfica devido a questões pessoais
  4. Viktor Frankl escreveu: "Quem tem um ‘porquê’ suporta quase qualquer ‘como’"

A discussão sobre a saúde mental no futebol ganha cada vez mais destaque, com Ricardo Lemos a questionar durante o programa “O Lado Direito do Mister”, de A BOLA: “As pessoas estão preparadas para ver um jogador chorar?” Esta questão surge num contexto onde um número crescente de futebolistas expõe publicamente os seus desafios pessoais e problemas de saúde mental, desmistificando a imagem de invulnerabilidade muitas vezes associada a estes atletas. É um erro recorrente associarmos saúde mental a sucesso profissional e/ou financeiro, a estatuto ou privilégios, como frisado na análise do tema. O sofrimento, afinal, é profundamente democrático e não escolhe estatuto social ou profissional.

Exemplos recentes como o de Luís Suárez, que revelou não ver as filhas há mais de dois anos devido a um litígio familiar, e Sudakov, que admitiu não estar totalmente focado no Benfica devido a questões pessoais, sublinham a urgência deste debate. Tradicionalmente, esperava-se que os jogadores fossem figuras intocáveis, mas a realidade mostra que a depressão e outras fragilidades também entram em campo. “Quem tem um ‘porquê’ suporta quase qualquer ‘como’”, escreveu Viktor Frankl, uma citação que se alinha com a ideia de que a resiliência não advém da ausência de dor, mas da capacidade de encontrar um propósito maior para a superar. A coragem e a resiliência vêm do sentido que damos às coisas pelas quais temos de atravessar; vêm da forma como valorizamos e quanto queremos a luz ao fundo do túnel.

A vulnerabilidade destes atletas não diminui a sua grandeza; pelo contrário, acrescenta-lhes humanidade, transformando-os em exemplos de superação. Olho para estes e muitos outros jogadores com muito respeito. A vulnerabilidade não lhes retira dimensão; acrescenta-lhes humanidade. Há uma forma de heroísmo que só existe depois da queda. A grandeza não é propriedade dos invencíveis. O verdadeiro heroísmo reside, então, na capacidade de se reerguer e continuar a lutar, inspirando outros a fazer o mesmo. Porque o verdadeiro exemplo não está na ausência de dor, mas na coragem silenciosa de continuar apesar dela. É aí que nasce a admiração genuína: não no talento, não no sucesso, mas na recusa que os medos e as fraquezas ditem destinos, cavando sepulturas de corpos ainda vivos.

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