A Associação Portuguesa de Árbitros de Futebol (APAF) confirmou que irá apresentar uma participação disciplinar contra o Benfica e o seu presidente, Rui Costa. Esta decisão surge na sequência das declarações proferidas por Rui Costa após o empate dos “encarnados” contra o Famalicão (2-2) na 32ª jornada, onde o dirigente criticou veementemente a arbitragem liderada por Gustavo Correia. Além disso, uma publicação nas redes sociais do clube, que atribuía o prémio de “Homem do Jogo” à equipa de arbitragem, também motivou a queixa.
As declarações de Rui Costa, onde acusou o árbitro de prejudicar o Benfica na luta pelo acesso à Liga dos Campeões, foram um dos pontos centrais da queixa. “O Benfica já não tinha a capacidade de ser campeão, mas está a lutar pela [entrada na] Liga dos Campeões e o árbitro impediu. Ninguém tem o direito de decidir campeonatos ou classificações sem ser os jogadores e os treinadores”, contestou Rui Costa, salientando lances polémicos. Em resposta, José Pereira da Costa, presidente da Mesa da Assembleia Geral (MAG) do Benfica, reagiu com ironia à possibilidade de sanções: “Seria irónico, trágico, mas também seria o cúmulo da desfaçatez, se perante o que se passou no sábado, se punisse o presidente do Benfica e não quem errou: O árbitro e o VAR. O que a APAF tem a responder é o que tem a dizer a quem gosta de futebol, não só aos benfiquistas, o que tem a dizer sobre o que se passou no sábado”. Pereira da Costa defendeu ainda as palavras do presidente, considerando que “o presidente deu eco ao sentimento de todos os benfiquistas e perguntou porque é que aquilo tinha existido. E disse que os campeonatos são para ser decididos por quem está dentro de campo e não por erros, como aquele que se viu no sábado. O presidente focou no erro, porque foi o que se passou.”
A necessidade de transparência na arbitragem foi um dos pontos enfatizados por Pereira da Costa, que apelou a medidas imediatas para as duas últimas jornadas do campeonato. “Temos ainda 2 jornadas por disputar. Defendemos, no âmbito da credibilização do setor - pois não queremos internacionalizar o erro, queremos internacionalizar o produto -, defendemos medidas concretas e imediatas: A publicação aos áudios é essencial para percebermos o que se passa naquele minuto na análise daquele episódio. Perceber critérios de avaliação e depois a avaliação dos árbitros é essencial. Estamos num país e sociedade em que todas as atividades são suscetíveis de escrutínio, não faz sentido que num fenómeno como o do futebol esse escrutínio não seja público, visível Que as últimas duas jornadas sejam disputadas sobre o signo da tranquilidade Para que tudo se passe dentro das 4 linhas, com técnicos, jogadores, a decidirem os resultados finais. O Benfica tem vindo a bater nesta tecla ao longo dos tempos. Desde o fim da época passada o Benfica tem exigido e afirmado que a credibilização da arbitragem tem de ser feita por estas medidas. Que sejam realizadas já no final desta época e também para o futuro. Para que torne as coisas mais cristalinas.” O presidente da MAG do Benfica questionou a atuação do VAR e a falta de divulgação das comunicações: “Dois erros que nos custaram 4 pontos com o mesmo árbitro. Daí a perplexidade e surpresa. O que a APAF tem para dizer é que o presidente tem de ser punido e não olhar para a consequência dos atos dos árbitros? É a própria arbitragem que fica em causa com erros daquele tamanho. As palavras do presidente foram certeiras e demonstraram o que se passou no campo. As imagens não têm dúvidas, não geram nenhuma dúvida. Há um erro primário e o VAR, que serve exatamente para corrigir esse erro primário, não corrigiu. Onde estão as comunicações que nos permitem perceber o que se passou?”, interrogou, pedindo ainda uma maior fiscalização a quem gere a arbitragem em Portugal: “Quem gere o modelo é que tem de ser responsabilizado pela gestão do modelo. Estes corpos dirigentes foram eleitos há ano e meio e têm de ser responsabilizados pelo que se passa na arbitragem. Esse modelo de gestão deve ser auditado e fiscalizado.”