O Ministério Público decidiu recorrer da absolvição de Rui Pinto no segundo processo do caso Football Leaks
. A ação está relacionada com o acesso ilegítimo a emails do Benfica e outras organizações, conforme confirmado por fonte da Procuradoria-Geral da República à agência Lusa. Esta decisão surge um dia após o coletivo de juízes ter considerado a acusação inválida
e improcedente
, criticando o tratamento dado ao arguido.
A decisão unânime do coletivo de juízes, presidido por Tânia Loureiro Gomes, apontou que a interpretação do artigo 30.º do Código de Processo Penal feita pelo Ministério Público violou preceitos da Constituição da República Portuguesa e da Convenção Europeia dos Direitos Humanos. Segundo o tribunal, foram violados os princípios da “dignidade da pessoa humana”
, do Estado de direito democrático e do “direito fundamental à tutela jurisdicional efetiva”
, incluindo o direito a uma decisão em prazo razoável e a um processo equitativo.
Os juízes consideraram ainda que o enquadramento processual de Rui Pinto e as sucessivas imputações
de factos criminosos em diferentes momentos processuais configuram uma violação da proibição do duplo julgamento, princípio constitucional e de direito internacional. No segundo julgamento do Football Leaks
, iniciado em 13 de janeiro de 2025, Rui Pinto foi acusado de 241 crimes, incluindo 201 de acesso ilegítimo qualificado, 22 de violação de correspondência agravada e 18 de dano informático, tendo como alvo emails do Benfica, da Liga de Clubes e de outras entidades. Em março de 2024, o Tribunal Central de Instrução Criminal amnistiou-o de 134 crimes de violação de correspondência, com base na lei de amnistia de 2023. Rui Pinto foi previamente condenado a quatro anos de pena suspensa no primeiro caso Football Leaks
, em setembro de 2023, e a seis meses de prisão suspensa em França, em novembro de 2023, por acesso ilegal a emails do Paris Saint-Germain.